Poesia

poesia# Sonetos de Amor

Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.


  • Pablo Neruda
Poesia

poesia# Cada dia

Se cada dia cai,
dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.

Há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar a luz caída
com paciência.

Pablo Neruda

Poesia

poesia# Poesia Concreta

poesia concreta

Fonte:

  • Revista Bula
Poesia

poesia# Como o diabo gosta

m oNão quero regra nem nada
Tudo tá como o diabo gosta, tá,
Já tenho este peso, que me fere as costas,
e não vou, eu mesmo, atar minha mão.

O que transforma o velho no novo
bendito fruto do povo será.
E a única forma que pode ser norma
é nenhuma regra ter;
é nunca fazer nada que o mestre mandar.
Sempre desobedecer.
Nunca reverenciar.

:: “Como o diabo gosta” é um hino à liberdade. É um questionamento sobre a ordem da desordem que existe com o nosso consentimento.

Poesia

poesia# Etna

Eis me aqui,
diante de todas as cinzas
e das cidades caídas
continuei em pé.

Os pés firmes no solo,
que cheiram a carbono.
Assim como o ar outrora leve
hoje é cheio de fumaça negra.

Eis me aqui,
ante o caos.
Nesse mundo de dispersão,
em meio as ruínas da civilização.

Não ficarei muito,
o pulmão já não filtra bem.

Não ficarei muito,
o ar já não é respirado por ninguém.

De Gabriela Macedo, do blog Eu Lírico

Poesia

poesia# Ansiedade Utópica

Eu tenho essa ânsia do mundo
E você me pergunta sutilmente
Onde quero chegar. Fico mudo.
Nesse lugar que se sente.

Com a mente embaralhada
Honestamente eu me pergunto
Para que correr em disparada
Se já se tem tudo.

Não sei para onde ir
Sei que não quero ficar
Sinto que me prendi
E não sei como voltar.

Fiquei presa no tempo
Onde não se pode achar
Cada pedaço em vento
Não sei como juntar.

Quero chegar na vida
Mas não sei onde fica
Me ajuda a achar?

De Daniela Farah, do blog Adanibella.

Poesia

poesia# Dos dias aleatórios de Abril

A vida cabia na pétala da flor

O riso inconstante da louca

a lua, mínima, era o quadro de há pouco

Não possuía equilíbrio certo – diziam que era culpa do ouvido – acreditava em tolos.

Costurava o pecado na manga da roupa.

Mostrava para poucos… A perna à mostra, o olho perdido

Não poupava ninguém nas esquinas da vida. Era absorta… Encantava-se com o mínimo que via e ria de quem cobrava lucidez.

De Mariana Gouveia, do Blog O Outro Lado.