Brasileirinhas, Música

brasileirinhas# Ingroove – Ok!

ingroove1Banda que está na ativa desde 2010 cujas influências vão na linha de djavan, lenine, joão bosco, jorge vercillo, Los Hermanos, etc. O gênero é algo que pode ser situado entre Soul, Funky, groove, pop e MPB com forte apelo para tocar no rádio. A banda é oriunda de Iguatu/Acopiara, cidades do interior do estado do Ceará, e atualmente é formada por Helinho Gomes [Voz e Teclados], Léo Lima [Voz, violão e guitarra], Welkinay Lima [Baixo], Sussu Mendonça [Bateria] e Paulo Cascavel [Acordeom]. Tem dois disco na bagagem: o primeiro intitulado  simplesmente “Ao vivo e Ponto” e o segundo, que atende pelo singelo nome de 18057719_1521505614555911_7185038728196954316_n“Ok!”, ambos lançados de forma independente. Quanto a este último, musicalmente os material é bom! As composições têm arranjos de muito bom gosto e mostra músicos em sintonia com a modernidade. Diria mesmo que, com melhores condições técnicas a banda realizaria mais amplamente o seu verdadeiro potencial. Entretanto, como pontos a desenvolver destaco a elaboração das letras, que são demasiado românticas, e o vocal, que necessita de um pouco mais de amadurecimento. No geral, o lançamento do álbum “Ok!” consiste de um trabalho importante para a construção da identidade da banda. E certamente tem potencial para agradar muita gente.

Referências:

Brasileirinhas, Música

brasileirinhas# Chico Pio lança disco novo!

Aproveitando o lançamento do seu novo disco, “bonito pra chover”, como convidado de Mimi Rocha, vamos relembrar um pouco a história desse talentoso artista.

Chico Pio nasceu na Parnaíba, filho de pais cearenses. Mudou para Fortaleza aos 14 anos, logo dando início a sua carreira musical. Em 1975, fez shows em bares e teatros no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Teve músicas registradas por Lúcio Ricardo, Ângela Linhares, Paulo Rossglow e Zé Ramalho.

18582225_1398188470240958_7528847539414538209_nAlém do Massafeira que cantou “O que foi que você viu?” uma parceria com Stélio Valle e Nertan Alencar, participou de muitos festivais, conquistando o 1º lugar no “Festival Universitário” (Rio de Janeiro-1977) e “Festival do BNB” (Fortaleza-1980), sendo também premiado no “Crédimus da Canção” (Fortaleza-1980) “Rádio Jornal O Povo” (Fortaleza-1981), “Chama” (Crato-1994), “Canta Nordeste” (Fortaleza-1996) e quatro vezes no “Verão Musical” (Camocim-1989/91/92/99).

Alguns de seus parceiros musicais: Nertan Moreno, Soares Brandão, Luciano Cléver, Alano Freitas, Neudo Figueiredo, Dunga Odakam, Olímpio Rocha, Eugênio Leandro, Ubaldo Sólon, Ricardo Bezerra, Marcelo Serpa, Capinan, Manassés de Sousa, Totonho Laprovitera e Fausto Nilo.

Chico Pio tem três CD’s gravados: Chico Pio (1995), Marca Carmim (1997) em parceria com Luciano Cléver e Beira do Mundo (1999).

Referência: 

Brasileirinhas, Música

brasileirinhas# Samba Jóia – um fenômeno da música popular brasileira!

Por Neivaldo Araújo¹

O Samba-Jóia (também sambão-joia ou somente sambão) foi um termo cunhado por alguns críticos musicais para designar um tipo de samba supostamente de qualidade duvidosa. Benito Di Paula é o principal expoente do desse gênero, que é geralmente tachado de brega.

O movimento, discriminado até hoje no meio acadêmico, reunia o samba-rock (que já era uma fusão de samba com soul music feita por nomes como Jorge Ben) com elementos de bolero e Jovem Guarda, como podemos conferir na música de Agepê, Luiz Américo, Luiz Ayrão, Antonio Carlos e Jocafi e Gilson de Souza.

Cantores e compositores como Luiz Ayrão, gravou “Os Amantes”, “Porta Aberta” e o mega sucesso “A Saudade que Ficou (O Lencinho)”. Benito Di Paula “Ah! Como eu Amei”, Agepê - Mistura brasileira“Retalhos de cetim”, “Se nâo for Amor”, Antônio Carlos e Jocafi  “Água Viva”, “Opus 2”, “Você abusou”, e ainda, no mesmo bolo, Agepê com “Menina de Cabelos Longos”,  “Moro Onde não Mora Ninguém”, “Luiz Desafio”, “Américo Camisa 10” e “O Gás Acabou”. Outro referencial do gênero a música “Pôxa” gravado por Gilson de Souza é considerada um dos mais belos sambas da época. Muito bem recebidos por gente de várias faixas sociais, principalmente pelas classes menos abastadas, foram considerados por alguns críticos como “música de qualidade duvidosa”.

3248046_origEstes artistas recolocaram o samba nas principais emissoras de rádio e TV do país, sendo responsáveis por vendas expressivas do gênero na década de 1970. Segundo Luiz Ayrão, o termo “Samba-jóia” apareceu em uma coluna do Jornal Estado de São Paulo, no final da década de 1970.

wando3Em certos casos, eles contavam com uma reputação semelhante à de compositores e cantores como Paul Anka e Neil Sedaka, que, surgidos num contexto comercial no cenário do rock, eles preferiram se sobressair, depois, como compositores românticos. Junto a eles, apareceu o cantor Wando, através de sucessos como Moça, Senhorita.

efc09299b9d888dc22a4d42590d8834aNa segunda metade dos anos 80 grandes partes desses artistas caíram no esquecimento da mídia, porem deixaram um legado e passaram a influenciar uma geração de artistas, lançados pouco depois como astros da música sertaneja como Chitãozinho e Xororó, Leandro e Leonardo, Zezé Di Camargo e Luciano, entre outros. Influenciaram também os compositores Michael Sullivan e Paulo Massadas, principalmente por causa dos sucessos de autoria destes, gravados pela sambista Alcione.

19e2888845e91f2d79b1384f8198f183Alguns críticos apontam o gênero como precursor do “pagode romântico” da década de 90, pelas influências e trejeitos similares, o primeiro grupo de sucesso foi o Raça Negra, seguido do Só Pra Contrariar (que lançou o cantor Alexandre Pires), Katinguelê, Grupo Molejo, Negritude Júnior, Art Popular, Karametade, Exaltasamba, Soweto (que lançou o cantor Belo) e Os Morenos.

Ao contrario do que alguns críticos disseram o Samba-Jóia não foi uma moda musical passageira. Deixou vários sucessos, muitos dos quais tocados até hoje, e influenciou muita gente no cenário da musica popular, até mesmo a face mais elitizada da chamada MPB.

Grandes Sucessos do Gênero:

  1. Água Viva – Antônio Carlos e Jocafi. Disco: Agua Viva (1980) – Compacto
  1. Ah! Como eu Amei – Benito de Paula. Disco: Benito de Paula (1981)
  1. Além do Arco Íris – Benito Di Paula. Disco: Benito Di Paula (1976)
  1. Camisa Dez – Luiz América. Disco: Camisa Dez (1974)
  1. Desafio – Luiz Américo. Disco: Desafio (1973) – Compacto
  1. Do Jeito que a Vida Quer – Benito de Paula. Disco: Benito di Paula (1976)
  1. Menina de Cabelos Longos – Agepê. Disco: Menina dos Cabelos Longos (1977)
  1. Meu Amigo Charlie Brown – Benito di Paula. Disco: Gravado ao Vivo (1974)
  1. Mulher Brasileira – Benito di Paula. Disco: Brasil Som 75 (1975)
  1. Moro Onde não Mora Ninguém – Agepê. Disco: Moro Onde não Mora Ninguém (1975)
  2. Nossa Canção – Luiz Ayrão. Disco: Luiz Ayrão (1976)
  1. O Gás Acabou – Luiz Américo. Disco: Cartão Vermelho (1977)
  1. Opus 2 – Antônio Carlos e Jocafi. Disco: Louvado Seja (1978)
  1. Os Amantes – Luiz Ayrão. Disco: Luiz Ayrão (1977)
  1. Porta Aberta – Luiz Ayrão. Disco:  Porta Aberta (1973) – Compacto
  1. Pôxa – Gilson de Souza. Disco: Pôxa (1975)
  1. Proteção das Borboletas – Benito Di Paula. Disco: Benito di Paula (1977)
  1. Retalhos de Cetim – Benito Di Paula. Disco: Um Samba Novo (1973)
  1. A Saudade que Ficou (O Lencinho) – Luiz Ayrão. Disco: Amigos (1979)
  1. Se nâo for Amor – Benito de Paula. Disco: Um Samba Novo (1973)
  1. Você Abusou – Antônio Carlos e Jocafi. Disco: Mudei de Ideia (1979)

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02 - neivaldo-9-2¹Neivaldo Araújo é um estudioso da música brasileira. Natural  de Fortaleza/Ce, pesquisa e escreve sobre os temas mais variados, fazendo uso de uma abordagem simples e direta, busca apresentar a “nossa” música através de uma perspectiva pessoal, porém, de largo alcance.

Brasileirinhas, Música

brasileirinhas# Geração Massafeira – Cantores, compositores e intérpretes [3]

Parte2#

[o presente texto é uma colaboração de Neivaldo Araújo]

01Pachelly Jamacarú no Massafeira com a canção “Não Haverá mais um Dia” representou um importante polo cultural do Ceará, a região do Cariri, Pachelly chegou de sua terra natal ao festival em grande caravana trazida pelo cineasta Rosemberg Cariry.

Pachelly é irmão mais novo do também cantor e compositor Abroral Jamacarú, possui atualmente três CDs gravados. Há muitos anos, possui como hobby a fotografia, que ultimamente tem se tornado uma verdadeira paixão. Já realizou diversas exposições de seus trabalhos fotográficos com grande sucesso.

02Régis e Rogério Soares são gêmeos, cantores e compositores e irmãos de Ednardo. Participaram do projeto Massafeira Livre com as musicas “Pé de Espinho” com Régis e Rogério, “Brejo” com Régis e “Estradeiro” com Rogério Soares.

Após o festival continuaram trabalhando como dupla, lançaram alguns CDs, passando por vários ritmos incluindo o forro, mas não alcançaram o mesmo reconhecimento do irmão.

A canção “Pé de Espinho” interpretada pela dupla foi vencedora de um importante festival em Fortaleza promovido pela Credimus Financeira que também reuniu outros nomes do Massafeira, em 2013 a cantora Paula Tesser em seu primeiro disco solo Valha regravou a canção.

Sergio Pinheiro [foto não localizada]

Na juventude ficou conhecido por suas atividades politicas, no Massafeira cantou a bem humorada “Buenos Aires (Citroen)” uma parceria com Stelio Valle, durante toda a musica é acompanhado por um coral, que traz a ideia de uma musica coletiva, não seguiu a carreira de cantor, para se tornar um dos mais premiados artistas plástico cearense.

Com diversas exposições coletivas e individuais, suas obras estão expostas em  Paris (França), Arequipa (Peru), Durham (Inglaterra), em 1981 venceu um concurso para realização de cartões de natal na França.

03Como compositor participou do Massafeira com quatro canções: “O que foi que você viu?” (com Chico Pio e Nertan Alencar) Interpretada por Chico Pio, “Buenos Aires – Citroen” (com Sérgio Pinheiro) Interpretada por Sérgio Pinheiro, “Reisado” (com Graco e Augusto Pontes) Intérpretada por Ednardo e ”Jardim do Olhar” (com Fausto Nilo) Interpretada pelo Coro Massafeira.

Compositor e músico desde 1966, quando começou a participar de festivais de música em  Fortaleza. A partir dos anos 70 fez shows individuais e coletivos, dividindo o palco com Rodger de Rogério, Téti, Sérgio Ricardo, Ednardo, Fagner, Cirino, Ricardo Bezerra, Ferreirinha e tantos outros talentos.

Teve suas composições gravadas por vários intérpretes como Cirino ( LP “Estrela Ferrada”, de 77), Téti (LP Equatorial, de 79), Nara Leão ( LP “Romance Popular”, de 81), e Zizi Possi (Lp “Asa Morena”, de 82).

Em 1981 gravou de forma independente, no Rio de Janeiro, seu próprio disco: Brilho, conta com as participações de outros cantores e compositores que também projeto “Massafeira” como Lúcio Ricardo, Ângela Linhares e Ana Fonteles.

Também marcaram presença no disco: Bimba (cantora do grupo “Brazuca”), Nonato Luiz, Mingo Araújo, Manassés, Petrúcio Maia, Cândido, Ife (a Banda de Santarém completa), Antônio Adolfo e Túlio Mourão. O show de lançamento de “Brilho” aconteceu em janeiro de 1982, em Fortaleza.

Em 1999 já na era do Cd lançou o álbum Ser Feliz com destaque para faixa “Romance Popular” faleceu aos 57 anos vitima de acidente vascular cerebral em 2008.

TANIA CABRALSe os tempos eram de ditadura não faltavam canções de protesto, a busca por mais liberdade era a temática da canção “O Rei” de Tania Cabral e interpretada pela autora e Teti.

Tânia morava em Minas Gerais e uma vez formada em Economia Doméstica, mudou-se para o Amazonas. Mas veio passar férias em Fortaleza e aproveitou para participar de um festival – no qual, só se inscreveu por insistência de uma irmã.

Daí veio sua aproximação com o Pessoal do Ceará e sua amizade, e com Ednardo, pelo lado musical. Vieram canções como “Palmas pra dar Ibope”, registrada no famoso LP “Meu corpo, minha embalagem, todo gasto na viagem”, de 1973, que reuniu Ednardo, Téti e Rodger Rogério. E “Boca de forno”, que se destacara no festival e tempos depois, seria gravada por ninguém menos que o rei Luiz Gonzaga.

Conta que apesar da aptidão pela musica não chegou a acompanhar os passos do sucesso. Tânia deu seu recado no Massafeira e continuou mantendo a habitual discrição, mas nunca parou de compor.

Em 2005 lançou o cd “Vale a Pena” com canções mais recentes, como “Ciranda de Viçosa”, e antigas, como “Rendados”, composta com Ednardo. Registra ainda sua parceria com Ieda de Abreu em “Ideário” e uma contribuição de Stélio Valle e Lázaro Gonçalves, “Asa de bom querubim”. Vai do “Bolero” com trechos em espanhol ao “Bê-a-bá, bagagem”, que parece resumir o espírito do disco e de sua autora.

04Cantor e compositor, engenheiro, gerente regional da Cogerh, participou do movimento Massafeira Livre com a música “Vira Vento”. Também ficou conhecido com a canção Lagoa de Aluá, em parceria com Ednardo e Climério.

Teve participações em festivais em Sergipe e na Bahia: Festival Canta Nordeste, com “Pássaros Azuis”, Festival de Vitória da Conquista, com “Painel” e festival no sudeste do País, em 2011 lançou o cd autoral Nascente e regravou sua canção de participação no Massafeira.

05Outro talentoso cantor e compositor da geração Massafeira. Sua canção “Isopor” é uma declarada critica à exploração humana. Este é um dos artistas que pouco tive informações. Depois do festival mudou seu nome artístico para Tazo Costa. Nos anos 80 em Fortaleza participou de projetos “Lazer e Verão” e “Maio Mulher”, que reunia nomes como Lily Alcalay, Regis e Rogerio, Iris Sativa e Ednardo. Afastado da musica vive recluso no bairro Cidade 2000.

Existe uma informação na internet não confirmada, com o não seguimento de sua carreira, Tazo passou viver perambulando pelas ruas do seu bairro, totalmente esquecido.

Neivaldo Araújo é um estudioso da música brasileira a qual marcou sua vida desde a infância. Natural  de Fortaleza/Ce, pesquisa e escreve sobre os temas mais variados, fazendo uso de uma abordagem simples e direta, busca apresentar a “nossa” música através de uma perspectiva pessoal, porém, de largo alcance.

Brasileirinhas, Música

brasileirinhas# Geração Massafeira – Cantores, compositores e intérpretes [2]

parte1#

[o presente texto é uma colaboração de Neivaldo Araújo]

Francisco Pio Napoleão um simplesmente Chico Pio nasceu na Parnaíba, filho de pais cearenses. Mudou para Fortaleza aos 14 anos, logo dando início a sua carreira musical. Em 1975, fez shows em bares e teatros no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Teve músicas registradas por Lúcio Ricardo, Ângela Linhares, Paulo Rossglow e Zé Ramalho.

Além do Massafeira que cantou “O que foi que você viu?” uma parceria com Stélio Valle e Nertan Alencar, participou de muitos festivais, conquistando o 1º lugar no “Festival Universitário” (Rio de Janeiro-1977) e “Festival do BNB” (Fortaleza-1980), sendo também premiado no “Crédimus da Canção” (Fortaleza-1980) “Rádio Jornal O Povo” (Fortaleza-1981), “Chama” (Crato-1994), “Canta Nordeste” (Fortaleza-1996) e quatro vezes no “Verão Musical” (Camocim-1989/91/92/99).

Alguns de seus parceiros musicais: Nertan Moreno, Soares Brandão, Luciano Cléver, Alano Freitas, Neudo Figueiredo, Dunga Odakam, Olímpio Rocha, Eugênio Leandro, Ubaldo Sólon, Ricardo Bezerra, Marcelo Serpa, Capinan, Manassés de Sousa, Totonho Laprovitera e Fausto Nilo.

Chico Pio tem três CD’s gravados: Chico Pio (1995), Marca Carmim (1997) em parceria com Luciano Cléver e Beira do Mundo (1999).

Antes de falar do compositor Ferrerinha, queria comentar sua entrevista que consta no site Amigos de Fagner, no qual fala que no Massafeira tem algumas coisas ruins, inclusive sua musica Atalaia composta em parceria com os irmãos Graco e Caio Sílvio, eu discordo plenamente a musica é linda, uma das minhas preferidas.

Depois do Massafeira mudou seu nome artístico para Francisco Casaverde é compositor pianista, tecladista, arranjador e professor de música, deste criança gostou de tocar piano e lembra que Caio Sílvio e Graco (amigos de infância),  foram muito importantes durante o processo de se tornar um  compositor, sempre ajudaram e afirma que aprendeu muito com eles.

Na década de 70 através de shows teve oportunidade de conhecer Fagner, Ricardo Bezerra, e compor uma de suas musicas mais conhecidas “Frenesi” em parceria com Petrucio Maia e Fausto Nilo, foi gravada por Fagner no lp Beleza em 1979, no começo de 1981 mudou-se para o Rio de Janeiro mesmo bairro que morava Fausto Nilo, aprimorando a amizade entre os dois.

Como compositor tem, entre outras, músicas gravadas por Fagner (Qualquer Música, Cartaz, Reisado, Deixa Viver, Amor e Crime); Simone (Um desejo só não basta); Belchior (Lira dos Vinte Anos, Amor de Perdição, Baihuno, Balada do Amor Perverso); Roupa Nova (Fumaça); Tânia Alves (Bocas Iguais); Ritchie (Dejà vu, Obsessão), em parcerias com Fausto Nilo, Belchior, Ritchie, Caio Sílvio e outros.

Em 2000 lançou o cd Rubi de música instrumental, com doze músicas inéditas, dez das quais são de sua autoria. Este trabalho é composto por sequenciadores e baterias eletrônicas com instrumentos acústicos e ritmos brasileiros, contando com uma participação de Mingo Araújo (percussão), Manassés de Sousa (violas) e Adelson Viana (acordeon e piano), budista lançou também lançou cds sobre meditação.

Graco Silvio Braz, cantor e compositor cearense, participou do Album Massafeira-Feira Livre com a musica “Pelos Cantos”, junto com o irmão, Caio Sílvio, compôs “Noturno”, a música que foi um grandes sucessos do cantor Raimundo Fagner.

Lembra: “O Fagner viu uma apresentação da gente durante o SBPC, lá em Fortaleza, viu e pediu uma fita pra gravar uma outra música, do Graco e do Raimundo Osvaldo. E gravou Noturno, nesta fita nós incluímos Noturno, mandamos três músicas pra ele e ele gravou Noturno. Quando ele ouviu casou muito com a música, disse que era a música que tava faltando pro disco dele”, a musica tornou-se tema de abertura da novela Coração Alado exibida pela Rede Globo em 1980.

Mesmo tendo participado de vários festivais de música em Fortaleza, Graco optou por seguir a carreira de publicitário, mas sem abandonar totalmente a música. Parceiro de Belchior, Graco teve várias músicas suas gravadas por ele, assim como por Oswaldinho e Joanna.

Morando em São Paulo desde os anos 80, Graco gravou seu CD solo, “Kizumba-Mass” em 2001, pela gravadora Atração. Com um belo projeto gráfico e participações especiais de Ednardo, Anastácia, Oswaldinho e Daniel Taubkin, o CD traz a versão do autor de “Noturno” e passeia por vários ritmos, mostrando a diversidade e a universalidade da música de Graco.

Outro grande sucesso da dupla Graco e Caio Silvio é a musica “Vertigem” faixa de abertura do álbum Vidamor da cantora Joana lançado em 1982.

O cantor e compositor Lúcio Ricardo surgiu na cena musical cearense por volta de 1976 e 77, inspirados pelos pais que eram cantores de rádio, seu padrasto foi um dos primeiros a gravar na Radio Assunção e ter prestigio e fama como cantor de radio em Fortaleza.

Nessa época Lucio fundou o “Perfume Azul”, grupo se manteve por dois ou três anos com varias formações ressaltando a ultima: Siegbert Franklin na guitarra, Ronald de Carvalho  no baixom Mocó na bateria e Nélio também na guitarra, foi um dos primeiros grupos rock a surgir em Fortaleza, Influenciado por diversos gêneros musicais como o blues, além do o rock clássico, Jimi Hendrix, Janis Joplin, o tropicalismo e a Jovem Guarda, sempre combinada à tradicional canção cearense.

Foi um dos artistas mais prestigiados do álbum Massafeira, cantando duas musicas ”Aviso aos navegantes” e “Em cada tela uma história” as duas de sua autoria.

Dono de um timbre grave com forte influencia do blues, é conhecido como um show men da noite cearense, já foi premiado em festivais, participou de vários cds coletivos, em 2003 lançou durante a Feira da Musica um cd ao vivo no qual regravou “Aviso aos navegantes”, “Sorvete” (canção já gravada por Lucio em um disco de Stelio Valle), clássico da geração Massafeira), “Eu não sabia que você Existia” (sucesso da dupla Leno e Lilian) entre outras.

005_-2Marta Lopes antou “Frio da Serra” uma das poucas canções que não eram inéditas em Lp, a musica já tinha sido gravada por Fagner em participação especial no disco da banda Santaren entre seus membros um dos autores da musica, Petrucio Maia e o violonista Manasses, a letra remete a sensação de liberdade tão desejada por aquela geração.

Nos créditos do álbum o nome de Marta aparece apenas como M. Lopes, ela cantou acompanhada do irmão Raimundo Fagner e Ednardo, apesar de todo sucesso do irmão, Marta não seguiu carreira, e pouco ouvi falar dela nesses anos, apenas que ainda mora em Fortaleza.

006_-2Mona Gadelha era uma das interpretes mais novas do Movimento Massafeira, cantou de sua autoria o blues “Cor de Sonho”, ao longo dos anos tornou-se sua canção de assinatura, segundo a autora escrita quando tinha apenas 16 anos no tempo que morava no centro da cidade.

Mona além de cantora, compositora é jornalista, formou-se em Comunicação Social na Universidade Federal do Ceará e fez pós-graduação em Globalização e Cultura na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.

Começou a carreira cantando em bandas de rock de Fortaleza, tais como Kaleidoscópio e Emoções Perigosas. Com esta última, gravou um single e excursionou pelo Nordeste.

Mona venceu o Concurso de Contos Femininos do Jornal O Povo, com júri presidido pelo escritor Moreira Campos, em 1980. Também como escritora, publicou um perfil biográfico de José de Alencar (2001) e o livro de contos Contagem Depressiva (1980). Foi também editora do semanário Meio e Mensagem, atuando ainda como jornalista na TV Manchete, O Povo e O Estado de S. Paulo, sempre atuou nas áreas de comunicação e cultural,

Lançou os CDs Mona Gadelha (1996), Cenas e Dramas (2000), Tudo se Move (, 2004), Salve a Beleza (2010), “Praia Lírica, um tributo à canção cearense dos anos 70 (2011)

Parte 3


02 - neivaldo-9-2Neivaldo Araújo
é um estudioso da música brasileira a qual marcou sua vida desde a infância. Natural  de Fortaleza/Ce, pesquisa e escreve sobre os temas mais variados, fazendo uso de uma abordagem simples e direta, busca apresentar a “nossa” música através de uma perspectiva pessoal, porém, de largo alcance.

Brasileirinhas, Música

brasileirinhas# Geração Massafeira – Cantores, compositores e intérpretes [1]

[o presente texto é uma colaboração de Neivaldo Araújo]

Massafeira Livre foi um movimento musical brasileiro que aconteceu entre os anos de 1978 e 1980 no Ceará. O movimento se consolidou por meio de uma feira cultural realizada em 1979 no Teatro José de Alencar, em Fortaleza, abrangendo também manifestações artísticas como artes plásticas, cinema e literatura.

Foi lançado um álbum duplo em 1980, a partir do registro em estúdio de obras e performances de artistas que fizeram parte da Massafeira Livre.

No ano de 1979, cerca de quarenta músicos, intérpretes, produtores e arranjadores que participaram da movimentação cultural em torno da Massafeira Livre viajaram para o Rio de Janeiro para gravar o álbum, que foi lançado pela gravadora CBS (hoje Sony Music).

A única faixa gravada durante o evento e incluída no álbum duplo foi “Senhor Doutor”, de Patativa do Assaré. Foi a primeira vez que o poeta popular cearense se apresentou para o público da capital do seu estado.

O cantor e compositor Ednardo fez a direção artística, direção de produção e direção de estúdio do álbum Massafeira. A co-produção foi assinada por Augusto Pontes. A coordenação musical ficou a cargo de Rodger Rogério, Petrúcio Maia e Stélio Valle

Entre seus participantes, estiveram artistas:

01 - alanoÉ compositor, artista plástico, escritor, pianista, participou do Massafeira como autor da canção “O Sol é que é o quente“ interpretada por Ednardo e Ana Fonteles faixa que abre o disco dois do álbum.

Sua influencia musical herdou do seu pai, Aleardo Freitas, despachante aduaneiro na Alfândega, mas também um conceituado violonista e compositor, que chegou a acompanhar artistas famosos na época, do talento de Alcides Gerardi, Cauby Peixoto e Sônia Mamede, entre outros.

No campo das artes plásticas, Alano recorda também do seu tempo de infância, quando já tentava praticar os seus primeiros rabiscos. “Desde criança, com uns cinco ou seis anos, eu já desenhava, copiando revistas em quadrinhos”.

Começou a compor na época que estudou no Colégio Cearense, depois passou a participar dos festivais musicais no final da década de 60, onde conheceu nomes como Augusto Pontes, Ricardo Bezerra, Fagner, Teti e Rodger Rogério.

Sempre foi um agitador cultural, lançou o disco “Liberado” em 1989, que registrou as parcerias com Francis Valle, e o Cd “Quaisquer Canções” em 2007, desta vez os parceiros são vários como Chico Pio, Abdoral Jamacaru, Joaquim Ernesto entre outros,  grandes nomes foram convidados para interpretar as canções e Alano só interpreta uma música, em dueto com Kátia Freitas.

02 - ana fontelesQuando participou do disco Massafeira estava recém chegada de Parnaíba, veio para concluir os estudos e fazer o vestibular, cantou “O Sol é Que é o Quente” em dueto com Ednardo nos créditos da contra capa do disco seu nome aparece apenas como Aninha.

Deu continuidade sua carreira como cantora, com os irmãos Jabuti, Tim e Zeze Fonteles todos músicos e compositores, participou ativamente da musica cearense nos anos 80 e 90, Sua reconhecida versatilidade musical a levou ainda a gravar participações em discos tão heterogêneos como “Melhor que mato verde”, de Petrúcio Maia; “Brilho”, de Stélio do Valle; “Liberato”, de Alano e Francis Valle; “Cria do Mundo”, de Jabuti e “Geléia Gerou”, coletânea de compositores e intérpretes nordestinos.

O primeiro disco solo, no entanto, só viria em 1990, de forma independente. O LP “Ana Fonteles” registra o ecletismo musical da cantora, passeando entre baiões, maxixes, tango e blues em canções de, entre outros, Eugênio Leandro, Osvaldo Barroso, Amaro Pena, Fausto Nilo e Geraldo Azevedo,  a cantora faleceu em 2004 em decorrência de um câncer no pâncreas. Ana tinha 45 anos.

03 - angela linharesÂngela Linhares interpreta a singela ‘Como as primeiras chuvas do caju” uma parceria sua com um grande nome do Pessoal do Ceará, Ricardo Bezerra autor de varias canções com Fagner no inicio de sua carreira.

Antes do Massafeira Ângela fez parte do grupo Raízes, que trazia no reportório forte influencia da musica latina, com o grupo lançou dois LPs, era formado por sete músicos, além de Ângela Linhares de destaca no grupo o musico mineiro Tino Gomes , por sua vez, seguiu carreira solo como músico independente, trabalha também como ator e humorista ao lado de Saulo Laranjeira.

Compositora inspirada, autora de varias composições, como cantora tem importantes participações especiais em discos de Petrucio Maia cantando “Passaras, Passaras, Passaras”, e Stelio Vale cantando “Agua” (essa mesma musica faz parte no álbum Massafeira com o titulo Jardim do Olhar).

Ângela é também dramaturga e professora doutora da Universidade Federal do Ceará, assessora pedagógica da Associação de Corais Infantis Um Canto Em Cada Canto e participante como dramaturga da Companhia Vidança.

Participa como docente do Mestrado em Saúde Pública da Faculdade de Medicina da UFC e é membro da Articulação Nacional de Educação Popular em Saúde e do conselho consultivo do Instituto Terramar.

04 - brandãoNasceu no Ceará, mas passou a infância e a adolescência no Piauí, teve uma participação especial no Massafeira, conta a historia que o titulo do festival foi uma ideia sua e de Ednardo, responsável também pela arte gráfica, que incluiu principalmente os dois cartazes do Massafeira Livre e a capa do disco, tiveram como inspiração o carneiro.

Esclarece o autor: Quando o Ednardo viu os esboços, ele imediatamente imaginou que a fonte da inspiração havia sido a canção “Carneiro”, dele e do Augusto Pontes, mas não foi. A ideia do carneiro veio da associação que trago desde a infância entre este animal e a feira popular.

Brandão é arquiteto, é  também de sua autoria o texto manifesto na contra capa do disco, como compositor participou do álbum com a canção “Frio da Serra” composta com dos seus principais parceiros Petrucio Maia.

05 - calé alencarFoi outro grande artista cearense que teve sua estreia no Massafeira, cantando sua canção Vento Rei em parceria com o falecido Zé Maia, a canção também seria gravada pela cantora Teti.

Calé Alencar tornou-se um dos nomes mais conhecidos da arte de Fortaleza, envolvido em vários projetos em preservação da cultura, principalmente do Maracatu. Em 1989, gravou o disco “Um pé em cada porto”. neste LP, destaque para  as faixas “Equatorial” de sua autoria com Fausto Nilo, “Além do cansaço”, de autoria de Petrúcio Maia e Brandão, com a participação especial de Tetê Espíndola e Trem de Ferro de Lauro Maia, no ano de 1992, lançou “Estação do trem imaginário”, disco que incluiu “Canoa quebrada”, com Carlos Pita, “Flor do bem querer”, com Ângela Linhares.

Em 2004, recebeu o prêmio de melhor produtor da música cearense,  participou de 2006 a 2010, da Comissão de Avaliação do Programa BNB de Cultura,  é também autor de loas apresentadas no desfile carnavalesco da capital cearense pelos maracatus Az de Ouro.

Como resultado de sua pesquisa sobre a música popular brasileira, em especial sobre o baião e o compositor cearense Humberto Teixeira, Calé Alencar participou do filme O Homem que Engarrafava Nuvens, documentário produzido por Denise Dumont, filha de Humberto Teixeira, dirigido pelo premiado Lírio Ferreira.

Sua discografia conta ainda: Dragão vivo (2000) Loas de Maracatu Cantigas de Liberdade (2005) 15 Anos, 15 Loas + 1 Hino (2009) Costumes e Diversões (2011).

01 - neivaldo-2Neivaldo Araújo é um estudioso da música brasileira a qual marcou sua vida desde a infância. Natural  de Fortaleza/Ce, pesquisa e escreve sobre os temas mais variados, fazendo uso de uma abordagem simples e direta, busca apresentar a “nossa” música através de uma perspectiva pessoal, porém, de largo alcance.

Brasileirinhas, Música

Brasileirinhas# Luiz Gonzaga – um legado rico de sons e de imagens!

[o presente texto é resultado da colaboração entre Neivaldo Araújo e Eu]

gonzaga-de-pai-pra-filhoTodo brasileiro conhece ou deve conhecer, pelo menos em parte, a historia de Luiz Gonzaga. Na cultura nordestina seu nome é lembrado ao lado de lendas como a de Lampião e de Padre Cicero. Sua historia é cinematográfica: um menino pobre que fugiu de Exu (na dedada de 80, uma das cidades mais violentas do Brasil, que vivia a guerra de duas famílias, os Alencar contra os Sampaio), com um sonho e algum talento, construiu uma carreira que atravessou modas e conjunturas e fez história na música popular do Brasil. Falecido, em 1989, teve somente em 2012, sua história contada em filme.

abr84---da-esquerda-para-a-direita-os-musicos-dominguinhos-guadalupe-fagner-e-sivuca-durante-gravacao-com-luiz-gonzaga-o-rei-do-baiao-centro-1356025670592_956x500O Rei do Baião, como acabou ficando conhecido, foi sempre fiel às suas origens, às suas raízes. Diferente de muitos artistas, renegou todos os modismos musicais e construiu um nome que é lembrado como o maior divulgador da cultura nordestina no país. Um aspecto admirável na sua obra é a grande influencia musical que exerceu nas várias gerações de músicos, a contar de seu surgimento como artista. Sua musica se tornou referencial para, não apenas nordestinos, mas músicos, intérpretes e compositores de todo o país.

silvia-101.0211A Jovem Guarda na década 60 trouxe definitivamente o rock para o Brasil, e com ele, gírias e modismos copiados da cultura pop inglesa. Nem por isso deixaram de prestar referência à Luiz Gonzaga. O casal 20 da Jovem Guarda Eduardo Araújo e Silvinha, gravaram belas versões do compositor pernambucano, como foi caso de “Juazeiro” em ritmo de soul na voz de Eduardo Araújo (que considera Gonzaga um dos artistas mais representativos do país e, mais do que isso, um papa da musica brasileira), e “Paraíba” em um autentico rock psicodélico numa interpretação perfeita de Silvinha.

arton4511O Tropicalismo, movimento musical vanguardista inspirado na contra cultura e liderado pelos baianos Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa, fizeram uma revolução na musica brasileira ao misturar elementos da cultura jovem mundial como o rock, à psicodelia, à guitarra elétrica e à música genuinamente brasileira. Entre suas influências, o Baião, de Luiz Gonzaga.

Naquela época, alguns críticos consideravam ultrapassada a estética sonora de Luiz Gonzaga. Concomitantemente, ouvir as canções de protesto com apelo e teor politico era sinal de estar em sintonia com aqueles tempos. Nesse sentido, as versões dos baianos para algumas canções do mestre Gonzagão, fizeram a juventude “mais” ideologicamente engajada, conhecer e discutir o valor atemporal da música de Luiz Gonzaga.

caetano_veloso_02Caetano Veloso em seu disco de 1971, gravou uma longa versão do clássico “Asa Branca”, uma interpretação lenta, na qual enfatizou o sotaque e os ritmos regionais. Num estilo muito parecido, Gal Costa gravou a triste “Assum Preto” (as duas musicas de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira) em o antológico show “Gal a Todo Vapor”.

download22222De acordo com as diversas pesquisas realizadas, parece-nos que, de todos tropicalistas, aquele que mais permitiu-se influenciar pelo som de Luiz Gonzaga enquanto referencial musical-estético foi mesmo Gilberto Gil. Um artista que sempre valorizou em sua obras os ritmos genuinamente nordestinos. Tendo demonstrado em diversas ocasiões, o gosto pela música de Gonzagão, Gil gravou um disco inteiramente dedicado às canções de Luiz Gonzaga em 2012.

Oriundos de vários estados, no começo dos anos 80 uma geração de nordestinos invadiu literalmente a musica brasileira. do Ceará, nomes como Belchior, Fagner e Ednardo; de Pernambuco, Alceu Valença e Geraldo Azevedo; da Paraíba, Elba Ramalho e Zé Ramalho. Todos com um ponto comum, a música Luiz Gonzaga.

gonzagao-e-fagner-frente-500x498Fagner ainda na sua fase “Pessoal do Ceará”, no álbum de 1974, fez uma leitura de “Riacho do Navio”. Uma interpretação moderna, bem no estilo vanguarda – uma de suas características no inicio da carreira. Em 1984 lançou um álbum completo em parceria com Luiz Gonzaga, gravando grandes sucesso do Rei do Baião. Um disco que ajudou a consolidar seu nome no panorama da música brasileira, e, até hoje, um disco importantíssimo na sua carreira.

Flor da PaisagemA cantora Amelinha em seu disco de estreia “Flor de Paisagem” de 1977, gravou “Cintura Fina” no ritmo do velho e bom forró com gingado, feito para dançar. Disco que, inclusive, completa 40 anos em 2017. [E que], segundo define a cantora, foi o “cartão de visitas” de sua carreira. [Nesse sentido], demorou um pouco para tocar nas rádios. A estreia de Amelinha no mercado fonográfico, contudo, foi resultado de histórias e momentos diversos, que antecederam a gravação e foram decisivos para a construção de sua identidade artística.

alceu-valenca-divulgacao-1Alceu Valença considera Luiz Gonzaga seu mestre desde a sua juventude. Para ele, a musica de Gonzaga é tão importante quanto a de Elvis Presley. Como poucos, gravou Luiz Gonzaga: Baião, Respeita Januário, Vem Morena, e muitas mais. Enquanto morou fora, Valença conta que: “entre uma conferência e outra, cantando para os hippies, comecei a tocar Luiz Gonzaga. Os gringos ficaram loucos com essa música! Pensei: “Vixe, lá no Brasil, ninguém gosta disso”, porque Gonzaga estava em baixa. Eu, como sou da mesma região dele, ouvia as canções que influenciaram o Gonzagão. Vi que eu tinha que tocar as músicas da minha terra.” Outro causo que merece destaque é que: “ao assistir a um show de Alceu, no início de sua carreira, o sanfoneiro avaliou o novato: “Sua música soa como uma banda de pífano elétrica”. E, “no último encontro, o mestre pediu ao discípulo que cuidasse de seu legado: “Não deixe meu forrozinho morrer”.

20140820183122398186uA esfuziante Elba Ramalho, era uma espécie de afilhada de Luiz Gonzaga, herdeira musical direta, em 2002 gravou o disco Canta Luiz em homenagem ao mestre Luiz Gonzaga, repleto de clássicos do cancioneiro popular brasileiro. “Luiz Gonzaga sempre esteve na minha música, foi o que ouvi desde criança. Ele gostava do meu trabalho e sempre o elogiava, desde que gravamos juntos Sanfoninha Choradeira, em 1984.” Ao escolher as 13 faixas do disco, Elba evitou os hits de propósito. Gravou O Xote das Meninas e Vem Morena, mas preferiu o choro O Xamego da Guiomar (que canta com Zeca Pagodinho), a valsa Orélia, o xote Aquilo Bom (Garotas do Leblon) e O Cheiro da Carolina, porque acredita existir uma vertente esquecida do público.”

img-1037562-marisa-monteChega à geração dos anos 90 e mais uma vez a musica brasileira passa por uma renovação que revelaria, entre outras, a cantora Marisa Monte. E logo eu seu primeiro álbum de 1989 homenageia Luiz Gonzaga com uma fantástica leitura de “O Xote das Meninas”. A escolha de Marisa, não poderia ser mais certeira, pois assinala o encontro da poesia de Gonzagão com o estilo doce e cativante da cantora. “Seus versos iniciam cantando o mandacaru, um cacto que independe da chuva para florescer, fenômeno esse que, quando acontece no período da seca, deixa o caboclo crente de que a trovoada se aproxima. Tal superstição nos levou a estabelecer uma símile entre a flor de mandacaru, sinal prodrômico da chuva que chega dando fecundidade à terra, e a menina que, enjoando da boneca, torna-se mulher.”

A música, como quase todos os movimentos estéticos, se renova por meio de ciclos, que geralmente se dão por revisões e revisitações de obras que marcaram um período histórico ou um estilo de época. Admirado por muitos, Luiz Gonzaga deixou um legado riquíssimo de sons e de imagens, que faz com sua obra se projete sempre para a frente a despeito do tempo. Disto decorre que uma obra com tamanho valor concreto e simbólico será sempre motivo de revisitas e de releituras por parte de artistas de um modo geral, não somente músicos. A obra de Luiz Gonzaga é indelével.

Referências:

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Neivaldo Araújo

Tendo a música como seu maior referencial artístico e cultural, pesquisa e escreve sobre temas como o romantismo e o existencialismo dos anos 70 e 80, os quais, foram imprescindíveis para o surgimento e a qualificação dos movimentos musicais brasileiros e internacionais.