Feito no Brasil, Música

brasil# Os Borges

A amizade da família Borges com Milton Nascimento foi fundamental para criação do movimento musical Clube da Esquina, na época a família morava no edifício Levy no centro de Belo Horizonte, no mesmo prédio morava Milton Nascimento recém chegado de Três Pontas, cidade que foi criado. As cantorias que ocorriam no prédio aproximou Milton dos Borges. Entretanto, logo depois a família se mudaria para o bairro de Santa Tereza, na nova residência a amizade continuaria, e com ela, surgiriam as primeiras composições. Pelo habito de tocar na rua, o grupo receberia definitivamente o nome de Clube da Esquina.

O pai, Salomão, era jornalista e chegou compor algumas canções com os filhos, entre os irmão Marilton o mais velho, apesar de não ter seguido a carreira de artista, era um nome conhecido no meio musical de Belo Horizonte, antes mesmo de Milton gravar a musica Clube da Esquina, Marilton já a tocava em bares de BH onde costumava se apresentar.

Salomão Filho, conhecido como Lô Borges, a estrela da família, iniciou a carreira no disco Clube da Esquina lançando em parceria com Milton Nascimento, com apenas 18 anos. Suas canções como “Girassol da cor do seu cabelo”, “Tudo que você pode ser”, “Paisagem na Janela“, foram fundamentais para o sucesso do disco e a afirmação daquela nova maneira de fazer musica.

Como compositor, teve suas canções gravadas por grandes intérpretes da MPB como Milton Nascimento, Simone, Nana Caymmi, Gal Costa, Elba Ramalho, Elis Regina, Ney Matogrosso, Boca Livre, e Tom Jobim, entre outros.

Marcio Borges é outro nome da família de grande importância para o movimento,. letrista inspirado e autor de varias canções com o irmão Lô e Milton. Foi por incentivo do amigo Márcio que Milton começou a compor, portanto Marcio Borges foi o primeiro parceiro de Milton Nascimento, em canções como “Gira, Girou”, “Tarde” e “Vera Cruz”. Já nos anos 2000 a musica “Quem sabe isso que dizer amor” da dupla Lô e Marcio Borges fez grande sucesso, gravada por Milton Nascimento e depois, também, por outros artistas. Marcio também escreveu um livro contando a historia do movimento.

Solange Borges é uma das poucas irmãs da família Borges que atuou de maneira direta na área musical, fez duas participações importantes no disco “Equatorial“, do irmão Lô, cantando Clube da Esquina n° 2 e Vento de Maio. Lançou seu disco “Bom dia Universo” em 1984, todavia, não deu continuidade ao seu trabalho.

O irmão caçula Telo Borges que época do Clube ainda era criança, revelou-se também um compositor afinado com canções como “O Poder Magico”, “Vento de Maio” e “Voa Bicho”, que virou tema de novela.

Em 1980 a família lançou um LP com composições de quase todos os irmãos, com participações especiais do eterno amigo Milton, Elis Regina e Gonzaguinha. O disco não chegou ser um sucesso, mas é um belo registro de uma família que representou uma geração brilhante.


Por Neilvado Araújo

Blues, Música

blues# Raful Neal

mqdefaultNascido em Baton Rouge em 1936, Neal pegou a harpa aos 14 anos, atiçado por um artista local chamado Ike Brown e influenciado pelo maior gaitista de Chicago, Little Walter. A primeira banda de Neal, a Clouds, tinha o guitarrista Buddy Guy. Esta foi a banda que Little Walter ouviu enquanto estava em Baton Rouge e os convidou para se mudar para Chicago e completrar os shows que Walter não conseguiu fazer. Buddy deu-lhe uma chance, mas Neal decidiu ficar na Louisiana e criar sua família. O harpista estreou em vinil em 1958 com um compacto de 45s pelo selo Houston Peacock Records de Don Robey. Mas “Sunny Side of Love“, embora tenha sido uma boa canção, não levou a mais gravações pelo mesmo selo ou qualquer outro por um bom tempo. O álbum de estreia intitulado Louisiana Legend, foi lançado pelo selo King Snake Records de Bob Greenlee. Em I Been Mistreated, seguiu-se o mesmo estilo grudento de Neal e foi lançado no Ichiban no ano seguinte. Seus filhos, Noel (baixo) e Raful Jr. (guitarra) se juntaram para ajudar seu velho pai. Neal percorreu o mundo e, em 1997, contribuiu com arranjos de harpa para duas faixas no registro Tab Benoit’s Live: Swampland Jam. O discreto, mas sólido “Old Friends” foi lançado em 1998. Raful Neal morreu em 1 de setembro de 2004, depois de uma longa luta com câncer.


Referências:

Música, Rock/Metal

Galadriel: o metal eslovaco se renovando pela morte dos próprios mitos.

232c_1Banda eslovaca fundada em julho de 1995 pelo vocalista e baixista Dodo Datel, o guitarrista Voloda Zadrapa e o baterista Victor Gieci. Originalmente, mais orientada para o doom metal, que era um estilo muito forte em meados dos anos 90. O começo foi marcado pela busca pelas pessoas certas para completar a line up. Então, houve muitas mudanças na formação.

Na segunda metade de 1996, a vocalista Sona Witch Kozakova entrou na banda. Com essa formação a banda gravou seu primeiro CD promocional em agosto de 1996. Os teclados foram registrados pelo amigo King ((Lunatic Gods) à época). Posteriormente, o guitarrista Chulo Malachovsky entrou na banda. Com sua ajuda, a banda escreveu as próximas três músicas e as gravou em janeiro de 1997.

01Naquela época, o Unknown Territory (um novo e pequeno selo britânico) ofereceu um contrato para o álbum de estréia. Assim, ambas as gravações foram completadas e, finalmente, lançadas em setembro de 1997 como um CD, “Empire Of Emptiness“. Mas no verão de 1997, mais uma baixa na banda: o principal guitarrista, Voloda Zadrapa deixou a banda e o jovem talento de guitarra Tomax Gabris tomou seu lugar.

mirror99A banda adicionou o tecladista Erik Schmer. Assim, a banda iniciou as gravações do seu novo material, concluídas em novembro de 1997. Mais duas músicas foram gravadas na primeira metadae de 1998 (já sem o tecladista Erik Schmer). Todas essas músicas foram lançadas em janeiro de 1999 como um segundo CD, “The Mirror Of Ages“, pelo mesmo selo. Os anos seguintes foram assinalados por outras mudanças na banda. Irmão de Sona J.S.K. assumiu os teclados e o guitarrista Gabriel Holenka substituiu Chulo Malachovsky.

oblivionEm 1999, a GALADRIEL escreveu e gravou todas as músicas para o seu terceiro CD “Oblivion” que foi lançado em março de 2000. O processo de gravação foi realmente complicado e a banda nunca ficou satisfeita com esse registro. De qualquer forma, foi o último registro pelo antigo selo. Na Primavera de 2001, a banda gravou um cover da canção “Bournemouth” (The Hobbit) do Blind Guardian para a compilação de tributo” “Tales from the Underground“(já sem o guitarrista Gabriel Holenka).

Galadriel - From Ashes & Dust - FrontA atmosfera na banda não era muito boa naquela época, mas o resultado dessa música ajudou a reunir os membros novamente. Novas músicas foram concluídas rapidamente e, alguns meses depois, GALADRIEL gravou seu quarto CD “From Ashes & Dust“. Podemos dizer que esse registro foi um ponto de virada para a banda. O som e os arranjos deste registro foram muito melhores do que antes. Com este disco, a banda assinou um contrato com a Metal Age Productions (selo eslovaco) que o lançou em 2002.

No final de 2002, o guitarrista base Matus Hanus entrou na banda. Mas no início de 2003 resurgiram problemas antigos e a banda chegou perto acabar. Três membros antigos deixaram a banda (Sona Witch Kozakova, J.S.K. e Dr. Victor).

Galadriel - World Under World - FrontPassada a tempestade, a banda (Dodo Datel, Tomax Gabris e Matus Hanus) compôs novas músicas e, (outra vez) no outono de 2003, gravou seu quinto álbum com muitos músicos convidados. Este CD foi chamado “World Under World” [o favorito deste que vos escreve] e foi lançado em março de 2004 pelo mesmo selo. A banda fez muitos shows com músicos convidados, mas em setembro de 2004, após 20 meses de existência caótica, o guitarrista principal Tomax Gabris deixou a banda.

O sinal dos velhos tempos (a vocalista feminina Sona Witch Kozakova) voltou à banda junto com o irmão J.S.K. (chaves). O grupo encontrou o novo baterista, Hoyas. A banda começou a fazer shows novamente em 2005 e após uma longa busca por um substituto adequado para Tomax Gabris, chegaram a Era Skkipi Skuppin

renascenceEm 2006, a banda escreveu novas músicas para um novo álbum. No início do ano de 2007 o baterista Hoyas deixou a banda. Logo, a banda entrou no estúdio para gravar o novo álbum “Renascence Of Ancient Spirit” com dois bateristas convidados (Victor Gieci, ex-membro da banda e Jan Valer Tornad). No processo de gravação, o tecladista J.S.K. Deixou a banda para que Matus Hanus gravasse a maioria das partes do teclado no registro. O novo álbum “Renascence Of Ancient Spirit” foi lançado pela Metal Age Productions em junho de 2007.

No início de 2008, Andrej Kutis entrou na banda como novo tecladista. A banda fez muitos shows com bateria pré-gravada e em fevereiro de 2009 Adam Zelenay finalmente se tornou o baterista da GALADRIEL. No final do verão, problemas com o guitarrista Skkipi Skuppin culminaram com o fim da cooperação entre ele e a banda. Este foi o momento perfeito para a volta de Tomax Gabris após cinco anos.

7queenLogo após essa mudança, a banda começou a escrever novas músicas para o próximo álbum. Mas, como sempre, as coisas não seriam tão fáceis. Após outras complicações pessoais, a banda entrou no estúdio em março de 2012. O novo álbum “The 7th Queen Enthroned” foi lançado pela Gothoom Productions em novembro de 2012 e o baterista Matej Ferianc e o guitarrista Michal Kolejak foram oficializados como membrosda banda.

14991963_10154644278388480_4910411006589114101_nEm 2015, a banda emite a última nota oficial de que tive notícia pela Web: “Caros fãs, nossa banda surgiu em 1995 e este é o ano [2015] de seu 20º aniversário. É um marco na nossa história e, portanto, será celebrado com o lançamento de um EP especial intitulado “Lost in the Ryhope Wood“, inspirado no trabalho de Robert Holdstock. O EP contém seis canções – três músicas re-gravadas de álbuns mais antigos e três novas. A gravação e mixagem de “Lost in the Ryhope Wood” acontecerá em maio e junho no Grindhouse Studio em Atenas e Pulp Studio em Bratislava. O EP será lançado em vinil através da Paøát Magazine & Productions em 1 de setembro de 2015. Durante a nossa existência, lançamos sete discos e fizemos mais de 200 shows em toda a Europa. Esse número aumentará quando a tour de aniversário [prevista] para setembro for anunciada! OBRIGADO POR O SEU APOIO PERMANENTE E LONGO !!!”

Na sequência, conforme dito acima, ocorre o lançamento do EP “Lost in the Ryhope Wood”, do qual uma faixa foi disponibilizada no YouTube:


Referências:

 

jazz, Música

blue note# O Jazz no Mundo

3A palavra jazz evoca percepções diversas. Quem entende mais ou menos o que significa, pode querer associá-la a virtuosismo (ou presunção, ou hermetismo). Há quem se arrisque a traduzi-la por “qualquer forma musical instrumental não clássica”.
Como o jazz nasceu nos Estados Unidos, seria natural aceitar que seja “coisa de americano” – mas isto é uma meia-verdade. Sim, nasceu há mais de 100 anos em New Orleans e proximidades (estendendo-se em seguida até Chicago e Nova York), mas, atualmente, é uma manifestação artístico-musical dotada de uma universalidade difícil de delimitar.
O conhecimento que se tinha de música clássica no início do século XX se aliaria a várias tradições populares, principalmente afro-americanas. As primeiras expressões jazzísticas eram visíveis por meio daqueles instrumentos básicos de bandas marciais (metais, palhetas e percussões).
O termo jazz passou a ser usado no final dos anos 1910 e início dos anos 1920 para descrever um tipo de música insubmissa e irreverente praticada sem grandes pretensões pelos negros do sul dos EUA.
Esse viés étnico-racial, porém, logo perderia validade, pois tudo o que transborda universalidade – é o caso do jazz – não consegue sobreviver muito tempo em geografias estreitas.
O fato é que essa forma de arte se espalhou por todos os cantos da Terra e absorveu em sua orquestração praticamente tudo o que pudesse emitir sons em escalas: de clarinete a acordeão; de trompete a xilofone; de piano a cavaquinho; de bateria a voz (a voz, no jazz, é um instrumento como qualquer outro, aliás).
Ao tentar cercar um conceito por suas aparências e por seus registros consolidados, pode ficar parecendo que o jazz contemporâneo nada mais é do que “qualquer maneira inclassificável de tocar – e, por consequência, de improvisar”. Não é bem assim. Os parâmetros, apesar de bem abertos, existem.
Além disso, o jazz teve fases, épocas e marcos que geraram subgêneros com nomes esquisitos como dixieland, swing e bebop. Ao longo do século XX, preservou suas raízes americanas, mas agora com um espectro internacional.
Dizer “jazz americano”, hoje, é uma redundância, portanto; e tentar categorizar o jazz por país – “jazz italiano”, “jazz australiano”, “jazz russo”, etc. – seria um equívoco, afirmam os estudiosos.
Entretanto, existe um rótulo – um selo de qualidade, na verdade – que há mais de 30 anos circula por todos os continentes: jazz brasileiro (assim mesmo, sem aspas).
O jazz brasileiro (ou música instrumental brasileira) é aquela estranha espécie de exceção que existe exatamente para não justificar a regra.
                                                                                                                      Thiago Cortes
Zuza Homem de Mello
“Os músicos argentinos, por exemplo, improvisam rigorosamente como os americanos. Assim é no Chile, na França, etc. Em termos de liberdade e absorção dos elementos culturais nacionais, Cuba é o único país em que a prática jazzística se assemelha à do Brasil”, analisa o pesquisador Zuza Homem de Mello, autor de Música nas Veias (Editora 34) Eis Aqui os Bossa-Nova (Martins Fontes).
O que difere os instrumentais brasileiros dos cubanos é a diversidade de melodias e ritmos. “Os cubanos fazem recriações principalmente em cima do son, um gênero bem deles, enquanto os brasileiros conseguem reinterpretar uma variedade incrível de estilos e formas.” Para o pianista Amilton Godoy, do Zimbo Trio, o jazz brasileiro é um dos mais interessantes do mundo: “Até pela nossa miscigenação mesmo. E, cá para nós, as melodias brasileiras são infinitamente mais ricas que as cubanas”.
Para entender mais sobre o Jazz:
Eric Hobsbawm
Zuza Homem de Mello
Ruy Castro
Carlos Calado
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– Reproduzido da  Revista Almanaque Saraiva
Música, Rock/Metal

Ouroborus: death metal virtuoso feito na Austrália

Ouroboros é uma banda de technical death metal oriunda de Sydney, Austrália que se formou em 2001, originalmente sob o nome “Dred”. Em 2007, lançou um EP intitulado “A Path To Extinction“. Este lançamento foi seguido por dois vídeo-clipes. Em 2009, eles mudaram seu nome Ouroboros com o qual lançaram o álbum de estreia cujo título é “Glorification of a Myth”. Atualmente está trabalhando na divulgação do seu segundo álbum, “Emanations”.

Banda que abraça a todas as características do death metal com um nome misterioso, sons fortemente distorcidos e virtuosidade indiscutível. Segundo a imprensa [do seu país], o quarteto oriundo de Sydney (Autrália) é uma das melhores bandas de metal do país …” e “não se conforma com menos que a perfeição” (Metal Obsession & MetalReviews). A indústria musical do país reconheceu o talento dos músicos premiando-os como “melhor banda independente”, “melhor baixista” e “melhor baterista” no Australian Heavy Metal Awards. Além disso, o The Australia Council (o órgão de financiamento das artes do governo australiano) concedeu à banda uma generosa bolsa para apoiar a produção de seu mais novo álbum ‘Emanations‘.

A banda desenvolveu uma reputação bem merecida entre os artistas do meio para realizar, ao vivo, performances extremamente eficazes. Ouroboros atuou no palco com alguns dos nomes mais notáveis ​​do metal mundial, incluindo-se aí Morbid Angel, Cannibal Corpse, Psycroptic, Cradle Of Filth, Epica, Necrophagist, At the Gates, Dying Fetus, Aborted, The Amenta, Sadistik Exekution, Sybreed e The Faceless.

O álbum de estréia da banda, Glorification of a Myth, foi lançado em junho de 2011 e foi resenhado pelos críticos como “Um novo referencial para a produção de death metal …” (Metal-Archives). O álbum mostrou o virtuosismo da banda e seu compromisso com a produção de música de alto nível. Glorification of a Myth foi acompanhado de um clip para ‘Sanctuary‘, uma das músicas mais populares do álbum. Pouco depois da estréia do vídeo no Fúria MTV, um especialista afirmou que “é possivelmente o melhor vídeo feito por uma banda local!” (TheMusic) O vídeo foi produzido em colaboração com o diretor Paul Shedlowich, que usou técnicas de produção de guerrilha para enfatizar a atmosfera obscura e a dinâmica do filme.

O Australian Council for the Arts concedeu ao Ouroboros uma doação de US $ 20.000 para ajudar a financiar a produção do próximo álbum da banda, Emanations: um projeto ambicioso que incorpora a colaboração com uma das melhores orquestras sinfônicas de Praga. Este novo e emocionante álbum já desfruta de prestígio entre uma grande parcela da imprensa australiana. Foram concedidas entrevistas para o The Australian, Triple M, Triple J, 3AW, HEAVY Magazine e Revolver Magazine.

A decisão de incorporar uma orquestra sinfónica ao trabalho do grupo foi em grande parte influenciada pela admiração da banda pela música clássica ocidental, bem como por sua vontade de quebrar paradigmas do death metal. De acordo com o guitarrista e principal compositor do Oruroboros Chris Jones “A orquestra tem uma capacidade ilimitada de evocar emoções e queremos aproveitar esse poder para o nosso próximo lançamento. Essa colaboração com a orquestra sinfônica irá adicionar uma força enorme ao nosso som e, em última instância, criará algo poderoso, único e emocionante “.

Ouroborus atualmente é formado por Evgeny Linnik (Vocals)Chris Jones (Guitar)Michael Conti (Bass & Backing Vocals)David Horgan (Drums).


Referências:

 

Blues, Música

blues# Artur Menezes

A seção “domingo blues” muda para simplesmente “blues#“, e na sua nova fase, trás “o guitarrista brasileiro Artur Menezes [que, no último domingo, 06/08/17] se apresentou em São Paulo durante o evento Samsung Best of Blues fazendo o show de abertura para o guitarrista Joe Satriani e não decepcionou, empolgando o público estimado em 20.000 pessoas…”

Noutro momento [vídeo abaixo], Artur sobe ao palco para uma jam session ao lado do próprio Satriani. Um belo momento na vida do nosso menino prodígio.


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Todos os direitos reservados – All rights reserved.
 

Saiba mais em: Artur Menezes Oficial

jazz, Música

blue note# O Jazz no Brasil

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Cerca de cem anos atrás, os músicos brasileiros, como os de qualquer outro país, começaram imitando os americanos tanto na formação de suas jazz bands (anos 1920 e 1930) e big bands (anos 1940 e 1950) quanto nas canções e na maneira de executá-las.
“A maioria das manifestações jazzísticas dessas épocas ocorria ao vivo e tinha um propósito dançante. O choro era o único gênero musical nacional às vezes encaixado no repertório. Mesmo assim, de uma maneira, digamos, um tanto quadrada”, diz o pesquisador Zuza Homem de Mello, autor de Música nas Veias (Editora 34) e Eis Aqui os Bossa-Nova (Martins Fontes).
Pixinguinha e seus Oito Batutas, no início, assim como a big band de Severino Araújo, em época posterior, incorporavam algumas tendências norte-americanas, mas não investiam no intercâmbio de influências. “Quando o Glenn Miller explodiu mundialmente, as orquestras brasileiras, que tocavam ao vivo em bailes e festas, já tinham a formação instrumental rigorosamente americana, com cinco saxofones, três trombones, quatro trompetes etc.”, lembra Amilton Godoy, pianista e integrante do Zimbo Trio.
Somente com a Bossa Nova, no final dos anos 1950, foi que o improviso, essência do jazz, passou a ser empregado em canções tipicamente brasileiras – o que propiciaria, nas décadas seguintes, a difusão mundial do chamado jazz brasileiro.
“Melodias e ritmos marcadamente nossos passaram a ser executados com a liberdade típica do jazz”, explica Zuza, “criando um conduto natural diferenciado em comparação com a música instrumental praticada em outros países”.
“Nós, músicos, nunca perdemos a chance de tocar aqueles belos standards da canção americana, claro. Mas todos (brasileiros e estrangeiros) ficaram tão encantados com Bossa Nova, que havia simplificado a execução daquela batida do samba, que viram nela uma poderosa fonte de inspiração para recriações”, conta Amilton. “Para você ter uma ideia, no início dos anos 1960 ainda não era possível gravar em vários canais, como hoje. Tanto que os dois primeiros discos do Zimbo Trio (1964 e 1965) nem eram estéreo.”
Zuza sublinha que a canção brasileira anterior à Bossa Nova não abrangia uma ampla possibilidade de execução. Os estrangeiros tinham dificuldade de tocar o samba e o choro, por exemplo; e as composições brasileiras interpretadas ao vivo nas rádios (anos 1930 e 1940) eram de difícil assimilação também. “A Bossa Nova, então, caiu como uma luva: forneceu aquela mesma rítmica do samba, porém com maior simplicidade e homogeneidade.”
Nos anos 1960, os músicos brasileiros trabalhavam em cima de canções da Bossa Nova, apenas. (O marco da Bossa Nova é a gravação, em 1958, de “Chega de saudade”, por João Gilberto, em um disco compacto.) Mas logo esse processo se expandiria ao infinito, englobando melodias procedentes de qualquer gênero ou estilo nacional – do samba ao xote, do baião ao frevo, da seresta ao maracatu. “A matriz rítmica brasileira é de um pluralismo incomum, e pulsa de norte a sul do país”, afirma Amilton. [fotos por Zé Guilherme]
O 1º Festival de Jazz São Paulo-Montreux, em 1978, movimentou uma centena de músicos e dezenas de milhares de espectadores durante oito dias numa maratona sem precedentes. Entre os convidados brasileiros estavam Luiz Eça, Hélio Delmiro, Victor Assis Brasil, Raul de Souza, Márcio Montarroyos e a Rio Jazz Orquestra. “Esse festival cumpriu o importante papel de ser um aval para a nossa música instrumental, que se tornava cada vez mais sofisticada”, lembra Zuza.
Dois aspectos, na visão do pesquisador Zuza, permitiram que a música brasileira passasse a fornecer (em vez de apenas absorver) influências a partir da Bossa Nova: 1) o ritmo (a percussão) – o uso daquela escovinha pelos bateristas, por exemplo; 2) a melodia (improvisar sobre as linhas melódicas das canções brasileiras, que possuem uma graça e uma sensualidade marcantes). “Nossa música instrumental, hoje, é eminentemente internacional.”

IMPROVISO QUE SE ENSINA

Dos anos 1980 em diante a onda fusion (fusão de várias ideias, origens e tendências), da qual Miles Davis foi um dos principais expoentes, facilitou ainda mais a expansão das fronteiras da música instrumental produzida no Brasil. Nessa época, os ouvidos exigentes dos apreciadores de jazz mundo afora se deleitaram, por exemplo, com os emergentes Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti. “Ambos, pela especificidade, pela elaboração e pela mescla de formas, chamaram a atenção da crítica”, lembra Zuza.

No jazz, os músicos tocam e se tocam. Amilton Godoy diz ter sido influenciado por George Shearing, pianista inglês radicado nos Estados Unidos (e cego), Oscar Peterson, Thelonius Monk, Lennie Tristano, Bill Evans, McCoy Tyner e Chick Corea.  “O disco Is (1969), do Chick Corea, me deixou paralisado”, lembra. “Nos anos 1950 não havia pianistas de ‘jazz brasileiro’. Mas o Moacyr Peixoto e o Dick Farney eram referências importantes. Moacyr era pianista do Brazilian Jazz Quartet, que tinha ainda o Casé (sax alto), o Rubinho Barsotti (bateria) e o Luiz Chaves (contrabaixo).”

 

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Amilton Godoy

Além de fundador (e até hoje pianista) do Zimbo Trio, grupo que completa 50 anos em 2014, Amilton dirige o Clam (Centro Livre de Aprendizagem Musical), no bairro de Moema, em São Paulo (SP). “Uma vez um aluno apareceu aqui falando assim: ‘Quero tocar como o Oscar Peterson’. Daí eu falei: ‘Eu também’”, brinca Amilton, referindo-se à importância que o indivíduo tem para os apreciadores de jazz.

“No jazz, você não compra a música. Você compra o instrumentista, na verdade. Eu, por exemplo, não me importava com o repertório do Charlie Parker, mas sim em como ele tocava. A especificidade reside na genialidade e na erudição dos intérpretes, que, além de grande conhecimento da história da música, dão-se o direito de criar em cima dos temas existentes.” Para Amilton, o improviso jazzístico é uma atitude tanto quanto uma técnica. “E pode ser ensinado”, enfatiza. [foto por Zé Guilherme]

 

A CONQUISTA DO PÚBLICO

O público de jazz é um espetáculo à parte. Pensando nisso, Amilton Godoy, pianista do Zimbo Trio e diretor do Clam (Centro Livre de Aprendizagem Musical), cita um pensamento do dramaturgo espanhol Jacinto Benavente (1866-1954), Nobel de Literatura de 1922: “O verdadeiro artista não é aquele que cria obras para um público, mas sim que cria um público para as suas obras”.
O historiador Eric Hobsbawn (1917-2012), autor do clássico História social do jazz (1959), descreveu o indivíduo vidrado em jazz: “O amante de jazz surgiu da massa formada pelo público normal de música dançante e música pop, por uma espécie de seleção natural; mas a sua semelhança com esse público é tão pequena quanto a semelhança dos homens com relação aos macacos, dos quais descendem.
(…) Além disso, o fã de jazz não está interessado apenas no jazz enquanto música. Para ele, o jazz é um mundo, e muitas vezes uma causa, da qual os sons que emergem dos instrumentos são apenas um aspecto. A vida dos músicos, o ambiente no qual o jazz se desenvolveu, as implicações políticas e filosóficas desta música, os detalhes eruditos ou banais da discografia, também são parte importante desse mundo”.

ZIMBO TRIO

O Zimbo Trio nasceu em março de 1964 em São Paulo, formado por Luíz Chaves (contrabaixo), Rubinho Barsotti (bateria) e Amilton Godoy (piano). O termo Zimbo, retirado do dicionário afro-brasileiro, significa boa sorte, felicidade e sucesso. Zimbo era também uma antiga moeda que circulava no Congo e em Angola.
Em 1965, o trio passou a fazer o acompanhamento fixo do programa O Fino da Bossa, da TV Record, apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues, que divulgava novos talentos. O contrabaixista Luíz Chaves faleceu em 2007. Itamar Collaço (baixo elétrico) o substituiu. Em 2010, o contrabaixo acústico retornou ao grupo com a entrada de Mário Andreotti no lugar de Collaço.
Atualmente, além de Amilton e Mário, o grupo conta com Pércio Sápia (bateria). Em 2012, o Zimbo foi o vencedor na categoria Melhor Grupo Instrumental do 23º Prêmio da Música Brasileira, com o álbum Autoral (2011). Em 2014, completa 50 anos.
Durante a entrevista para essa reportagem, Amilton Godoy mostrou no piano a influência da música, principalmente no Brasil. Assista ao vídeo:
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– Reproduzido da  Revista Almanaque Saraiva
– Foto do cabeçalho por Zé Gabriel