Música

#10 Moonspell

Nesse episódio falamos sobre a banda portuguesa Moonspel, que faria uma grande turné brasileira neste mês de Junho – que infelizmente foi cancelada pela própria banda. A tour não aconteceu mas, mesmo assim, nosso podcast está no ar com muitas informações sobre esta que é uma das maiores bandas do velho continente. (…) Como de costume, abrimos uma cerveja diferenciada para nos para nos suavizar um pouco essa atmosfera árida do mundo do metal. (…) Te convidamos a fazer parte desse programa nos acompanhando na cerveja e nessa genuína conversa de bar na qual o rock e a bebedeira são levados muito a sério! (…) Lembre-se de comentar e nos ajudar a melhorar sempre!
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Buteco do Rock Podcast

Podcast onde falamos sobre cerveja e rock, num papo descontraído, cheio de humor e informação!

Neste episódio falamos sobre o Moonspell, maior expoente do metal português. Discutimos o novo disco e as mudanças no som da banda.

No Colarinho do Buteco tomamos a cerveja Beijos de Corpo (eu sei, o nome é estranho) e encerrando nosso episódio no bloco A SAIDEIRA É POR CONTA DA CASA tivemos a pesadíssima ANKERKERIA, banda de Fortaleza que não deixa nada a dever a nenhuma gringa do estilo!

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Moonspell

Em nome do Medo: A Brazilian Tribute to Moonspell

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TOCAMOS NESSE EPISÓDIO:

Adrenaline Mob: Undaunted

Moonspell: Opium

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Acadêmico, Comportamento

A palavra [8]: A REVIRAVOLTA METODOLÓGICO-PRAGMÁTICA

Neste capítulo, trataremos de explicar a obra em estudo através de dados históricos e de categorias fundamentais do pensamento wittgensteiniano. Pô-lo-emos em relação com as perspectivas de Platão e de Aristóteles, por julgar ser esta a forma mais apropriada de confirmar sua nova vertente do ponto de vista segundo o qual seus predecessores abordaram respectivamente a linguagem e a lógica. Esclarecemos que optamos por trabalhar com os autores supramencionados por acreditarmos que atendem melhor as finalidades desta pesquisa, sendo que, neste momento da argumentação, daremos ênfase ao estudo das formas de vida e dos jogos de linguagem, considerando-os como categorias sem as quais seria impossível cumprir mais esta etapa de nosso trabalho. No transcorrer deste estudo, identificaremos elementos comuns tanto à filosofia de Platão como à de Aristóteles, encontrando em neste último maior amparo para o desenvolvimento de todo o conjunto da obra de Wittgenstein. Veremos que, das categorias originalmente ideadas, umas foram imprescindíveis para que Wittgenstein chegasse à sua teoria do Tractatus, outras, para que viesse a superá-la em suas Investigações Filosóficas.


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Acadêmico, Comportamento

A palavra [7]: O segundo Wittgenstein – A linguagem como condição de possibilidade do conhecimento humano

Entramos na segunda fase de Wittgenstein. O itinerário por nós percorrido até aqui é de fundamental importância para que possamos compreendê-la, pois é contrapondo-se suas duas fases que se torna possível chegar a um entendimento acerca das suas Investigações. Nesta fase, Wittgenstein assume uma perspectiva de frontal oposição em relação à tradição, que tem sua última expressão justamente com o Tractatus Logico-Philosophicus, sua obra anterior. O cerne de seu pensamento permanece o mesmo; o que muda, entretanto, é a perspectiva.

“[…] Wittgenstein desenvolve seu pensamento na segunda fase como uma crítica radical à tradição filosófica ocidental da linguagem, cuja expressão última havia sido precisamente o Tractatus. Em suma, sua obra da segunda fase encontra-se em fundamental oposição com a da primeira, mesmo que o problema central permaneça o mesmo.”[1]

Wittgenstein passa por mudanças profundas que o levam às Investigações Filosóficas, esta que é sua obra de maturidade. Não acredita mais ser possível a existência de uma linguagem através da qual se pudesse exprimir a realidade de uma forma lógica e absoluta. Descobriu que a linguagem, em sua prática cotidiana, manifesta-se cheia de imprecisões; então, viu-se constrangido a repensar seu próprio pensamento, o que teve como consequência a refutação de si próprio de maneira radical.

Nessa fase, Wittgenstein pretende acabar com a concepção individualista da consciência e, consequentemente, com o dualismo epstemológico-antropológico da tradição ocidental. O homem, pensado como consciência individual, é pelo filósofo em pauta posto num plano secundário, pois este compreende que, no processo linguístico, a intersubjetividade é condição de possibilidade de realização da própria linguagem; a busca por um elemento que forneça significação às palavras encontra repouso no fato de o filósofo haver vislumbrado que é o uso da palavra, no contexto em que é empregada, que determina sua significação. A internalização desse sentido de uso da palavra é, para Wittgenstein, a ponte entre as diversas subjetividades.

‘Ele vai situar o homem e seu conhecimento no processo de interação social, o que vai levar, posteriormente, não só à consideração da relação entre conhecimento e ação, linguagem e praxis humana, como também à consideração explícita do papel da comunidade humana na constituição do conhecimento e da linguagem humana […]”[2]

Wittgenstein critica veementemente o essencialismo da tradição filosófica que ajudou a forjar. Para ele, não é mais admissível que dada forma de linguagem seja absolutizada como paradigma sobre todas as outras. Essa seria a causa de uma ilusão metafísica que induz ao erro de se crer num significado próprio e específico para cada palavra. Como vimos acima, o significado das palavras se dá por seu uso, de modo que pode variar conforme as circunstâncias. “Para o segundo Wittgenstein, tal ideal não passa de um mito filosófico. Um ideal de exatidão completamente desligado das situações concretas do uso da linguagem carece de qualquer sentido.”[3]

O filósofo propõe, assim, uma espécie de abandono de todo o aparato lógico-formal ideado pelo próprio homem, o que equivale a conceber a linguagem humana de forma distinta da até então realizada. A linguagem, enquanto exigência a ser satisfeita para a construção do conhecimento humano, deve ser tratada sob uma perspectiva mais ampla e isso significa considerar sua forma e seus aspectos de um modo geral, não apenas como faziam os gregos com suas inclinações teleológicas, que reduziam a totalidade das coisas àquilo a que elas supostamente tendiam, ou seja, para sua finalidade. Conforme Oliveira: “A teoria objetivista da linguagem tem, pois, caráter reducionista, uma vez que reduz todas as funções da linguagem a uma única.”[4]


[1]jOLIVEIRA, Manfredo Araújo de. Reviravolta lingüístico-pragmática na filosofia contemporânea. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2004. p. 117.

[2]jOLIVEIRA, Manfredo Araújo de. Reviravolta lingüístico-pragmática na filosofia contemporânea. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2004. p. 132.

[3] Ibid., p. 131.

[4] Ibid., p. 127.

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Blues, Música

domingoblues# Stevie Ray Vaughan

Por Neivaldo Araújo

Nascido em 03/10/54 (Dallas), Stephen “Stevie” Ray Vaughan, se mudou para Austin com 17 anos, quando iniciou sua carreira musical.

Importante figura do blues, um estilo musical caracterizado pelo swing e pela fusão do blues com o rock, o qual alguém chamou de “Texas Blues“. Tornou-se um dos principais músicos do blues, com diversos álbuns lançados e uma carreira brilhante.

img_0.jpgNo início de sua carreira fazia apresentações na banda de seu irmão Jimmie Vaughan, a princípio tocando o contra-baixo, apenas para ter a oportunidade de tocar em uma banda, que era seu desejo na época. Com a experiência adquirida, assumiu a guitarra definitivamente e após tocar em uma série de bandas, formou o conjunto de blues, Country e rock chamado Double Trouble com o baterista Chris Layton e o baixista Jackie Newhouse no final dos anos 70.

Tommy Shannon substituiu Newhouse em 1981, no início conhecido apenas localmente, Vaughan atraiu a atenção de David Bowie e Jackson Browne, gravando em álbuns de ambos. O primeiro contato de Bowie com Vaughan havia sido no Montreux Jazz Festival. Bowie lançou Vaughan em seu álbum “Let’s Dance” na canção com o mesmo nome e também na canção “China Girl“.

O álbum de estréia do Stevie Ray Vaughan e Double Trouble foi lançado em 1983. O aclamado pela crítica, Texas Flood lançou o sucesso “Pride and Joy” e vendeu bem tanto nos círculos de blues como de rock. Os álbuns seguintes, “Couldn’t Stand the Weather” (1984) e “Soul to Soul” (1985), vivenciaram quase o mesmo sucesso dos discos anteriores.

O vício em drogas e o alcoolismo levaram Vaughan a ter um colapso durante sua turnê em 1986. Passou por um processo de reabilitação na Georgia um ano mais tarde. Após seu retorno, Vaughan gravou “In Step” (1989), outro disco aclamado pela crítica que ganhou um Grammy pela melhor gravação de Blues Rock, foi indicado a doze Grammys, vencendo seis; em 2000,

Vaughan morrreu tragicamente na manhã do dia 27 de agosto de 1990, ele morreu em um acidente de helicóptero, que seguia para uma apresentação no Alpine Valley Music Theater, onde na tarde anterior se apresentara junto com Robert Cray, Buddy Guy, Eric Clapton e seu irmão mais velho Jimmie Vaughan.

Quatro helicópteros estavam a disposição dos músicos, e Stevie encontrou um lugar vazio em um helicóptero com alguns membros da equipe de Clapton, e decidiu embarcar. Em consequência do céu extremamente nublado e da forte névoa, o helicóptero de Stevie virou para o lado errado e foi de encontro com uma pista artificial de ski. Não houve sobreviventes, Stevie Ray Vaughan foi enterrado no Laurel Land Memorial Park,em Dallas, no Texas.

Acadêmico, Comportamento

A Palavra [6]: O primeiro Wittgenstein – A função designativa da linguagem como paradigma de uma linguagem ideal

Wittgenstein é um dos principais herdeiros do pensamento aristotélico. Tendo, em suas obras, abordado exclusivamente a linguagem, teve a oportunidade de ampliar conceitos fundamentais de Aristóteles que tratam da lógica e que se aplicam à linguagem. Propôs-se, assim, a uma nova sistematização do ato de predicar o real. Admitiu os erros da tradição e partiu em busca de superá-los.

Em sua primeira fase, pensa, a partir da relação entre linguagem e pensamento, uma estrutura para o mundo e, com ela, uma forma de expressá-lo. Idealiza um conceito no qual a significação está condicionada à associação a outros conceitos, ou seja, a significação só existe dentro de um contexto.

“[…] para o Wittgenstein do Tractatus, o sentido de uma frase é o fruto da associação das significações de seus elementos. O que há de novo aqui é que o elemento só tem significação enquanto elemento, isto é, enquanto membro de uma frase e não mais independente dela como era antes.”[1]

Supera, na tradição, a noção de que o mundo seja a totalidade das coisas, instituindo como categoria fundamental de seu pensamento a do fato, o que faz com que, desse modo, o mundo seja a totalidade dos fatos. Esclarece-se que, aqui, fato deve ser entendido como o subsistir de um estado de coisas, sendo este, por sua vez, a forma como se configuram os fatos dentro de um processo. O filósofo diferencia fato e estado de coisas como sendo um referente a algo que ocorre, já o outro, referente a algo que pode ocorrer.

“A categoria fundamental, pois, para a expressão do mundo é a categoria do fato (Tatsache). Ora, Wittgenstein distingue essa categoria da categoria de ‘estados de coisas’ (Sachverhalt). A diferença fundamental entre ambos é, como interpreta muito bem Stenius, que o ‘estado de coisas’ se refere unicamente ao conteúdo descritivo das frases, enquanto fato se refere a sua realidade; usando as expressões de Stegmuller, o fato diz respeito a algo que realmente ocorre, enquanto o estado de coisas representa, apenas algo que possivelmente pode ocorrer.”[2]

Wittgenstein fala de um isolamento ontológico dos elementos fundamentais que trata das distinções entre estados de coisas atômicos e estados de coisas complexos, sendo estes também chamados de situações. Isso dentro da noção de que as informações chegam a nós por meio dos estados de coisas e a estrutura das situações é de natureza lógica. Idealiza um conceito chamado espaço lógico, para abordar da estrutura da totalidade dos estados de coisas; esse recurso serve para elucidar a diferença entre o mundo real e o mundo possível. O autor diz que fazemos figurações do mundo e isso é fundamental para nosso estudo, pois daí decorrem dois fatos: primeiro, a transformação do mundo em pensamento e, segundo, a expressão linguística do mundo, ou seja, a conversão deste em frases. Sobre isso, diz Oliveira:

“As informações do mundo nos vêm sempre por meio dos estados de coisas, e a estrutura das situações é de natureza lógica. Com a ajuda do espaço lógico, Wittgenstein fala da estrutura da totalidade dos estados de coisas embora os estados de coisas, quanto ao conteúdo sejam sempre isolados. E é por isso que esse conceito, como diz Stegmuller, serve para elucidar a diferença entre o mundo real e o mundo possível.”[3]

“[…] Nosso mundo real é apenas um ponto no espaço lógico onde são pensáveis outros pontos ou outros mundos possíveis. Neste espaço estão os fatos que constituem o mundo real, mas poderiam estar outros, pois é possível pensar outras configurações de objetos.”[4]

Nesse raciocínio, Wittgenstein propõe o isomorfismo para demonstrar, a partir das correspondências, o fato de que, quando alguém vê algo ocorrer e, ao vê-lo, tenta comunicá-lo a outrem, procura fazê-lo de uma maneira que represente o ocorrido como tal. Assim, declara a existência de dois mundos: o dos fatos e o dos pensamentos. Afirma que deve haver identidade entre o primeiro (o que ocorreu) e o segundo (a figuração do ocorrido). A teoria do isomorfismo põe em primeiro plano a questão da verdade, que Wittgenstein pretende resolver com o conceito de forma lógica, que, num discurso, nada mais é do que a coerência entre o fato e o que ele figura. A forma lógica é, portanto, o elemento regulador de relações entre o mundo dos fatos e o dos pensamentos. Desse modo, a verdade seria, então, o produto dessa relação (desde que esta se realize dentro dos critérios acima mencionados). A figuração de que fala Wittgenstein

“Trata de explicar a correspondência entre mundo e pensamento (linguagem). Ora, para Wittgenstein tal correspondência só é possível quando ambos os pólos têm algo em comum, ou seja, a forma de afiguração. Essa identidade, que permite a correspondência, é a ‘forma lógica’, que Wittgenstein determina como a forma da realidade.”[5]

O critério que Wittgenstein utiliza para fundamentar a teoria da figuração é a estrutura do mundo, que põe em relação com a forma da figuração. A figuração pode assumir qualquer forma de realidade, desde que haja correspondência entre elas. Essa correspondência implica uma identidade lógica entre o fato e o que ele afigura. Sendo o pensamento o meio lógico para a realização dessa transição, pode-se dizer que ele é a proposição significativa dos fatos, enquanto a linguagem é o meio pelo qual predicamos algo a respeito do mundo. De fato, “‘o pensamento é a proposição significativa’ e a linguagem se refere diretamente ao mundo objetivo. Trata-se, portanto, de dois fatos fundamentais: o mundo como fato e a frase como fato, o qual expressa o pensamento do mundo”[6].

O sistema do primeiro Wittgenstein está dividido em três conjuntos, os quais contêm a forma da linguagem. O conjunto das frases elementares é o dos signos proposicionais, no qual está contida a expressão do pensamento. A frase elementar é a unidade de significação em que está a representação do fato, sendo considerada, ela própria, também um fato. O conjunto das frases complexas é aquele no qual está incluída a estrutura lógica da linguagem, em que, precisamente, processa-se o fenômeno da figuração. A forma lógica, que é o elo entre a figuração e o figurado, tem a propriedade de figurar a realidade, entretanto não pode afigurar aquilo que há de estruturante entre ela e o fato, isto é, a realidade. O conjunto das frases decisivas é o que abrange a unidade de sentido do sistema linguístico de Wittgenstein. Esse conjunto se refere aos anteriores na medida em que verifica o sentido das frases neles produzidas.

“Ter sentido para uma sentença significa para Wittgenstein ser verdadeira ou falsa. Toda sentença possui dois pólos que constituem seu sentido, isto é, o pólo da verdade e o pólo da falsidade. O valor de verdade não é atribuído, posteriormente, ao sentido, mas o sentido mostra-se precisamente no poder ser verdadeiro ou falso.”[7]


[1] Ibid., p. 97.

[2] OLIVEIRA, Manfredo Araújo de. Reviravolta lingüístico-pragmática na filosofia contemporânea. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2004. p. 98.

[3] Ibid., p. 99-100.

[4] Ibid., p. 101.

[5]jOLIVEIRA, Manfredo Araújo de. Reviravolta lingüístico-pragmática na filosofia contemporânea. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2004. p. 102.

[6] Ibid., p. 107.

[7]jOLIVEIRA, Manfredo Araújo de. Reviravolta lingüístico-pragmática na filosofia contemporânea. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2004. p. 111.

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Acadêmico, Comportamento

A Palavra [5]: Wittgenstein – O homem, a obra e o tempo.

Na obra Investigações Filosóficas, que corresponde à segunda fase de seu pensamento, Wittgenstein abre infinitas possibilidades para a linguagem. Num ato improvável, dá uma completa reviravolta linguística ao refutar a grande obra de sua vida, o Tractatus Logico-Philosophicus, e, com isso, toda a tradição filosófica ocidental. Não significa que, agindo assim, tenha chegado a negá-la, mas que chegou a restringir o campo de abrangência de categorias fundamentais ali ideadas. Neste estudo, pretendemos esmiuçar as suas Investigações Filosóficas na tentativa de adentrar seu pensamento para, assim, obter esclarecimentos indispensáveis ao conhecimento da linguagem humana; “o que ela é?”, “como funciona?” e “como se aplica?”. Nesse sentido: “Wittgenstein não vai negar o caráter designativo da linguagem, mas vai rebelar-se fortemente contra o exagero da tradição – posição assumida também no Tractatus – de ver na designação a principal e até mesmo a única função da linguagem”[1].

Investigações Filosóficas é uma obra construída em meio a conturbações existencialistas, políticas, econômicas e sociais. O período compreendido entre os anos de 1939 e 1945, somando-se ao que se segue após a guerra, foi de rivalidade em meio às nações, crise, terror, ceticismo e desespero entre as pessoas. O fato de haver presenciado duas grandes guerras e participado ativamente delas influenciou, sem dúvida, a visão de mundo de Wittgenstein. Isso se reflete de forma muito clara nessa obra e se pode avaliar pela verificação do abandono de suas antigas crenças e da radical mudança de perspectiva no que se refere ao núcleo de seu próprio pensamento, conforme podemos constatar:

“Wittgenstein, depois de ter abandonado a filosofia por coerência com o Tractatus, passou por uma lenta e dolorosa transformação espiritual desde mais ou menos 1930 até o fim de sua vida, e as Investigações Filosóficas são propriamente, a expressão desse itinerário de seu pensamento.”[2]

Segundo a obra em questão, é preciso se desfazer das superstições adquiridas com a lógica linguística. A sistematização gramatical criara uma espécie de ilusão metafísica que nos faz crer numa linguagem ideal em que seja possível a existência de uma superestrutura lógica e formal, na qual possamos ancorar nossas crenças e saberes, como sendo esta um paradigma universal e absoluto, o que para o segundo Wittgenstein não passa de um engano. “‘A linguagem (ou pensamento) é algo único’ – isto se revela como uma superstição (não erro!) produzida mesmo por ilusões gramaticais”[3].

O segundo Wittgenstein faz críticas severas à tradição. Reporta-se a ela de maneira contundente, expondo suas falhas e admitindo suas contradições. Contrariamente ao que prega a tradição, Wittgenstein afirma indiretamente que a linguagem, propriamente dita, é constituída pela totalidade dos jogos de linguagem, que, por sua vez, são as diversas formas e situações em que um fato pode se apresentar. Para esclarecimento, ressaltamos que essas formas e situações correspondem ao que Wittgenstein chama de formas de vida ou contextos. Senão vejamos: “Jogada a linguagem dentro da situação, Wittgenstein percebe que a diferente linguagem faz parte da totalidade dessa situação de vida humana, que ela é parte da atividade humana, ou, em sua expressão, uma forma de vida do homem.”[4]


[1] OLIVEIRA, Manfredo Araújo de. Reviravolta lingüístico-pragmática na filosofia contemporânea. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2004. p. 119.

[2] Ibid., p. 117.

[3] WITTGENSTEIN, Ludwig, op. cit., § 110. p. 54.

[4] OLIVEIRA, Manfredo Araújo de. Reviravolta lingüístico-pragmática na filosofia contemporânea. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2004. p. 132.

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Acadêmico, Comportamento

A Palavra [4]: A DIMENSÃO DO PENSAMENTO WITTGESNTEINIANO

O objetivo deste capítulo é introduzir o leitor no contexto de Investigações Filosóficas, de Wittgenstein, consiste em um percurso que parte do homem, reflete sobre sua época e adentra os termos da obra propriamente dita. Com isso, pretendemos adquirir uma visão panorâmica desta relativamente às circunstâncias em que foi gerada. No trajeto que agora iniciamos, buscaremos a apropriação dos aspectos temporais e dos elementos filosóficos que levaram nosso filósofo a escrever esse livro. Isso, principalmente, se o considerarmos em contraposição ao pensamento filosófico tradicional, cuja última expressão foi exatamente o Tractatus Logico-Philosophicus[1], penúltima obra do autor. Procuraremos entender a nova interpretação que Wittgenstein dá aos fenômenos cotidianos por meio da práxis linguística, buscando, na medida do possível, interagir com o autor no intuito de perceber as influências e os aspectos contextuais que permeiam toda essa obra. Faremos uma investigação que tentará atravessar o labirinto das complexas relações linguísticas, com vistas a poder visualizar, ainda que de forma aproximada, a estrutura ontológica da realidade até chegar à origem do conhecimento humano.


[1] OLIVEIRA, Manfredo Araújo de. Reviravolta lingüístico-pragmática na filosofia contemporânea. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2004. p. 117.

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