Feito no Brasil, Música

brasil# Os Borges

A amizade da família Borges com Milton Nascimento foi fundamental para criação do movimento musical Clube da Esquina, na época a família morava no edifício Levy no centro de Belo Horizonte, no mesmo prédio morava Milton Nascimento recém chegado de Três Pontas, cidade que foi criado. As cantorias que ocorriam no prédio aproximou Milton dos Borges. Entretanto, logo depois a família se mudaria para o bairro de Santa Tereza, na nova residência a amizade continuaria, e com ela, surgiriam as primeiras composições. Pelo habito de tocar na rua, o grupo receberia definitivamente o nome de Clube da Esquina.

O pai, Salomão, era jornalista e chegou compor algumas canções com os filhos, entre os irmão Marilton o mais velho, apesar de não ter seguido a carreira de artista, era um nome conhecido no meio musical de Belo Horizonte, antes mesmo de Milton gravar a musica Clube da Esquina, Marilton já a tocava em bares de BH onde costumava se apresentar.

Salomão Filho, conhecido como Lô Borges, a estrela da família, iniciou a carreira no disco Clube da Esquina lançando em parceria com Milton Nascimento, com apenas 18 anos. Suas canções como “Girassol da cor do seu cabelo”, “Tudo que você pode ser”, “Paisagem na Janela“, foram fundamentais para o sucesso do disco e a afirmação daquela nova maneira de fazer musica.

Como compositor, teve suas canções gravadas por grandes intérpretes da MPB como Milton Nascimento, Simone, Nana Caymmi, Gal Costa, Elba Ramalho, Elis Regina, Ney Matogrosso, Boca Livre, e Tom Jobim, entre outros.

Marcio Borges é outro nome da família de grande importância para o movimento,. letrista inspirado e autor de varias canções com o irmão Lô e Milton. Foi por incentivo do amigo Márcio que Milton começou a compor, portanto Marcio Borges foi o primeiro parceiro de Milton Nascimento, em canções como “Gira, Girou”, “Tarde” e “Vera Cruz”. Já nos anos 2000 a musica “Quem sabe isso que dizer amor” da dupla Lô e Marcio Borges fez grande sucesso, gravada por Milton Nascimento e depois, também, por outros artistas. Marcio também escreveu um livro contando a historia do movimento.

Solange Borges é uma das poucas irmãs da família Borges que atuou de maneira direta na área musical, fez duas participações importantes no disco “Equatorial“, do irmão Lô, cantando Clube da Esquina n° 2 e Vento de Maio. Lançou seu disco “Bom dia Universo” em 1984, todavia, não deu continuidade ao seu trabalho.

O irmão caçula Telo Borges que época do Clube ainda era criança, revelou-se também um compositor afinado com canções como “O Poder Magico”, “Vento de Maio” e “Voa Bicho”, que virou tema de novela.

Em 1980 a família lançou um LP com composições de quase todos os irmãos, com participações especiais do eterno amigo Milton, Elis Regina e Gonzaguinha. O disco não chegou ser um sucesso, mas é um belo registro de uma família que representou uma geração brilhante.


Por Neilvado Araújo

Feito no Brasil, Música

brasil# Os Menestréis

Por Neivaldo Araújo

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montenegroAo assistir um musical de Oswaldo Montenegro, onde os atores tocavam ao vivo no palco, o critico teatral Yan Michalski em sua crítica definiu o grupo como os novos menestréis. Oswaldo gostou tanto da definição que resolveu adotar o termo, passando inclusive, a utilizá-lo bastante em várias de suas letras. Oswaldo Montenegro, é carioca, porem iniciou sua carreira em Brasília na década de 1970, deslanchou sua carreira depois de vencer o Festival MPB Shell transmitido para os brasileiros por uma grande rede de TV em 1980. Depois lançou diversos sucessos como Bandolins (seu maior hit), Lua e Flor, Intuição e tantos outros.

10Mas quem são os outros menestréis do grupo de Oswaldo? Destacam-se José Alexandre, que conheceu Oswaldo através de amigo comum na cena musical de Brasília. Havendo visto potencial em , o convidou para fazer um dueto no festival da extinta Rede Tupi em 1979, cantando Bandolins. A musica não venceu, mas tornou-se um grande sucesso, com direito a clipe no Fantástico. Acabou abrindo as portas para que José Alexandre gravasse seu primeiro LP em 1981. No repertorio diversas canções do compadre Oswaldo. […] José abandonou definidamente a faculdade de engenheiro, para seguir na música cantando com menestréis. Em 1999 lançou o CD “Zé Alexandre Ao vivo” e em 2006, “Olhar Diferente“. Participa de diversos festivais por todo o país, onde já tem nome certo e prestigiado, continua lotando os bares e shows onde é sempre convidado.

D_Q_NP_673711-MLB20605025721_022016-QOutro menestrel, é Mongol, que, Assim como José Alexandre e Oswaldo, era ligado ao teatro e à música de Brasília. Depois de algumas peças juntos nascia uma grande amizade. É de sua autoria a musica Agonia que daria o grande salto na carreira de Oswaldo. Fizeram várias músicas juntos, inclusive um dos mais recentes sucessos de Oswaldo, Estrada Nova. Em 1997 Mongol torna-se líder, cantor e compositor da banda Akundum (Reggae). Com o referido grupo já gravou CDs e fez apresentações em programas de televisão, convidado pela internacional Inner Circle, Mongol passou uma temporada em Miami, onde teve a oportunidade de fazer uma turnê como banda de abertura.

07Porem, ninguém melhor personifica o clima de longanimidade e amizade entre os menestréis, como Madalena Salles. Instrumentista que acompanha Oswaldo praticamente desde o início de sua carreira, tocava flauta na orquestra de Brasília, quando conheceu Oswaldo. Este a convidou para acompanhar sua banda num show no Rio de Janeiro, mas, acabou mesmo a levando para seguir carreira teatro-musical. Seguiram-se diversos espetáculos musicais como “A Dança dos Signos“, “Léo e Bia” “A Aldeia dos Ventos“, “Os Menestréis“. Para a amiga Oswaldo escreveu diversas canções como “Brilho” e “O Azul e o Tempo”. Madalena ficou conhecida como a menina da flauta.


Música, Rock/Metal

resenha# Dorsal Atlântica – Uma história em quadrinhos

Conforme dito pelo autor, a história em quadrinhos da Dorsal, não pretende ser uma extensão do livro Guerrilha, publicado anteriormente. De fato não é! A história aqui contada é relatada de uma perspectiva inusitada na qual a única ordem predominante parece ser a cronológica. Mesmo assim, sem apresentar uma rigidez impositiva, do tipo que retira a mágica da de arte. Retrata não apenas a história real de uma banda, mas antes, a história de uma banda real.

Narrada em terceira pessoa, embora possa o leitor absorver muitas passagens do ponto de vista pessoal do autor, a obra revela um quadro cuja paisagem remete a cenários áridos elaborados com riquezas de nuances que espelham tons ora intensos, ora desbotados. Desmistificando os bastidores do cotidiano de quem escolhe caminhar pelas veredas da arte e do underground.

SAMSUNG CAMERA PICTURESBrasil, 1964. Golpe militar e instalação do regime que tiraria direitos e liberdades básicas dos cidadãos. Se para nós, as coisas parecem difíceis nos dias de hoje, imagina nos anos seguintes a tomada de poder pelos militares. Um cenário tóxico no qual o controle exacerbado sobre a vida das pessoas comuns era normal. No rádio, música estrangeira para abafar o grito dos que ousavam questionar.

001Os primeiros anos da década de 70, assinalam descobertas importantes. Não apenas a música importada da América, mas os movimentos genuinamente brasileiros despertaram a curiosidade dos irmãos Lopes para o que viriam a ser no futuro. O rock delimitaria alí, os primeiros contornos na vida dos irmãos.

 

SAMSUNG CAMERA PICTURESJá a segunda metade da década, apresentou os garotos ao Punk em sua forma mais essencial. Grupos como Sex Pistols, Ramones, The Clash, Television, The Jam faziam a alegria dos manos “numa época em que quase nenhuma banda gringa tocava no Brasil”. Momento da descoberta do “faça você mesmo” e a vontade de participar da cena contribuindo com algo relevante. Tocar um instrumento… ter o próprio fanzine, por exemplo.

SAMSUNG CAMERA PICTURESA década seguinte, os “românticos” anos 80, marca o início da abertura político-econômica. Mas o país, mergulhado na recessão, respira por aparelhos. Os militares, todavia, não largariam o osso de forma civilizada, e partem para o terror contra todos os que representassem algum tipo de ameaça. Nesse sentido, montar uma banda para denunciar a fome, a repressão e a alienação era a mais legítima forma de rebeldia.

 

002Assim, a batalha do metal nacional contra os abusos da autoridade instituída começa a ser travada muito cedo e a música dos Irmãos Lopes vai adquirindo contornos de contestação, enveredando pelo caminho mais brutal. É nesse contexto que, em 1983, nascia a Banda Dorsal Atlântica.

003Um fato mudaria para sempre as cenas Metal e Punk no brasil: a banda Desordeiros promoveu juntamente com a Dorsal Atlântica, o primeiro show no continente envolvendo punks e bangers. Um marco para a união das cenas, que por suas “ideologias” próprias, eram segregadas.

0013De Antes do Fim (1986) à Straight (1997) a banda sempre se posicionou de forma contundente quanto às mazelas sociais, à alienação e contra os abusos do poder. Contudo, a Dorsal produziu aquilo que se pode chamar de “A trinca de ouro” do metal nacional: os discos Searching For The Light (1989), Musical Guide From Stellium (1992) e Alea Jacta Est (1994) contam uma história de três partes. História esta, pouco sabida em teoria. Antes, porém, vivida por cada um de nós brasileiros no ceio da família, na escola, no trabalho, nas ruas e nos bares, no teatro e nas artes de uma forma geral. A história de uma país e de um povo que desconhece sua força e que dobra os joelhos diante da autoridade. Sendo contra isto, precisamente, que a banda – personificada na figura do seu Lider – , luta.

Doze anos “depois do fim”, a luta continua com os discos 2012 ((2012) viabilizado por uma bem sucedida campanha de crowdfunding))  e Imperium (2014), colossais em forma e conteúdo.

0014A história em quadrinhos da Dorsal Atlântica, termina. Mas a história real da banda continua sendo escrita com suor e sangue. O mais novo projeto que, inclusive, está em pleno processo de realização, é o disco Canudos, que conta mais um recorte da conturbada história do país chamado Brasil. Fica assim, a promessa de algo novo, que está por vir. Abra os seus olhos!


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Reflexão

reflexão# O direito à propriedade, o direito à terra e o direito humano.

Num momento em que muito se discute a questão da terra em virtude dos conflitos envolvendo, de um lado, indígenas e trabalhadores rurais, e de outro, fazendeiros, ver-se como oportuno abordar esse assunto de uma maneira mais séria com vistas a ampliar as perspectivas tanto de quem defende a distribuição, quanto de quem defende a feudalização das terras.

“A história do Brasil está povoada de conflitos e revoltas populares relacionados com a distribuição de terra. A Guerra de Canudos (1896-1897) no Nordeste, a Guerra do Contestado (1912-1916) no Sul, a Guerra do Formoso (1950-1960), no Centro-Oeste são alguns dos mais importantes episódios dessa história. De especial relevância nessa narrativa é a organização das Ligas Camponesas, movimento surgido em meados da década de 1950, da luta de arrendatários pelo acesso à terra no interior de Pernambuco (Martins, 1981). O crescimento das Ligas (só no Nordeste, elas tinham em torno de 70 mil associados) e a politização de seu discurso – que passou a incluir temas como a reforma agrária, o desenvolvimento e a questão regional -, foram considerados por muitos analistas como um dos detonadores do movimento que levou ao golpe militar no Brasil em 1964. Antes desse golpe, não apenas as Ligas, mas também o Partido Comunista (PC) e a Igreja Católica conservadora atuavam como agentes de mobilização social no campo, promovendo a sindicalização. O PC buscando aliados para a revolução proletária, a Igreja, [buscando] diminuir a influência do PC sobre os pobres. Ainda em 1963, respondendo à pressão que vinha do campo, o governo federal vai permitir a formação de sindicatos rurais e da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).

Não por acaso, portanto, depois do golpe, a questão agrária vai ser um dos primeiros objetos da intervenção do novo governo. Com a ascensão do regime militar, o movimento das Ligas é desarticulado e seus principais líderes são presos, exilados ou assassinados. A Contag vai ficar sob intervenção até 1968. O marco legal da política fundiária do novo regime, o Estatuto da Terra (Lei n. 4.504) promulgado ainda em 1964, reconhecia o direito de propriedade daqueles que demonstrassem a posse da terra, os direitos daqueles que a arrendavam e também daqueles que trabalhavam em terra alheia. Além disso, sancionava a ideia de “função social da propriedade”, que serviria de critério para desapropriações de terras visando a reforma agrária no país. O texto era, sob vários aspectos, bastante avançado; na prática, não funcionou muito bem. Poucas desapropriações foram realizadas pelo governo. A força política dos fazendeiros, somada à importância da agricultura na estratégia de desenvolvimento do Brasil, conduziu a ação do governo para a modernização da produção rural. Esta, além da diminuição do uso de mão de obra em praticamente todas as regiões do país – gerando um contingente significativo de trabalhadores rurais sem-terra, ou, ainda que com terra, sem recursos para garantir condições mínimas de subsistência -, produziu uma concentração de terras ainda maior.” (…)

Entende-se que o direito à terra não é uma mera questão sobre o direito à propriedade. É, na verdade, uma questão sobre direito humano! É justo e digno. Sendo, portando, inalienável. Nesse sentido, existe uma exigência global pela busca de um equilíbrio ainda hoje, utópico. A linha que separa ricos e pobres nessa relação em torno da qual o governo se omite, dá sinais de rompimento. Justamente aí, demonstrando sua fragilidade.

Referências:

Reflexão

brasil# 25 artistas chamam atenção para a causa indígena!

A dica de hoje não é sobre um artista revelação. É maior do que falar sobre o sucesso de um indivíduo. É  uma manifestação de 25 artistas consagrados em defesa dos povos indígenas do Brasil, pelo direito à terra e pelo direito à vida!

Referências:

Música, Rock/Metal

rock/metal# Schizophrenia: um clássico marcado por uma má produção.

SepulturaGravado no J.G. Estúdios em Belo Horizonte, Brasil, é muito curioso que o crédito do produtor não vá para um indivíduo, como Scott Burns [por exemplo], mas para uma gravadora, [no caso] a Cogumelo Records. Baseando-se na segunda música do álbum, é bem evidente que as pessoas que conduziram as sessões de gravação (o engenheiro Tarso Senra tinha um bom material em suas mãos) eram bastante inexperientes e/ou tinham muito pouco tempo – devido à escassez de recursos – Para capturar corretamente o então jovem Sepultura na sua forma mais brutal (que dois anos mais tarde conceberia Beneath the Remains). É importante lembrar que este disco foi gravado em 1987 no Brasil, que, na época, era tão estranho [para os americanos] como o deserto do Atacama, e que bandas como o Sepultura não tinham os recursos dos seus contemporâneos do “primeiro mundo”. Também é super importante lembrar que o guitarrista Andreas Kisser trouxe uma perspectiva totalmente nova para a banda. Sua mente [que funcionava mais ao modo do] heavy metal tradicional casou perfeitamente com a abordagem mais primitiva de Max Cavalera, (Hellhammer x Discharge). O que, naturalmente, levou o Sepultura a escrever um álbum demasiado agressivo – ainda que [no disco] existam três  músicas instrumentais – que resiste ao teste do tempo. Mas a produção poderia ter sido melhor. A remasterização do álbum, ocorrida em 1990, deu, literalmente, uma mãozinha à produção original!

Extraído de: Top 5 Death Metal Albums Marred by Terrible Production

Música, Rock/Metal

rock/metal# Aridez – Metal Muito Além do Fim do Mundo (um recorte do cenário piauiense).

No princípio era o verbo e a palavra verbalizada era METAL. Sim, o metal ecoou pelos quatro cantos do país bem antes do que se imagina. E nos lugares mais improváveis. Este é mais um recorte da história do Metal no Brasil, mais precisamente no estado do Piuaí. Lá, o metal pesado ocorreu nos moldes já vistos em diversas capitais e, assim como em Fortaleza, na base do “faça você mesmo”. O Doc que virá é mais um capítulo de uma história contada sob as mais diversas perspectivas Brasil à fora. O momento parece ser oportuno à produção de literatura e documentários que mostram um pouco do estilo de vida roqueiro no país e, de como se constituiu ao longo dos anos apesar de condições totalmente adversas.