Música, Rock/Metal

Darkside: três décadas a serviço da música pesada no Brasil

Fundada em 1991, mais ou menos na mesma época em que comecei a ouvir rock,  a banda Darkside é uma das pioneiras do heavy metal no estado do Ceará. Tanto pelo histórico de lutas quanto pela postura dos caras, sempre nutri o maior respeito pela banda. Na verdade, sentia como devesse este texto. Mais do que meras palavras, uma homenagem pela dedicação e persistirem num trabalho que envolve mais amor à música do que recompensas materiais.

fragment_sNo mesmo ano de sua formação, no qual o país ensaiava sua abertura econômica, – e isso mudaria muito as coisas no micro-cosmos do rock local, lançam Fragments of Time (1991), demo tape que continha quatro músicas: Hare Krishna, Suicide, Spiral Zone e Fragments of Time.

gates_Gates to Madness, demo tape de 1993, tinha quatro músicas: Intro/Storms, Gates to Madness, Inferno, The Guardian, Blessed by the Dark. Embalados pelo lançamento, a banda se apresentara ao lado de Angra [SP] e Deadly Fate [RN] em Fortaleza. E, precisamente este, foi meu primeiro espetáculo de heavy metal, portanto, um marco na vida deste que vos escreve. Dessa forma, daquela data em diante passei a acompanhar a banda mais de perto.

Blessed by the Dark, Demo de 1996, continha duas faixas, Mindstorm e a faixa auto intitulada. Ambas as composições fortemente influenciadas por sons da época como Megadeth, Motorhead e Blitzgrieg. Ao vivo a Darkside fazia performances cada vez melhores e numa dessas, ocorreu outro show marcante: quando tocaram ao lado de Genocídio (SP) e Restless (DF). Com produção de alto nível, aquela foi mais uma noite memorável.

A cena evoluíra e, havendo a banda feito shows de abertura para grandes nomes nacionais, conquistaram lugares para tocar e um bom número de seguidores. Todavia, a Darkside se viu obrigada a dar uma pausa nas atividades. Nesse intervalo, surge a Heritage (banda também liderada por Tales), que acaba absorvendo algum material da Darkside nas performances ao vivo, e que, em pouco tempo ganhou notoriedade junto aos fãs.

blessed2No ano 2.000, a Darkside com os fundadores Tales Groo e Aurélio Hulk, contando com alguns membros da Heritage. Relançam a demo tape Blessed by The Dark, agora em CD, e com novas mixagem, masterização e arte. Em 2003, com vistas à promoção de Eclipsed by Soul, que seria o primeiro álbum completo da banda, os caras lançam a promo Shades of Decay. Uma espécie de advanced CD contendo duas faixas (Mindstorm e Shades of Decay), do material que viria a ser lançado na sequência. A demo mostra a banda mais aprimorada tecnicamente.

eclipsedPor falta de apoio, Eclipsed Soul, não foi lançado como o primeiro álbum oficial e acaba sendo saindo em 2004 como mais uma Demo. O material compila músicas de trabalhos anteriores acrescido das músicas Hate Bellow the Skies, Belial, e uma versão acústica para Eclipsed Soul.  O “disco” vem em boa hora e funciona como uma injeção de ânimo no grupo, que cai na estrada novamente.

Entre 2006 e 2010 ocorreram, novamente, algumas reformulações e a banda se apresentava esporadicamente. Todavia, houve muitos momentos memoráveis e um deles certamente foi atuar como open act para Helloween & Gamma Ray diante do maior público da tour brasileira, ocorrida em 2008.

prayersPrayers in Doomsday, gravado em 2011, mas somente lançado em 2012, é o primeiro álbum completo da banda, e dele, já fiz resenha aqui no blog. Para simplificar, posso afirmar que “Prayers…” é um excelente disco, com composições altamente heavy metal mas que, apresentou uma produção pouco exigente. A banda perdeu um pouco em resultado no estúdio, mas ao vivo, soava poderosa. Destaque para as excelentes Born for War, Cursed by the Dawn e Crossfire.

Fazem shows de abertura para a lenda britânica Saxon em Fortaleza e em Curitiba. Tocam também em São Paulo, Manaus, Mossoró, Natal, Campina Grande, Belém e no interior do Ceará.

Na sequência, ainda na divulgação de “Prayers”, 2013 assinala baixas na banda. Logo no início do ano o vocalista Alex Eyras, deixa a banda depois de cinco bons anos a ela dedicados. Com seu timbre agudo, Eyras, dava o tom melódico à banda. Posteriormente, mais para o final do ano é a vez, do guitarrista Helder Jackson, que partiu por motivos profissionais.

O ano de 2014 também preparou surpresas para a banda: por motivo de direito de propriede de marca, a banda alterou a grafia do nome de Darkside para Dark Syde, trocando o “I” por “Y“. O que, entretanto, se manteve apenas durante o ano de 2015.

dark-syde_legacy-of-shadows-500x500No lado bom, 2014 também os presenteia com o lançamento de The Apocalypse Bell Part II – Legacy of Shadows, o segundo disco, que mostra a banda pronta em todos os aspectos. Pelo resultado obtido no estúdio, diria que esta seria a lineup definitiva. As composições estão mais violentas, sujas, altas e lindamente audíveis. Interessante notar que há poucos solos de guitarra, o que não pormenoriza em nada o disco. Agora com Marcelo Falcão no vocal, a banda soa mais brutal apresentando um trabalho assumidamente Thrash metal. Destaque para as músicas Legacy Of Shadows e Scape from the Doom Desert.

15151213_10205869806984130_2118424820_n-1Gravado na apresentação feita como open act para o Blind Guardian no Siara Hall, em 2015, “Darkside – Live At Siara Hall” é o último registro lançado pela banda. O disco contém apenas seis músicas que, apesar de poucas para um “Ao vivo“, atingem a finalidade pela boa produção e principalmente pela fidelidade na execução, das músicas. A parte gráfica do CD também está no capricho e, só pra constar: interessante é notar como o plano de fundo dos germânicos acabou servindo para a composição da fotografia dos cearenses. Também fizeram a abertura do show do Onslaught em janeiro deste ano (2017).

21362219_10207750726685947_1604409411_o

Fragments of Madness… At the Gates of Time, o novo álbum, que vem coroar as três décadas de atividades que a banda está prestes a completar, pode muito bem simbolizar um tributo à adversidade e à persistência. O disco encontra-se inteiramente gravado e trará releituras das músicas gravadas nos anos 90, originalmente contidas nas fitas Fragments of Time e Gates to Madness. A gravação traz a participação de três bateristas, três baixistas e, nada menos do que, cinco guitarristas que ajudaram, em maior ou em menor grau, a construir no nome da banda.  A formação que gravou o disco conta com Marcelo Falcão (Voz), Tales Groo (Guitarra), Anderson Menezes (Guitarra), Kaio Castelo (Baixo) e Bosco Lacerda (Bateria).

Infelizmente, assim que as gravações terminaram, houve uma completa reformulação na banda, restando apenas o fundador, Tales Groo e o baixista Kaio Castelo que, aguardam a prensagem do novo álbum. Enquanto isso, testam novos componentes e preparam um álbum para 2018.

Nesses, quase trinta anos de atividade, a Darkside se propôs ao enfrentamento de todo tipo de adversidade. Assim como a maioria das bandas underground, batalhou pelo reconhecimento e pelo direito de se expressar como artistas de um gênero musical no qual o amor à música é posto a prova todos dias. O tempo, mais do que qualquer palavra, aqui escrita, pode melhor responder as várias questões feitas diariamente por todos aqueles que partilham desses ideais. Fazer música no Brasil é uma tarefa árdua e, justamente por isto, completar três décadas de atividade é coisa para poucos. Dessa forma, por todos os motivos citados, pode-se dizer que a banda chega à maturidade se firmando como um nome de peso, força e integridade no metal nacional.


Referências:                                Agradecimento:

Anúncios
Música, Rock/Metal

Circus Maximus: nem só de black metal vive a Noruega

Circus Maximus é uma banda de metal progressivo originária de Oslo, Noruega. Seu som assemelha-se ao de bandas como A.C.TEvergreyQueensrÿcheSymphony X e Dream Theater, entre outras. Começaram como uma banda cover, mas depois de duas demos muito bem produzidas assinaram com um o selo americano especializado em heavy metal, Sensory Records, que deu suporte para o lançamentos de um disco completo.

Cover_The1stChapter-960x960O seu álbum de estreia, chamado The 1st Chapter, foi lançado em maio de 2005, mixado em diversos estúdios na Noruega e na Dinamarca pelo produtor Tommy Hansen (Helloween, Pretty Maids, Wuthering Heights). Em novembro de 2005, o membro-fundador Espen Storø decidiu deixar a banda por razões pessoais e foi substituído no início de 2006 por Lasse Finbråten (ex-membro da banda norueguesa Tritonus). Disco bastante maduro para um “primeiro álbum”, com excelentes composições e uma boa dose de aproach!

Cover_Isolate-960x960Isolate, o segundo disco, e o favorito deste que vos escreve, mostra uma banda completamente amadurecida mostrando não apenas técnica apurada, mas trazendo composições complexas e cheias de nuances. Destaque para o vocalista Michael Eriksen, que além de haver encontrado um belo timbre vocal, interpreta as canções belissimamente. De um modo geral, todos na banda são exímios instrumentistas e juntos fizeram um disco que poderá se tornar clássico, um dia.

581091_355928907803778_1467067656_n“Muito aconteceu em nossas vidas pessoais nos últimos anos”, explica o baterista Truls Haugen. “Três de nós tivemos filhos, além disso, também tivemos vários solavancos na estrada com a produção. Portanto, não foi exatamente somente alegria, mas é ótimo finalmente haver feito um grande álbum, e depois de todo esse tempo, estar pronto para libertar nosso novo monstro! Para este novo disco, a banda apresenta o melhor de dois mundos – oferecendo os momentos mais melódicos e ao mesmo tempo mais pesados ​​de seu repertório, com a classe e a maturidade que é realmente de outro mundo. “A maioria do material no novo registro foi escrito por Mats Haugen e ele levou a música a uma abordagem mais simples e acessível, mas manteve os elementos progressivos e o “núcleo” disto que é o Circus Maximus”, diz Truls Haugen. “Na verdade, somos mais melódicos e pesados ​​neste novo disco do que nunca”.

Cover_HavocO quarto álbum de estúdio mostra que o tempo tem o poder de redefinir todos os nossos referenciais, sejam eles quais forem, em função de nossos objetivos, que também estão sujeitos à mudanças. Havoc mostra a banda literalmente mais acessível e menos robusta quanto as suas marcas principais: a complexidade das composições (componente que melhor emprestava à banda características do progressivo) e o vocal (que a despeito de toda a sua capacidade de alcance, se mostra mais brando). Não que seja um disco ruim, é que parece mesmo se orientar para a abertura de público.

18839370_1495574013839256_1994515030732455233_n

“Em 6 de fevereiro de 2016, o Circus Maximus comemorou o lançamento de seu quarto álbum de estúdio, Havoc, com um show esgotado no Rockefeller em Oslo, com uma impressionante produção ao vivo que envolveu pirotecnia e uma enorme plataforma de iluminação. A banda queria fazer deste show uma das performances mais memoráveis da história do Circus Maximus e depois compartilhar essa noite com o mundo. Então, foi decidido capturar a noite inteira com várias câmeras de alta definição para um lançamento em Blu-Ray e DVD, além do tradicional CD. O resultado chama-se Havoc In Oslo.”

Como o disco Ao Vivo foi inspirado na performance ocorrida no Japão pouco antes, e como não foi disponibilizado o vídeo Havoc In Oslo no YouTube, deixo-os com o belo vídeo de Live In Japan:


Referências:

Blues, Música

domingo blues# Cláudio Oliveira

10445590_629114100544749_264766615811420590_nAos 19 anos formou sua primeira banda chamada “Sabotage”, na qual cantava e tocava guitarra. A banda durou muito pouco (apenas alguns ensaios). Nesta época participou de outros projetos que incluíam, por exemplo, sua primeira banda de Blues: “Encruzilhada Blues Band”. Entre a idade de 19 e 21 anos tocou na banda de Heavy Metal: “Ultimate Sin”, onde era baixista e vocalista. Aos 21, largou o Rock e o blues para tocar na “Noite de Fortaleza”. Nesse momento o repertório variava entre sucessos da MPB e músicas Internacionais. Recentemente cantou na banda de Metal “Incógnita”. Enfrentando dificuldades em conciliar o profissionalismo que alcançara com a MPB e o cenário underground do Heavy Metal, optou em sair da banda.

Foi só com a saída de Simon da guitarra, que aceitou o convite de seu amigo Flávio Rodrigues (Sabotage) para integrar sua banda: “Sombra Sonora”. Deste modo, a paixão pelo Rock e pelo Blues ressurgiu com força total. Foi durante o período em que a banda Sombra Sonora buscava sua identidade e independência que surgiu o convite para integrar a banda de Blues “Puro Malte” (nome atual da banda) com a função de segurar os vocais. Sugestão do próprio Flávio. Ao chegar na Puro Malte reencontrou seu amigo Simon que havia deixado a Sombra Sonora. Atualmente, com a saída de Simon da Puro Malte, encontra-se cantando e tocando guitarra, como fizera no início de sua carreira.

Principais influências

Robert Plant, Ian Gilan, Jimmy Page, Marc Knopfler, Freddie King, Albert King, Jimi Hendrix, entre outros.


Fontes:

Música, Rock/Metal

Facada: brutalidade ou genialidade?

“O Facada toca grindcore desde 2003. Simples, rápido, pesado, cru, sem experimentalismos, sem frescura, sem viagens sonoras, sem hypes ou modas, sem alegria, sem cultuar ninguém, sem dar satisfação a ninguém, sem breakdowns, sem vocais limpos, sem falsa amizade nem falso discurso. Sinta-se à vontade para não gostar. Se não gostar faça o favor de não nos visitar ou ouvir nossos sons. Já viajaram por quase todo Brasil, incluídos aí: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. […]”

Com este singelo preâmbulo a banda formada por James (baixo e vocais), Dangelo (bateria), Danyel (guitarra) e Ari (guitarra), se apresenta para “a quem interessar possa”. Cantando em português, discreta e rapidamente ganhou notoriedade entre os fãs da música extrema. Da parte deste que vos escreve, de tanto ouvir falar na banda, surgiram perguntas que considero pertinentes: 1) porque o nome “Facada” está tão em evidência? 2) O que os diferencia, brutalidade ou genialidade?

Antes de (tentar) responder, entretanto, visitaremos a breve mais profícua discografia da banda que, tendo acabado de lançar um split album com os gregos do Stheno, está prestes a lançar o aguardado Nenhum Puto de Atitude (álbum de covers), e um novo full length ainda esse ano.

facada DemoEm 2005 a banda lança a demo que precede o seu primeiro álbum completo. Totalmente de acordo com a auto biografia, a demo contém dez faixas curtas e grossas executadas em pouco mais de 10 minutos de duração (10:14, pra ser exato). Com destaque para “Set Fire In The Bomb“, que serve de trilha sonora para uma estranha e engraçada história ocorrida numa passagem pelo interior da Bahia, segundo contou James aos Meninos da Podreira.

R-5451453-1394219341-7340.jpegCada disco tem sua própria dinâmica, por isso, quem diz que disco de grindcore ou de “seja lá  o que for” é tudo igual, comete o erro da generalização. Indigesto (2006) contém todos os componentes de um disco do gênero. Porém, contém também traços que se ressignificam com o tempo. Pelo menos se o considerarmos na perspectiva dos dissidentes, que dão voz ao coro contra os desarranjos sociais, à opressão e à alienação. A música aqui, é o contorno que dá forma ao conteúdo.

093426b1de20537510d95cf15e436ff1Ao ouvir O Joio (2010) as primeiras palavras que me vieram à mente foram “puta que pariu!”. (…) Agora num nível de produção mais profissional a banda se mostra mais claramente em sua proposta musical. E não é somente esporro gratuito. A [banda] Facada tem personalidade! Pelo menos é o que os anos de estrada parecem nos dizer através de mais este trabalho. O disco marca a entrada de Danyel (guitarra) no grupo e o cara já mostra a que veio. A banda parece ter assimilado influências, as mais diversas, pois tudo num liquidificador e o resultado é esta agressão sonora.

a1239883345_10Nadir (2013) veio para consolidar o trabalho realizado ao longo de dez anos. Mais apropriados de seus instrumentos e com uma postura mais amadurecida, a Facada produz um disco simples e poderoso. Nadir ou Nazir é um conceito utilizado pela banda para significar o ponto mais baixo do ser humano. Um tema pertinente numa época em que nos vemos obrigados a defender o óbvio. O disco conta com as participações de Marcelo Appezzato (Hutt), Jão (Ratos de Porão) e John “The Maniac” Leatherface (Chronic Infect).

a1912350334_10

Em parceria com a banda grega Stheno, lançou este ano (2017) mais um petardo, o brutal “Primitive“. Ao todo são 11 faixas, sendo que, ao Stheno, coube 7 delas, enquanto que a Facada entra 4 vezes. Musicalmente não há muito o que discutir: pancadaria distribuída à torto e à direito. As duas bandas, oriundas de culturas bem distintas guardam similaridades, o que conferiu ao trabalho, bastante linearidade. O disco está sendo lançado por quatro selos ao mesmo tempo.

4227-image-1

O título Nenhum Puto de Atitude (2017) de cara  soa como um escárnio pois, no apanhado de faixas que ouvi no Youtube, pode-se ver que o que não falta aqui é atitude. Tocando covers de nomes como Bad Brains, Titãs, Napalm Death, Sarcófago, Misfits, Dorsal, entre outros, o disco já é um dos álbuns mais esperados por este que vos escreve. Na Europa, o álbum está saindo como edição limitada em 500 cópias. Destaque para a arte de capa feita por Vitor Willemann parafraseando o Secos e Molhados em seu disco de estréia.

Agora, com uma visão mais ou menos panorâmica sobre a banda e o que ela representa podemos retomar a argumentação e tentar responder as questões acima propostas:

  1. Não há como negar, o nome Facada hoje, é comentado nos corredores, nos becos e nas ruas da periferia do rock, – diga-se de passagem, – com ecos no exterior. Muito provavelmente pela postura dos caras, conforme o modo pelo qual eles próprios se definem enquanto banda. Principalmente, porque parece haver coerência no discurso por eles apregoado.
  2. Não sei se há, de fato, algo de genial na música da banda. Mas de brutal, sem dúvida, há! A mesma brutalidade que consagrou nomes como Napalm Death, e Nasum, entre outros. O fato é que a simplicidade da sua música e a sua despretensão como projeto musical pode significar, sim, um traço de genialidade. Talvez haja realmente algo de complexo em se fazer o simples. E isto pode simbolizar mais do que adesão a um estilo. Talvez, simbolize uma visão de mundo! O que certamente deve dar um nó na cabeça dos “trues”.

Porém, essa questão dá muito pano pra manga e o que nos interessa aqui é a música. Portanto, todas as tentativas de resposta que se formularem em torno do assunto serão bem-vindas. Deixo-os com a excelente versão de Igreja, dos Titãs. Forte abraço.


Referências:

Música, Rock/Metal

Will2Kill: uma outra via para o metal brasileiro

Will2Kill é uma banda de Recife formada em meados de 2015 com a proposta de fazer música pesada. Musicalmente o som da banda tem elementos do Thrash Metal com vocais mais orientado para o Death Metal. A sonoridade é moderna e pesada e a música é raivosa.

Como eles se definem:

“Quatro caras com backgrounds bem distintos se encontram com uma paixão em comum: a música pesada. Esta é uma definição básica do que é o Will2Kill, uma banda que mescla inovação e tradição de uma maneira muito singular. Death metal, thrash, doom, stoner, hardcore e rock, tudo da forma mais autêntica e heterogênea possível.

Na ativa desde janeiro de 2015, a formação reúne Wilfred Gadêlha (vocal), Hugo Medeiros (guitarra), Eddie Cheever (baixo) e Daniel Araújo Melo (bateria) em busca de uma sonoridade agressiva, técnica e, ao mesmo tempo, orgânica.

a4136150971_10O grupo vem divulgando seu primeiro registro oficial, o EP intitulado “Will2Kill”, lançado no dia 12 de agosto de 2016, no festival Visions of Rock, em Caruaru/PE, ao lado do Artillery (Dinamarca) e do Pandemmy (PE), na primeira edição do Visions of Rock no Recife, na casa de shows Estelita. O EP é composto pelas seguintes músicas: “Will to Kill”, “Empire of Ignorance” e “Cause for Alarm”, esta última lançada como single em 26 de março de 2016, no festival Visions of Rock, em Caruaru/PE, ao lado do Sinister (Holanda), Nervochaos (SP) e Inner Demons Rise, no que foi a estreia ao vivo do quarteto. A produção do EP ficou a cargo do guitarrista do Desalma (PE), Mathias Severien Canuto, que gravou, mixou e masterizou o trabalho. As gravações incluíram a participação de um coro de responsa nos backing vocals, reunindo integrantes e ex-membros de bandas importantes do cenário pernambucano, como Igor Capozzoli e Renato Correia (Desalma), Rogério Mendes (ex-Decomposed God e Sanctifier), Alcides Burn (Inner Demons Rise), Antônio Araújo (Korzus, One Arm Away), Rafael Cadena (Cangaço), Rodrigo Costa (Matakabra), Leo Montana (Confounded), Thiago (ex-Lethal Virus) e Jacques “Jaka” WILL2KILLBarcia (Rabujos), que também participou como convidado na música-título do single. Já a parte gráfica também é destaque: o internacionalmente conhecido designer Alcides Burn trabalhou em cima da impactante imagem feita pela premiada fotógrafa pernambucana Annaclarice Almeida para a capa do EP. As fotos da banda foram feitas por Lucas Medeiros.

O EP foi lançado inicialmente no formato digital e já está disponível no BandCamp e no SoundCloud, mas em breve também estará em todos os serviços de streaming e terá uma tiragem limitada de cópias físicas.

SOM NA ARENA

Foi a única banda de metal a entrar na fase eliminatória do concurso Som na Arena, promovido pelo governo de Pernambuco, na Arena de Pernambuco, em 2016. Após passar pela primeira eliminatória e pela semifinal, o quarteto ficou entre as seis melhores colocadas na final, levando seu som agressivo a plateias não especializadas em música pesada.

APR CLUB

Foi uma das bandas que integraram o cast do APR Club, evento que faz parte da programação do tradicional Festival Abril Pro Rock (Olinda, PE), ao lado de Mojica e Mondo Bizarro, na noite de 22 de abril, quando a casa de show Apolo 17, localizada no boêmio Bairro do Recife, ficou pequena para a massa sonora proporcionada pelo quarteto, que fechou a prévia.

DISCO COMPLETO

Para 2017, o Will2Kill trabalha na finalização do processo de composição do seu primeiro álbum, intitulado provisoriamente Another Way, com canções previamente testadas e aprovadas nos shows, além de novas músicas que estão sendo lapidadas. A banda voltará a trabalhar com Mathias Canuto na produção.”


Referências:

Música, Rock/Metal

Clamus: [de]construct, o disco novo, assinala a maioridade da banda.

demo 1Em março de 1999 foi formado no Estado do Ceará a banda de Thrash/Death Metal CLAMUS. O grupo surge com a proposta de aliar a sonoridade obscura do death metal à velocidade e rispidez do thrash metal, permeado por dois vocais em três idiomas, inglês, português e francês. Com duas demos, dois álbuns full length, vários shows pelo Brasil (incluindo uma turnê por estados do nordeste, norte e sudeste), o Clamus tem sedimentando seu nome no cenário metálico nacional com garra e identidade.

clamus demo IIIllawsion (2005), contém somente duas faixas de onde deduzo que tenha funcionado como uma prévia do full lenght, lançado em seguida. Pesadas e extremamente agressivas, as músicas mostram a banda com muita raiva. Illawsion e Irrelevant Hapiness revelam traços do cotidiano sob um ponto de vista sócio-filosófico. Na ocasião, a banda contava com Lucas Gurgel (guitarra/voz), Joaquim Cardoso (guitarra/voz), Carlos James (baixo/voz) e Clerton Holanda (bateria).

clamus influencesPrimeiro disco completo, Influences, (2005), é um disco com um certo grau de complexidade. As composições são intricadas e cheias de variações, com passagens que muito remetem às bandas americanas do início dos 90. Os riffs, que transitam pelo death e pelo thrash metal formam uma espécie de parede sonora na qual a bateria se sobrepõe de forma brilhante. Destaque para produção de alto nível e para a faixa Pão & Circo.

clamus frontiereFrontiere (2009), assinala o amadurecimento dos músicos em sua forma de compôr. A impressão que tive após realizar a primeira e única audição [até aquele momento] foi a de que a banda encontrou o seu som. Agora, com uma identidade própria, as composições primam pela originalidade com arranjos que evidenciam ainda mais a criatividade dos músicos. O fato de a banda cantar em mais de um idioma me fez lembrar de uma banda coreana, o Crash, cujo som guarda algumas similaridades. Não consigo destacar uma faixa em especial, todas têm o mesmo padrão de qualidade.

Para a tristeza de muitos, Joaquim Cardoso, depois de uma longa estrada, deixa a banda em meados de 2012. O grupo segue como um trio.

clamus EP IIIApós mudanças em sua formação a banda lança em 2014 o EP ‘III’, momento que representa a transição para o formato power trio e para uma sonoridade ainda mais coesa, rápida e técnica em que se consolidam os elementos do Death Metal em sua sonoridade. Atualmente formada por Lucas Gurgel (G/V), Felipe Ferreira ((B/V) KrenaK) e Edu Lino (D). Arrisco dizer que a sonoridade pela banda, aqui apresentada, se fixa como algo entre Deicide e Pantera.

capa_clamus_low-200x200Em 2017, ano em que a banda comemora 18 anos de existência, lança seu terceiro álbum, [de]construct. Gravado no VTM estúdio, foi produzido por Taumaturgo Moura juntamente com os caras da Banda. O título é uma metáfora para movimento, construção e desconstrução, elementos que são uma constante ao longo da trajetória do grupo. Fundindo energia do Thrash Metal à pegada orgânica do Death Metal, [de]construct apresenta em suas 8 faixas os conceitos de impermanência, subversão e de ceticismo como formas de afronta ao absurdo da existência. Destaque para a participação de Daniel Boyadjian [Obskure] nos solos e para a arte gráfica de Alcides Burn (que já trabalhou com artistas como Blood Red Throne, Malefactor e Headhunter D.C).


Referências:

Música, Rock/Metal

dica# Jornal Tribuna do Ceará abre espaço para o Rock!

O Jornal Tribuna do Ceará, através do espaço dedicado aos blogs, abre uma importante brecha para o rock/metal na cidade de Fortaleza/CE. Trata-se do blog Meus 300 Discos produzido por Sidney Alencar que,  juntamente com Cristiano Machado e este que vos escreve, toca o “famigerado” Buteco do Rock Podcast. A proposta do blog é resenhar 300 discos no ano de 2017. Mais que uma proposta, um desafio! O ano já entrou na sua segunda metade e, muito há por se ouvir e resenhar. Será que o M300D dará conta do desafio?  Acompanhe este incrível “desafio do rock” no Jornal Tribuna do Ceará, comentando, criticando e sugerindo mas, acima de tudo, valorizando!

Forte abraço!