Economia

reflexão# Chomsky e a possibilidade de rompimento com os modelos de democracia.

A estrutura de uma democracia requer a figura de um representante da coletividade na hierarquia do poder. Esta representatividade, contudo, deve existir como condição de a realização para os interesses do povo, que elege o representante por meio do voto. A condição que se impões como o elo entre a representatividade e a coletividade é o instrumento através do qual se realiza a legitimidade apregoada por Chomsky no vídeo que segue.

Todavia, como disse Platão: “… a democracia é “um governo agradável, variegado e desordenado, que provê uma espécie de igualdade tanto ao que é desigual quanto ao que é igual”. Ela é o fruto da demagogia…”

Hoje, a democracia, como sistema predominante na maioria dos países ocidentais, não permite se reestruturar dentro ou fora da lógica capitalista. Nesse sentido, Chomsky é enfático ao dizer: “Eu não vejo como qualquer sistema complexo pode evitar algum tipo de democracia representativa, mas o representante tem que ser responsabilizável, removível, sujeito a vigilância e controle, substituível!”

Referências:

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Economia

Uma nova ordem mundial

10477043_865020756860363_8955633615363760632_nOs noticiários não se aprofundam, e nem mesmo explicam o que são os BRICS, o que isto significa para nós, pessoas comuns, e para o mundo. A sigla BRIC, nada mais é do que o letra inicial do nome dos países integrantes do referido bloco econômico. Brasil, Rússia, Índia, China – BRIC.

Todavia, o que isto significa para o mundo? Que relevância tem para a vida prática das pessoas? E para o mundo, tomado em sua porção global?

Abaixo, segue um texto de autoria de Luciano Nascimento e Marcelo Camargo, da Agencia Brasil, bastante elucidativo sobre estas e outras questões:

“Os BRICS estão avançando em direção à América Latina. É o que fica claro nesta quarta-feira 16, quando os presidentes dos cinco países que formam a sigla se encontram, em Brasília, com 11 presidentes latino-americanos que fazem parte da Unasul. Após anunciarem, em Fortaleza, na véspera, a criação do Novo Banco de Desenvolvimento, com capital de US$ 50 bilhões para financiar projetos de infraestrutura em países emergentes, os líderes de Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul foram apresentar os planos para a instituição aos colegas do continente.

Historicamente área de influência dos Estados Unidos, a América Latina experimenta um vácuo de ações de peso da diplomacia americana durante a gestão do presidente Barack Obama. Nesse espaço vazio, os BRICS, agora com um poderoso instrumento financeiro sendo formado, agem para estabelecer novas bases de apoio político.
Oficialmente, o encontro com a Unasul faz parte do segundo e último dia da VI Reunião dos BRICS, iniciada na capital do Ceará. Está descartada a inclusão de outro país na sociedade formada entre os integrantes da sigla, mas os primeiros planos anunciados para o banco de fomento deixam claro que os recursos a serem investidos em obras de infraestrutura, especialmente, não serão dirigidos apenas aos próprios BRICS. Ao contrário, a ideia é atender projetos de diferentes países.
No campo político, a aproximação dos BRICS com a Unasul indica, se não o fim, ao menos uma divisão de influências na América Latina. Os EUA não estão mais sozinhos por aqui.
Com a presença de 16 chefes de Estado, a 6ª Reunião de Cúpula do Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – começa o segundo dia de reuniões, no Palácio Itamaraty, em Brasília. Participam das discussões 11 presidentes da América do Sul. Ontem (15), os líderes do Brics anunciaram, em Fortaleza, a criação do Banco de Desenvolvimento do Brics e do fundo de reservas para o bloco.
Os chefes de Estado chegaram ao Palácio Itamaraty, pela entrada privativa, sem acesso aos jornalistas. Às 12h15, a foto oficial foi tirada nos jardins do 3º andar do palácio, e os líderes dos 16 países seguiram para a Sala Portinari, onde ocorrerão os debates. Os jornalistas têm acesso às palavras dos presidentes por televisores nas áreas reservadas à imprensa dentro do edifício. Às 13h30, a presidenta Dilma Rousseff oferecerá um almoço em homenagem aos chefes de Estado no próprio Itamaraty.
À noite, com o fim da 6ª Reunião de Cúpula do Brics, a presidenta Dilma oferecerá um coquetel no Itamaraty aos chefes de Estado e de Governo da América do Sul, do quarteto da Comunidade dos Estados Latinoamericanos e Caribenhos (Celac) e da China, que se reunirão amanhã (17) no Itamaraty.
10502431_865020730193699_6735699626117483916_nO principal avanço do sexto encontro de líderes do bloco foi a criação do Banco de Desenvolvimento do Brics com um capital inicial de US$ 100 bilhões. Os cinco países se comprometeram a reunir, no primeiro momento, um total de US$ 50 bilhões. O dinheiro será usado para financiar projetos dos países-membros.
Mesmo com a saída financeira que vai garantir o andamento de prioridades do bloco, os países do Brics não deixaram de priorizar, na capital cearense, a reivindicação pela reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI), para contemplar mais claramente os efeitos das economias emergentes.
Antes de chegar a Brasília, os líderes dos Brics também reiteraram a defesa pela reforma no Conselho de Segurança da ONU, garantindo a participação do Brasil, da Índia e da África do Sul nas decisões internacionais.
Hoje mais cedo, a presidenta Dilma e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, assinaram três acordos nas áreas de meio ambiente, processamento de dados de satélite e troca de informações sobre cidadãos.

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, defendeu hoje (16) o fim da pilhagem internacional em matéria financeira. “Acreditamos em uma pátria grande e que é preciso acabar com esse tipo de pilhagem internacional em matéria financeira, que hoje estão querendo fazer contra a Argentina e também vão tentar levar adiante contra outros países”, disse ela, logo após chegar ao hotel em que ficará hospedada em Brasília. A presidenta referia-se a organismos internacionais de crédito que compram dívidas não honradas a preço baixo para depois exigir o pagamento integral. Ela participa hoje, no Itamaraty, da reunião entre o países-membros do Brics e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).
Recebida por um grupo de jovens militantes do PT que a esperavam na porta do hotel, Cristina Kirchner e agradeceu a presença dos militantes. “É muito importante, sobretudo para vocês, que são jovens do presente e do futuro, não permitir que lhes hipotequem a esperança, as ilusões e os sonhos de um país melhor, de uma América do Sul melhor e de um mundo melhor.”
A presidenta argentina destacou que a criação do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics e também de um fundo de reservas para o bloco foi um passo importante no desenvolvimento de novas instituições multilaterais. “Hoje [16] vamos dar um passo importante. Ontem [15] deu-se um aqui no Brasil e demos outro com a Unasul, quando constituímos o Banco do Sul. [É importante] que surjam cada vez mais instituições que questionem o funcionamento de organismos multilaterais que, em vez de dar soluções, não fazem mais do que complicar a vida dos povos,” disse Cristina, em referência ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
Os representantes do Brics defenderam a implementação de reformas no FMI para modernizar a estrutura de governança do órgão. Ontem, em discurso, a presidenta Dilma Rousseff ressaltou que “as principais instituições de governança econômica e política mundiais têm perdido representatividade e eficácia, ao não se adequarem às realidades políticas e econômicas do mundo de hoje.”
Além dos cinco presidentes e primeiros-ministros do países que compõem o grupo, participam, como convidados da Cúpula do Brics, mandatários de 11 nações sul-americanas, integrantes da Unasul.”

Fonte: https://www.facebook.com/joaootavio.loboneto1

 

Economia

Mobilidade urbana: o viaduto do cruzamento da Av. Antônio Sales com Av. Eng. Santana Jr.

Maquete_Viaduto_AntonioSales_v03_30997Viaduto sobre o Cocó: o benefício é temporário, os transtornos vêm para ficar

Não são “apenas” 94 arvores, é o modelo e o projeto de cidade que vão à contramão da preservação ambiental, da mobilidade urbana e da solução de problemas sociais. A crítica deste texto se direciona amplamente à política de transportes que se vem adotando em Fortaleza recentemente.

Entre 2001 e 2010, a frota de veículos automotivos individuais de Fortaleza cresceu aproximadamente 90% (DENATRAN). Por que cresceu em tamanha proporção? A resposta vai além da recente facilitação da compra de automóveis. Infelizmente, dada a atual circunstância de precariedade do transporte público, o carro particular é hoje, no Brasil, o transporte mais eficaz. Ao se ofertar mais estrutura, como a Prefeitura pretende, andar de carro continuará individualmente vantajoso e a população continuará adquirindo tal bem em alta proporção.

O carro particular é o meio de transporte urbano mais ineficiente, tanto do ponto de vista ambiental quanto do ponto de vista técnico, pois gera consideravelmente mais poluição e transtornos no espaço viário por passageiro transportado do que qualquer outro modo de transporte. Dessa forma, os problemas, equivocadamente solucionados com alargamento de ruas e construções de viadutos, tendem a retornar em curto prazo. Essa é a explicação para a máxima “construa (mais rodovias) que eles (carros) virão”.

A construção de viadutos e túneis “vicia” a malha viária e traz a necessidade de outras obras do mesmo tipo, pois intervenções pontuais só transferem o problema para um ponto mais adiante, como é o caso do viaduto da Av. 13 de Maio.

Lembramos que a sustentabilidade não está ligada somente à questão ambiental, mas de continuidade de um modelo. E o modelo de transporte individual demanda tanto investimento em infraestrutura viária, e estes investimentos têm tantos efeitos colaterais (poluição visual, ambiental, desvalorização de terrenos e do comércio, problemas com segurança pública, etc), que se torna um modelo altamente insustentável e antidemocrático, pois os investimentos favorecem apenas a pequena parcela que utiliza carros.

Mas como limitar, ou mesmo emperrar, o crescimento da frota de veículos automotores individuais para o movimento pendular (casa – trabalho/estudo)? A resposta é clara: atacando as causas expostas no segundo parágrafo. Isto é, tornando vantajoso para as pessoas a utilização de outros modos de transporte, seja construindo ciclovias arborizadas e iluminadas, a fim de mitigar os problemas de desconforto térmico e de violência (importantes empecilhos para o investimento em ciclovias), seja aumentando a frota de ônibus e de seus espaços exclusivos, tornando mais vantajoso o uso do transporte público e das ciclovias em relação ao uso de carros individuais, favorecendo também o pedestre.

O carro deveria ser um veiculo para lazer e passeio – assim como o é em qualquer cidade verdadeiramente desenvolvida – mas Fortaleza parece caminhar no sentido oposto ao do desenvolvimento e progresso. A solução de fluência de tráfego pelo uso de viadutos, assim como toda prática que insiste em aumentar a oferta de espaço para veículos individuais automotivos, já é rejeitada nos modelos de sucesso de mobilidade urbana de todo o mundo.

Baseado nos princípios de sustentabilidade ambiental, urbana, social, no Plano Diretor de Fortaleza, no Plano Nacional de Mobilidade e na lei Federal 9.985, o Centro Acadêmico de Engenharia Civil da UFC, com o propósito de defender as boas práticas de engenharia e a qualidade de vida de toda população, posiciona-se contra o projeto do viaduto da Av. Antônio Sales com Av. Engenheiro Santana Júnior, e se une às demais entidades estudantis e da sociedade civil para propor uma melhor solução para o problema. Solução essa que contemple os critérios supracitados.

Documento aprovado por unanimidade pelos atuais membros diretores do Centro Acadêmico de Engenharia Civil.

:: fonte: http://portalcaecufc.wordpress.com/2013/07/26/mobilidade-urbana-e-o-viaduto-do-cruzamento-da-av-antonio-sales-com-av-eng-santana-jr/ [CAEC UFC].

Economia

Protestos no Brasil: entenda o fenômeno!

:: Recebdinheiroi este texto por email e achei a abordagem tão inovadora que resolvi compartilhar! O texto revela como o dinheiro é a mola mestra da sociedade civilizada e porquê a sua concentração nas mãos de grupo específico gera a inflação e o empobrecimento do povo:

“Para entender melhor o que está acontecendo na rua, imagine que você é o presidente de um país fictício. Aí você acorda um dia e resolve construir um estádio. Uma “arena”.
O dinheiro que o seu país fictício tem na mão não dá conta da obra. Mas tudo bem. Você é o rei aqui. É só mandar imprimir uns 600 milhões de dinheiros que a arena sai.
Esses dinheiros vão para bancar os blocos de concreto e o salário dos pedreiros. Eles recebem o dinheiro novo e começam a construção. Mas também começam a gastar a grana que estão recebendo. E isso é bom: se os caras vão comprar vinho, a demanda pela bebida aumenta e os vinicultores do seu país ganham uma motivação para produzir mais bebida. Com eles plantando mais e fazendo mais vinho o PIB da sua nação fictícia cresce. Imprimir dinheiro para construir estádio às vezes pode ser uma boa mesmo.
Mas e se houver mais dinheiro no mercado do que a capacidade de os vinicultores produzirem mais vinho? Eles vão leiloar as garrafas. Não num leilão propriamente dito, mas aumentando o preço. O valor de uma garrafa de vinho não é o que ela custou para ser produzida, mas o máximo que as pessoas estão dispostas a pagar por ela. E se muita gente estiver com muito dinheiro na mão, essa disposição para gastar mais vai existir.
Agora que o preço do vinho aumentou e os vinicultores estão ganhando o dobro, o que acontece? Vamos dizer que um desses vinicultores resolve aproveitar o momento bom nos negócios e vai construir uma casa nova, lindona. E sai para comprar o material de construção.
Só tem uma coisa. Não foi só o vinicultor que ganhou mais dinheiro no seu país fictício. Foi todo mundo envolvido na construção do estádio e todo mundo que vendeu coisas para eles. Tem bastante gente na jogada com os bolsos mais cheios. E algumas dessas pessoas podem ter a ideia de ampliar as casas delas também. Natural.
Então as empresas de material de construção vão receber mais pedidos do que podem dar conta. Com vários clientes novos e sem ter como aumentar a produção do dia para a noite, o cara do material de construção vai fazer o que? Vai botar o preço lá em cima, porque não é besta.
Mas espera um pouco. Você não tinha mandado imprimir 600 milhões de dinheiros para fazer um estádio? Mas e agora, que ainda não fizeram nem metade das arquibancadas e o material de construção já ficou mais caro? Lembre-se que o concreto subiu justamente por causa do dinheiro novo que você mandou fazer.
Mas, caramba, você tem que terminar a arena. A Copa das Confederações Fictícias está logo ali… Então você dá a ordem: “Manda imprimir mais 1 bilhão e termina logo essa joça”. Nisso, os fabricantes de material e os funcionários deles saem para comprar vinho… E a remarcação de preços começa de novo. Para quem vende o material de construção, tudo continua basicamente na mesma. O vinho ficou mais caro, mas eles estão recebendo mais dinheiro direto da sua mão.
Mas para outros habitantes do seu país fictício a situação complicou. É o caso dos operários que estão levantado o estádio. O salário deles continua na mesma, mas agora eles têm de trabalhar mais horas para comprar a mesma quantidade de vinho.
O que você fez, na prática, foi roubar os peões. Ao imprimir mais moeda, você diminuiu o poder de compra dos caras. Inflação é um jeito de o governo bater as carteiras dos governados.
Foi mais ou menos o que aconteceu no mundo real. Primeiro, deixaram as impressoras de dinheiro ligadas no máximo. Só para dar uma ideia: em junho de 2010, havia R$ 124 bilhões em cédulas girando no país. Agora, são R$ 171 bilhões. Quase 40% a mais. Essa torrente de dinheiro teve vários destinatários. Um deles foram os deputados, que aumentaram o próprio salário de R$ 16.500 para de R$ 26.700 em 2010, criando um efeito cascata que estufou os contracheques de TODOS os políticos do país, já que o salário dos deputados federais baliza os dos estaduais e dos vereadores. Parece banal. E até é. Menos irrelevante, porém, foi outro recebedor dos reais novos que não paravam de sair das impressoras: o BNDES, que irrigou nossa economia com R$ 600 bilhões nos últimos 4 anos. Parte desse dinheiro se transformou em bônus de executivo. Os executivos saíram para comprar vinho… Inflação. Em palavras mais precisas, o poder de compra da maioria começou a diminuir. Foi como se algumas notas tivessem se desmaterializado das carteiras deles.
Algumas dessas carteiras, na verdade, sempre acabam mais ou menos protegidas. Quem pode mais tem mais acesso a aplicações que seguram melhor a bronca da inflação (fundos com taxas de administração baixas, CDBs que dão 100% do CDI…, depois falamos mais sobre isso). O ponto é que o pessoal dos andares de baixo é quem perde mais.
Isso deixa claro qual é o grande mal da inflação: ela aumenta a desigualdade. Não tem jeito. E esse tipo de cenário sempre foi o mais propício para revoltas. Revoltas que começam com aquela gota a mais que faz o barril transbordar. Os centavos a mais no ônibus foram essa gota.”

Fonte: Revista Super Interessante.