Música, Rock/Metal

Howling Giant: Black Hole Space Wizard, Part 1: uma viagem psicológico-espacial

howling-giant-black-hole-space-wizard-part-1-L-Gpb8dzQue descoberta incrível,  essa banda.  Possivelmente tendo fugida de um planeta qualquer numa cápsula espacial de fuzz, caíram em Nashville, Tennessee (USA). O tipo de metal do Howling Giant é uma viagem única e eclética que poderia ter sido baseada num conto de fadas intergalático. Black Hole Space Wizard: Parte 1 é o marco de uma série de três EP’s chamada The Black Hole Space Wizard – uma obra conceitual. Conta a saga de um acidente causado pela humanidade (estando esta no seu estágio mais desenvolvido), que provocou a sua destruição total, e os efeitos desta, experimentados pelo único sobrevivente da espécie.

a3022924991_10Este EP de quatro músicas consiste de uma espécie de afronta para os medíocres. Busca o ouvinte desprevenido e o lança numa odisseia prog metal pesada e sem limites previsíveis. A bateria de Zach Wheel conduz as linhas harmônicas das quatro canções do disco de modo a desconstruir os compassos musicais numa performance esmagadora. O guitarrista e vocalista Tom Polzine enxerga além da fronteira que separa o rock progressivo do metal. Ele toca/canta de pulmões cheios, enfatizando bem as nuances de cada momento. O baixo de Roger Marks é pulsante e ecoa em todo o álbum sendo, portanto, a espinha dorsal de toda essa estrutura musical.

12573683_1652096568348544_1551923156670073722_nA abertura de Mothership, introduzida por riffs contagiantes que derivam para bases sibilantes se deixam acompanhar por uma percussão poderosa seguida de vocais carregados de reverberação. O resultado é, sem dúvida, uma mimetização dos sons praticados nos anos setenta sendo, porém, impulsionado por uma produção tão boa que pode levar o ouvinte a sentir a pulsação de cada riff. Com 4:52, a faixa gera imagens de filme no qual é possível revisitar seus anos mais intensos. Ou, talvez, transportar-se para longe da realidade, num plano mais sombrio, claro. Exodus Earth, lembra uma marcha sonolente através de campos lisérgicos construídos em torno de sulcos capazes de esmagar almas num movimentos sem fim. Aparentemente, o momento em que o mago do espaço impõe destruição sobre a humanidade. Mas também, uma pausa para reflexão quanto as ações do homem sobre a casa onde habita e sua relação com o Deus que castiga. Em Dirtmouth é mais provável que a destruição seja causada nos alto-falantes do ouvinte. A distorção do baixo provoca um efeito tão ruidoso que parece incrível que o próprio Satanás não o tenha patenteado como seu autor. Um pesadelo caótico que figura como um dos 19702431_1893635500861315_1717737040082026239_nmelhores momentos do disco. O EP termina com Clouds Of Dmoke, um épico de doçura quase psiquiátrica que pode levar muitos ao dicionário em busca de vocábulos capazes de predicar e/ou descrever adequadamente a história que aqui se conta. O muro esmagador construído pelas linhas de baixo ainda está presente, mas também, há um trabalho mais leve de guitarras que pode lembrar David Gilmour com toda a sua majestade. Com 7 minutos é a faixa mais longa e sinuosa do disco.

10818475_1507338306157705_494486970158548540_oO som da Howling Giant, não é chega a ser algo revolucionado. Na verdade, parece-me mais difícil deduzir as influências da banda pela audição do disco, do que situá-los segundo minha experiência com o rock. Entretanto, tomando por base que vieram de uma realidade alternativa, na qual Pink Floyd e Mastodon dificilmente poderiam estar associados, diria que as bandas Stoner, estariam muito mais próximas de influenciá-los. De um modo geral, é inegável a originalidade e o bom gosto presente em cada arranjo. Para concluir, vale enfatizar o bom uso pelos músicos dos elementos psicológicos e pela capacidade de criar em cima de ideias muito mais exploradas no universo dos filmes. Nota 9.


Referências:

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Música, Rock/Metal

resenha: Superstition – Spacegoat

spacegoatFundada em 2010, no México, pelos irmãos Miguel (guitarra) e Gina Ríos (vocal e guitarra), a banda, complementada por Rey Fraga (bateria) e Rigo Vigil (baixo) faz uma mistura de rock clássico cujas principais influências  vão de Black Sabbath até os desconhecidos do Flower Travellin’ Band. A discografia da banda consta de um EP auto-intitulado (2012) e do full length Superstition (2016), do qual agora falaremos.

Antes de falar do disco, uma curiosidade: por motivos financeiros, a banda recorreu ao “Kickstarter” para, mediante financiamento coletivo, lançar o seu álbum de estreia. No que foi bem sucedida! Agora vamos ao que importa:

11701042_1004366122921077_6737497629976749875_nCreio que ouvir um disco que prenda a atenção da primeira a última faixa é um desafio a que muitos se propõem sem, contudo, encontrar satisfação plena. Bem, neste caso e, para este que vos escreve, foi diferente. Já na primeira faixa, Doomensional o exercício começou a valer a pena. Seguindo para Transmuta (cantada na língua materna) até As we Land já me sentia parcialmente desconectado de tudo ao redor. Em Superstition comecei a experimentar uma sensação de relaxamento que mais tarde foi se tornando incômoda. Como se uma ferida já cicatrizada estivesse sendo aberta, e era estranho porquê, ao mesmo tempo que incomodava, gerava alívio. Na sequência, em Purple Sand, a sensação era de estar sendo jogado de lado para outro sem que houvesse algo em que pudesse me agarrar para então, encontrar o equilíbrio por conta própria. Em Astral o que parecia ser uma trégua, foi mais um turbilhão de sentimentos. Gina Ríos canta com o coração, sendo por isto, a maior responsável pela angústia (no bom sentido) que as canções provocavam à medida que avançava na audição. The Wooden Path, trouxe paz ainda que de forma melancólica. Erase The Sun se introduz como o próprio “Doom”, mas se transforma numa canção potencialmente destruídora (tente “não sentir” ouvindo-a!). Sacred Montain é uma das mais “Stoner” do disco e dá uma pausa no fluxo de sentimentalismos. Finalmente, Sleeping Hours e, com ela, um misto de euforia e inconformismo. Ao término da audição, a sensação era a de como se estivesse em transe e me recusasse a acordar.

1512866_1005635076127515_7591913225710451901_nPara concluir resta externar que passo a gostar menos do termo Stoner, por considerá-lo limitativo. Quanto ao disco, “Superstition” é daqueles capaz de despertar no ouvinte a sensação de uma viagem sem fronteiras. Levando-o a transpor-se para espaços imaginários sem necessariamente sair da origem. As canções parecem compor um jogo de temas psicológicos anexados a elementos de desgraças as quais o mundo sempre esteve submetido, acrescidos (ainda) de um toque de melancolia. O que, na minha opinião, equivale a dizer que este é um dos melhores lançamentos do gênero no ano de 2016. Nota 9,5.


Referências:

Música, Rock/Metal

Will2Kill: uma outra via para o metal brasileiro

Will2Kill é uma banda de Recife formada em meados de 2015 com a proposta de fazer música pesada. Musicalmente o som da banda tem elementos do Thrash Metal com vocais mais orientado para o Death Metal. A sonoridade é moderna e pesada e a música é raivosa.

Como eles se definem:

“Quatro caras com backgrounds bem distintos se encontram com uma paixão em comum: a música pesada. Esta é uma definição básica do que é o Will2Kill, uma banda que mescla inovação e tradição de uma maneira muito singular. Death metal, thrash, doom, stoner, hardcore e rock, tudo da forma mais autêntica e heterogênea possível.

Na ativa desde janeiro de 2015, a formação reúne Wilfred Gadêlha (vocal), Hugo Medeiros (guitarra), Eddie Cheever (baixo) e Daniel Araújo Melo (bateria) em busca de uma sonoridade agressiva, técnica e, ao mesmo tempo, orgânica.

a4136150971_10O grupo vem divulgando seu primeiro registro oficial, o EP intitulado “Will2Kill”, lançado no dia 12 de agosto de 2016, no festival Visions of Rock, em Caruaru/PE, ao lado do Artillery (Dinamarca) e do Pandemmy (PE), na primeira edição do Visions of Rock no Recife, na casa de shows Estelita. O EP é composto pelas seguintes músicas: “Will to Kill”, “Empire of Ignorance” e “Cause for Alarm”, esta última lançada como single em 26 de março de 2016, no festival Visions of Rock, em Caruaru/PE, ao lado do Sinister (Holanda), Nervochaos (SP) e Inner Demons Rise, no que foi a estreia ao vivo do quarteto. A produção do EP ficou a cargo do guitarrista do Desalma (PE), Mathias Severien Canuto, que gravou, mixou e masterizou o trabalho. As gravações incluíram a participação de um coro de responsa nos backing vocals, reunindo integrantes e ex-membros de bandas importantes do cenário pernambucano, como Igor Capozzoli e Renato Correia (Desalma), Rogério Mendes (ex-Decomposed God e Sanctifier), Alcides Burn (Inner Demons Rise), Antônio Araújo (Korzus, One Arm Away), Rafael Cadena (Cangaço), Rodrigo Costa (Matakabra), Leo Montana (Confounded), Thiago (ex-Lethal Virus) e Jacques “Jaka” WILL2KILLBarcia (Rabujos), que também participou como convidado na música-título do single. Já a parte gráfica também é destaque: o internacionalmente conhecido designer Alcides Burn trabalhou em cima da impactante imagem feita pela premiada fotógrafa pernambucana Annaclarice Almeida para a capa do EP. As fotos da banda foram feitas por Lucas Medeiros.

O EP foi lançado inicialmente no formato digital e já está disponível no BandCamp e no SoundCloud, mas em breve também estará em todos os serviços de streaming e terá uma tiragem limitada de cópias físicas.

SOM NA ARENA

Foi a única banda de metal a entrar na fase eliminatória do concurso Som na Arena, promovido pelo governo de Pernambuco, na Arena de Pernambuco, em 2016. Após passar pela primeira eliminatória e pela semifinal, o quarteto ficou entre as seis melhores colocadas na final, levando seu som agressivo a plateias não especializadas em música pesada.

APR CLUB

Foi uma das bandas que integraram o cast do APR Club, evento que faz parte da programação do tradicional Festival Abril Pro Rock (Olinda, PE), ao lado de Mojica e Mondo Bizarro, na noite de 22 de abril, quando a casa de show Apolo 17, localizada no boêmio Bairro do Recife, ficou pequena para a massa sonora proporcionada pelo quarteto, que fechou a prévia.

DISCO COMPLETO

Para 2017, o Will2Kill trabalha na finalização do processo de composição do seu primeiro álbum, intitulado provisoriamente Another Way, com canções previamente testadas e aprovadas nos shows, além de novas músicas que estão sendo lapidadas. A banda voltará a trabalhar com Mathias Canuto na produção.”


Referências: