Arte, Música

domingoblues# Motörhead – Whorehouse Blues

Subversão, contestação e desprezo pelas regras foram as principais fontes de inspiração para o Motorhead. Banda cuja trajetória persistiu por 4 décadas e que certamente teria ido além se Lemmy (cujo lema era “quando surge uma tentação eu cedo imediatamente”) não houvesse falecido em 2015. Com Whorehouse Blues, o “Blues do Bordel” (Inferno, 2004), a banda nos leva um passeio pelos prazeres da carne.

Arte, Curiosidades, dicas de leitura

1922

Tal como 1976, um ano, marcante para a humanidade em muitos aspectos. A politica, a economia e sobretudo as artes assinalaram ali, marcos estruturais, como nos contam os registros literários da época:

Capa_Constelacao de genios.indd“Quando publicado na Inglaterra há dois anos, Constelação de Gênios mereceu crítica do também escritor Will Self. “O livro se distancia do senso comum sendo ao mesmo tempo insanamente simples de ler. Na verdade, acho que não é nenhum desserviço a Jackson dizer que este livro é aquilo que o modernismo procurava: “um caminho para o seu labirinto simbólico“, observou ele, em texto publicado no The Guardian.


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Ulisses e A Terra Devastada tornaram-se, de fato, os ápices da literatura modernista. O primeiro – publicado em uma data palíndroma, 2/2/22 – revolucionou a forma e a estrutura do romance, influenciando decisivamente o desenvolvimento da “corrente [ou fluxo] da consciência” e impulsionando a linguagem e as experiências downloadlinguísticas aos limites da comunicação. Já o poema de Elliot, em seus 400 versos, é muitas vezes lido como uma alegoria à desilusão experimentada pela geração pós-guerra. “Ulisses documenta um distanciamento da fé; [enquant0] A Terra Devastada, um desejo passional e atormentado por redenção“, observa Jackson. “Foram os primeiros grandes escritos a avaliar o mundo depois do final da 1ª Guerra Mundial.”

913171._UY200_O pesquisador lembra que 1922 foi marcante também pelo lançamento de Sodoma e Gomorra, um dos últimos volumes de Em Busca do Tempo Perdido, monumental obra de Marcel Proust, que morreria em novembro, aos 51 anos, e de Tractatus Logico-Philosophicus, na qual o jovem matemático austríaco Ludwig Wittgenstein (1889-1951) vislumbrava uma lógica com contradições, diferente da versão ortodoxa – e essa foi uma abertura fundamental para o conceito de “paraconsistência”.

Veja outros momentos marcantes que tornaram 1922 um ano especial:

Louis Armstrong

LS_ LOUIS ARMSTRONG.JPGPara Jackson, o dia 8 de agosto foi possivelmente o mais importante da história do jazz. Naquela data, o jovem cornetista de 21 anos chegou a Chicago (vindo de Nova Orleans), onde gravaria seus primeiros álbuns e se destacaria como um inovador da música, tornando-se um dos primeiros solistas desse gênero – historiadores atestam que Armstrong era capaz de atingir nada menos que 200 notas mi. Segundo um de seus biógrafos, “dentro de poucos anos, uma geração de músicos de jazz, negros e brancos, construiriam carreiras inteiras sobre o nosso estilo de jazz que Louis começou a forjar em Chicago no final de 1922”.

Alfred Hitchcock

Em março, o jovem inglês virgem e rechonchudo estreou como diretor com uma comédia em curta-metragem, Mrs. Peabody ou Número 13. A falta de financiamento impediu sua conclusão e quase todos os rolos de filme foram destruídos, restando apenas algumas imagens. A experiência, no entanto, forjou um cineasta que se acostumou a respeitar orçamentos e a criar obras geniais.

Alcance do rádio

A capa do Saturday Evening Post de maio trouxe o quadro Casal Idoso Escutando Rádio, de Norman Rockwell. A pintura, que se tornaria uma das mais famosas imagens do artista acerca da [do estilo de] vida norte-americana em uma pequena cidade, é indicação de que o rádio havia rapidamente se tornado parte essencial da rotina diária de milhões de pessoas.

Dalí, Buñuel e Lorca

Em setembro, o artista catalão Salvador Dalí, de 18 anos, ingressou na Escola Especial de Pintura, Escultura e Gravura. E, como aluno, teve direito a viver em uma das mais extraordinárias instituições de Madri, a Residencia de Estudiantes, conhecida popularmente como Resi. Foi ali que cultivou amizades apaixonadas com outros dois jovens que se tornariam as figuras mais celebradas da moderna cultura espanhola: o poeta Federico García Lorca e o cineasta Luis Buñuel.

Bauhaus

Em julho, a tradicional escola alemã fundada pelo arquiteto Walter Gropius, em 1919, anunciou a contratação do pintor russo Wassily Kandinsky. Estudo, organização, muito rigor e também aplicação estavam na base do projeto que vinculava arte, indústria e academia. Com isso, a Bauhaus tornou-se a grande escola moderna de arquitetura e design. Outros professores que lá passaram foram Paul Klee e Piet Mondrian. A escola é fechada em 1933, após uma série de perseguições por parte do governo nazista.

Charles Chaplin

Com Dia de Pagamento, lançado em abril, o roteirista, ator e diretor Charles Chaplin se despedia do formato de curta-metragem. Ele já filmara um longa no ano anterior, O Garoto, mas, em 1922, decidiu dar uma virada na carreira, preparando, no final do ano, a produção de Casamento ou Luxo, iniciando uma sequência de clássicos inquestionáveis – Em Busca do Ouro, O Circo, Luzes na Cidade e Tempos Modernos.

Walt Disney

No final de julho, Walt Disney lançou sua primeira animação, Chapeuzinho Vermelho. Durava apenas 6 minutos, era em preto e branco e sem som. Um império estava nascendo.

Dashiell Hammett

A edição de outubro da revista de H. L. Mencken, The Smart Set, publicou um conto bem curto (apenas um parágrafo) intitulado The Parthian Shot (Um Brusco Adeus). Foi o primeiro trabalho publicado de Dashiell Hammett, ex-detetive que logo se tornaria um dos principais escritores de novela policial, assinando obras como O Falcão Maltês, Seara Vermelha e A Chave de Vidro.”

Fonte: Diário do Grande ABC

Arte, Profissão, Reflexão

Cococi: ensaio retrata espaço e cotidiano da cidade cearense abandonada!

Sete moradores, ruínas e algumas poucas edificações compõem o cenário da ex-cidade de Cococi, no sertão cearense. A história inusitada deste lugar, o cotidiano dos poucos moradores que restam no local, suas formas de habitar, seus causos, seu imaginário são retratados na Exposição Cococi, de Rubens Venâncio e Fernando Jorge. Vinte imagens compõem o ensaio, que ficará em cartaz por um mês, a partir das 19 horas do próximo dia 10, na Multigaleria, do Centro Dragão do Mar. O evento é gratuito.

[Exposição fotográfica entra em cartaz dia 10 de maio na Multigaleria]

Cococi – “coco pequeno” em tupi-guarani – já foi vila, distrito e cidade, até ser extinta na década de 1960. Posteriormente, voltou a ser distrito e é vinculada ao município de Parambu. Situada no sertão dos Inhamuns, a ex-cidade carrega relevante papel na história da colonização cearense. Foi sede de uma das maiores sesmarias do Estado, tendo importante papel no processo de povoamento do Interior.
Seu processo de abandono ocorreu após disputas de grupos políticos rivais, denúncias de irregularidade fiscal, e desentendimentos entre a prefeitura local e o governo estadual.
Hoje, sete moradores divididos em duas famílias habitam esse quase-lugar e vivem da agricultura de subsistência. Da antiga cidade, restam uma igreja – construção do século XVIII -, um cemitério, a sede da prefeitura e o palacete da família fundadora da antiga cidade, os Feitosa. Além disso, restam as ruínas de várias edificações.
A exposição faz parte da Temporada de Arte Cearense, dentro dos editais culturais 2015/2016 do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. As fotos foram produzidas durante várias idas à Cococi, entre 2013 e 2015, quando os fotógrafos se hospedaram na casa dos habitantes locais.
A curadoria é de Ademar Assaoka. Eneida Feitosa, professora da Universidade Regional do Cariri (Urca) e ex-moradora de uma das duas casas mais antigas de Cococi, assina o texto da exposição.

Serviço

Exposição Cococi
Abertura: 10 de maio – 19h
Duração: de 10 de maio a 10 de junho
De terça a sexta-feira, das 9h às 19h (com entrada até 18h30) e sábados, domingos e feriados, de 14h às 21h (com entrada até 20h30)
Onde: Multigaleria do Dragão do Mar (R. Dragão do Mar, 81. Térreo, em frente ao Cinema do Dragão-Fundação Joaquim Nabuco)
 

Os autores

Rubens Venâncio
É fotógrafo e professor do Curso de Artes Visuais da Urca, onde, além da realização de trabalhos fotográficos autorais, dedica-se à pesquisa em fotografia (sobre cotidiano, fotografia, memória e tecnologia), organiza exposições e outros projetos fotográficos. Atualmente, faz doutorado em Artes na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O fotógrafo participou de importantes exposições coletivas no Brasil. Sua fotografia de caráter documental e autoral vem percorrendo e explorando o Ceará por meio de vários ensaios desenvolvidos paralelamente, como: “Baixio”, que trata de algumas localidades rurais que estão sendo afetadas pela construção do Cinturão das Águas do Ceará (CAC); e o ensaio “Festejos de Antônio”, que desde 2013 vem discutindo a festa do Pau da Bandeira, no município de Barbalha, no Cariri. O trabalho do fotógrafo mostra um olhar inesperado, espontâneo e, ao mesmo tempo, construído. A forte presença da cor vem caracterizando seus últimos ensaios.
Fernando Jorge
Fotógrafo e professor de fotografia. Mestre em Comunicação e Artes na Universidade Nova de Lisboa, é formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Leciona na Travessa da Imagem e na Casa Amarela Eusélio Oliveira, equipamento da UFC. Já expôs em mostras coletivas, como os Encontros de Agosto 2011 e 2012, deVERcidade 2007, XIV Unifor Plástica e a exposição Postais do Ceará. Fez parte do conselho curador dos Encontros de Agosto 2013. Seu trabalho “Memento Mori” foi contemplado com o Prêmio Chico Albuquerque de Fotografia.

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