Música, Reflexão

Meninos de Rua

Muito cedo, eles aprendem que a vida não é brincadeira.

Desavisados, eles se conturbam com a nossa  civilidade.

Sem sonhos, eles rapidamente se viciam em mediocridade.

Sem esperanças, eles se tornam decadentes em humanidade.

Sob os nossos olhares, eles seguem à margem da sociedade.

Reflexão

Diálogos com Zygmunt Bauman

Coletivamente, somos todos responsável pelo momento histórico no qual estamos inseridos. Cada atitude individual tem impacto nos rumos da nossa sociedade. E a sociedade, por sua vez, é reflexo dos modelos vivenciados em família, nos grupos, comunidades, etc… Os modelos de produção e de consumo não estão necessariamente sincronizados. Daí a invenção, por parte do mercado, de criar necessidades para manter o fluxo de coisas em nome de uma economia política.

Comportamento

Somos realmente livres?

“… O conceito de “fetichismo da mercadoria” é, nesse sentido, particularmente revelador. Ele mostra como o jogo do capitalismo, que se tece nas relações sócio-econômicas, é a verdadeira base que dá forma ao que as pessoas dizem e pensam. As suas representações são, assim, marcadas por essa linguagem que fornece as regras nas quais os indivíduos vão jogar. E vão jogar de uma forma que refrata e desvia o olhar que cada um tem de si e da sociedade à qual pertence. As relações entre indivíduos, por exemplo, aparecem como uma relação contratual entre iguais, aqueles que trocam mercadorias ou mesmo a sua força de trabalho via sua remuneração por salário. Porém, ao fazê-lo, não se dão conta de que sua ação é só aparentemente livre, na medida em que estão coagidos a agirem desta maneira, dadas as relações socioeconômicas estruturadoras dessa sociedade. O que aparece como uma relação entre iguais, de feitio contratual, é, na verdade, uma relação entre desiguais, a relação entre os que vendem a força de trabalho e os que a exploram. No entanto, isso não aparece aos agentes deste processo, pois eles são dominados pelo fetiche da mercadoria que torna aparentemente desiguais, iguais. Logo, o senso comum dessa sociedade, a sua forma de representação de si, cai nas ciladas dessa pretensa igualdade.”

Rosenfield, Denis L. Retratos do Mal. Jorge Zahar Editor. 2003.

:: reflexão para um ano cujas relações sociais, políticas e econômicas apresentam-se mais acirradas do que nunca. E, justamente, por isso, a competição e as desigualdades, estarão mais exacerbadas!

Reflexão

Ética: afinal, o que é?

etica

Aproveitando o ensejo do momento pelo qual a crise ética e moral nos campos da política (que se generaliza em diversos seguimentos da sociedade) assola o país, me dei conta da confusão existente entre os significados desses termos.

Me propus a isolá-los em função das formas de uso, para melhor compreendê-los e, assim, construir um conceito.

Assim, de forma simplista, temos que:

“Ética é um conjunto de princípios que orienta o modo de agir do homem em sociedade.”

Mas o conceito de ética vai além:

De um lado Habermas acredita que a ética fundamenta-se em dois princípios da moralidade: justiça e solidariedade! De outro, Kant defende que a ética deve estar subordinada á moral e ao respeito pelo dever.

Podemos concordar ou não com o que dizem os filósofos. Todavia, as duas afirmativas carecem de complementação.

Ética e moral são duas formas distintas e, apesar de interagirem em diversos campos da vida prática, não podem e não devem ser confundidas.

A principal distinção é que, enquanto a primeira é subjetiva, a segunda é concreta. Sendo, portanto, uma discursiva (teórica) e a outra, positiva (prática).

A ética, enquanto conjunto de princípios, deriva dos valores e costumes vivenciados em comunidade (família, grupos sociais, etc.). A moral, enquanto elemento da práxis é positiva, ou seja, é algo que está posto pelo homem com base no seu comportamento efetivo, visando expressar-lhe claramente o que deve e o que não deve fazer em sociedade.

Explicando melhor:

-A moral diz: faça isto, não faça aquilo!
-A ética diz: porquê eu devo fazer isto e não aquilo?

Dessa forma, pode-se dizer que a moral é a lei propriamente dita.

Mas e a ética, afinal o que é?

Bem, com base nos elementos apresentados acima, pode-se afirmar que:

Ética, é uma reflexão sobre o agir humano! Esta reflexão consiste em validar o comportamento humano dentro de uma lógica universal de igualdade. Ou seja, a ética existe como orientador dos processos de interação entre as pessoas com a finalidade de promover a igualdade e o respeito entre os membros de uma comunidade e/ou sociedade.

O exercício da reflexão ética tem caráter subjetivo por tratar-se de um processo individual. Quando posto no plano coletivo, cria-se as condições de possibilidade para isto a que chamamos de Moral.

Comportamento, Reflexão

reflexão# A crise dos modelos sociais

Muitas vezes na infância ouvi falar em “no futuro isto…”, “no futuro aquilo…” vai ser diferente. (…) Passaram-se os anos e, esse futuro parece nunca ter chegado para umas coisas. Mas para outras, sim!

Assim, assumindo-se que o futuro seja o hoje, diria que vivemos num século marcado pela descartabilidade. Um momento no qual as coisas se prenunciam, nascem e se vão de uma forma tão efêmera que rapidamente são esquecidas.

A implicação disimages (1)to para a vida prática é que as coisas são descartadas sem que tenham sido plenamente vivenciadas. E isto se dá em decorrência da velocidade da informação, que tem provocado mudanças tão radicais na dinâmica das relações, que os fenômenos sociais parecem estar se tornado cada vez mais compactados.

Para adaptar-se à mudanças tão rápidas num mundo tão turbulento é preciso ter estrutura psíquica bem constituída. Esse aspecto, que é fundamental para a construção da personalidade do indivíduo é, de um modo geral, desenvolvido no ceio da família, com base no modelo de criação adotado pelos pais. Entretanto, quando esse modelo apresenta algum tipo de desconformidade com o “established”, oferece efeitos colaterais para os indivíduos a ele integrados.

Um deles é a ausência dos referenciais adquiridos na infância, que pode levar o indivíduo à uma inversão ou a uma desvaloração dos valores vigentes. Um exemplo disto é a confusão existente entre as questões psicológicas e religiosas, éticas e legais, políticas e filosóficas. Disto segue-se que, sendo o agir humano pautado pelo uso de modelos referenciais, pode-se atribuir à crise desses modelos, a subversão da sociedade.

A crise da família, entendendo-a como instância doadora de significado às relações particulares, provoca a crise da sociedade. É notório que hoje, a humanidade acumula mais crises do que soluções. Dessa forma, temos, por exemplo, a crise dos gêneros, a crise moral (vislumbrada pelo cenário político atual), a crise dos ídolos (que em sua maioria são desprovidos de bom senso), etc.

Nesse sentido, num momento em que se prega, cada vez mais, a libertação dcubo-surrealistao homem; em que as possibilidades de se ser/fazer o que se quer nos são dadas de forma tão múltiplas, escolher torna-se cada vez mais difícil. Tudo isso aponta também – e, principalmente, – para a crise do “Eu”. Pois, como os referenciais individuais devem estar validados por um modelo cultural universal, o “Eu” não pode se constituir de forma independente.

Assim, considerando que os modelos expressam padrões instituídos em sociedade e que hoje as escolhas são marcadas pela necessidade de rompimento de padrões, porque escolher? E, para quê? (…) Já que estes modelos podem ser traduzidos justamente pela manutenção dos padrões que durante muito tempo tolhiram e aprisionaram em nome de verdades estáticas.  

As convenções, que se estabelecem como norma tácita do modo de agir em sociedade, estão aí para orientar o agir humano, no entanto, não dão garantias para ninguém.

De onde se conclui que o momento em que nos encontramos traduz-se pelo descarte dos modelos sócio-culturais. Isto é, pelo abandono das ideologias e pelo apregoamento da emancipação do homem pelo homem em relação aos preconceitos, à opressão, à violência e às várias formas de intolerância.

Ainda não se sabe se essa evolução conceitual levará o homem à humanidade que tanto deseja. Todavia, peca justamente por não incluir nessa nova ordem, o alinhamento geral em favor da vida e pelo respeito a pessoa humana.