Feito no Brasil, Música

A música brasileira e as parceirias entre irmãos

01 caetanoMaria Bethânia em suas entrevistas costuma dizer que no início de sua carreira o mano Caetano Veloso era uma espécie de fiel escudeiro, e que seu pai só a deixou viajar para o Rio de Janeiro para substituir Nara Leão no show Opinião porque Caetano veio junto. Foi com essa convivência no meio artístico que nasceu o grande compositor. Apesar de Bethânia já ter gravado várias canções do irmão, musicalmente seguiram caminhos opostos. Bethânia não participou do tropicalismo, seguiu uma linha mais romântica, diferente de Caetano, sempre atento às mudanças e tendências da música. Um dos grandes momentos da parceria dos irmãos Veloso foi o disco lançado ao vivo em 1978. Entre tantos sucessos, Caetano cantou “Maria Bethânia”, do compositor Capiba, a música deu origem ao nome da irmã.

02 chicoTodo mundo sabe que a família Buarque é uma família de intelectuais e artistas, que tem como seu maior expoente Chico Buarque. As irmãs de Chico, Ana de Holanda, Cristina Buarque e Miúcha, gravaram discos entre as décadas de 70 e 80, mas quem ganhou mais destaque foi Miúcha, que casou-se com João Gilberto. Chico Buarque e Miúcha gravaram a música “Maninha”, parceria de Chico e Vinícius de Morais. A letra fala de uma infância imaginária, uma das mais bonitas canções falando da amizade de irmãos.

03 caimiDorival Caymmi teve três filhos: Dori, Nana e Danilo Caymmi, que tiveram uma nítida influência paterna, seguindo os caminhos da música e sendo eventuais parceiros. Apesar das carreiras solo, realizaram muitos trabalhos juntos, principalmente homenageando a obra do pai, com destaque “Para Caymmi 90 anos” em 2004, em que Nana, Dori e Danilo Caymmi comemoraram o centenário do pai – um exemplo de obra em que podemos encontrar reunido o talento dos irmãos Caymmi.

04 marinaCom a chegada dos anos 80, várias cantoras iniciaram suas carreiras, entre elas uma intérprete de voz doce e sensual, Marina Lima, que tem como principal parceiro seu irmão Antônio Cicero, poeta, crítico literário, filósofo e escritor, recentemente escolhido para a Academia Brasileira de Letras. Os irmãos escreveram vários sucessos gravados por Marina, entre as canções, destaca-se “Fulgás”, “Charme do Mundo” e “Para Começar”. Outro grande sucesso de Marina, a música “A Francesa”, é uma parceria de Antônio Cícero com Cláudio Zoli.


Por: Neivaldo Araújo

Revisão: Emanuela Fontenele

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Blues, Música

Blues# Marília Lima – Embaraço

“O Garagem Hey Joe é um projeto que tem como objetivo abrir espaço para bandas e artistas locais divulgarem o seu trabalho autoral nas noites de Fortaleza, além de proporcionar para o público fiel da casa a oportunidade de conhecer novos sons. A curadoria musical é assinada pela My Music Produtora e o videoclipe é uma produção da Vai Pra Marte Filmes.”


Referências:

Música, Rock/Metal

Howling Giant: Black Hole Space Wizard, Part 1: uma viagem psicológico-espacial

howling-giant-black-hole-space-wizard-part-1-L-Gpb8dzQue descoberta incrível,  essa banda.  Possivelmente tendo fugida de um planeta qualquer numa cápsula espacial de fuzz, caíram em Nashville, Tennessee (USA). O tipo de metal do Howling Giant é uma viagem única e eclética que poderia ter sido baseada num conto de fadas intergalático. Black Hole Space Wizard: Parte 1 é o marco de uma série de três EP’s chamada The Black Hole Space Wizard – uma obra conceitual. Conta a saga de um acidente causado pela humanidade (estando esta no seu estágio mais desenvolvido), que provocou a sua destruição total, e os efeitos desta, experimentados pelo único sobrevivente da espécie.

a3022924991_10Este EP de quatro músicas consiste de uma espécie de afronta para os medíocres. Busca o ouvinte desprevenido e o lança numa odisseia prog metal pesada e sem limites previsíveis. A bateria de Zach Wheel conduz as linhas harmônicas das quatro canções do disco de modo a desconstruir os compassos musicais numa performance esmagadora. O guitarrista e vocalista Tom Polzine enxerga além da fronteira que separa o rock progressivo do metal. Ele toca/canta de pulmões cheios, enfatizando bem as nuances de cada momento. O baixo de Roger Marks é pulsante e ecoa em todo o álbum sendo, portanto, a espinha dorsal de toda essa estrutura musical.

12573683_1652096568348544_1551923156670073722_nA abertura de Mothership, introduzida por riffs contagiantes que derivam para bases sibilantes se deixam acompanhar por uma percussão poderosa seguida de vocais carregados de reverberação. O resultado é, sem dúvida, uma mimetização dos sons praticados nos anos setenta sendo, porém, impulsionado por uma produção tão boa que pode levar o ouvinte a sentir a pulsação de cada riff. Com 4:52, a faixa gera imagens de filme no qual é possível revisitar seus anos mais intensos. Ou, talvez, transportar-se para longe da realidade, num plano mais sombrio, claro. Exodus Earth, lembra uma marcha sonolente através de campos lisérgicos construídos em torno de sulcos capazes de esmagar almas num movimentos sem fim. Aparentemente, o momento em que o mago do espaço impõe destruição sobre a humanidade. Mas também, uma pausa para reflexão quanto as ações do homem sobre a casa onde habita e sua relação com o Deus que castiga. Em Dirtmouth é mais provável que a destruição seja causada nos alto-falantes do ouvinte. A distorção do baixo provoca um efeito tão ruidoso que parece incrível que o próprio Satanás não o tenha patenteado como seu autor. Um pesadelo caótico que figura como um dos 19702431_1893635500861315_1717737040082026239_nmelhores momentos do disco. O EP termina com Clouds Of Dmoke, um épico de doçura quase psiquiátrica que pode levar muitos ao dicionário em busca de vocábulos capazes de predicar e/ou descrever adequadamente a história que aqui se conta. O muro esmagador construído pelas linhas de baixo ainda está presente, mas também, há um trabalho mais leve de guitarras que pode lembrar David Gilmour com toda a sua majestade. Com 7 minutos é a faixa mais longa e sinuosa do disco.

10818475_1507338306157705_494486970158548540_oO som da Howling Giant, não é chega a ser algo revolucionado. Na verdade, parece-me mais difícil deduzir as influências da banda pela audição do disco, do que situá-los segundo minha experiência com o rock. Entretanto, tomando por base que vieram de uma realidade alternativa, na qual Pink Floyd e Mastodon dificilmente poderiam estar associados, diria que as bandas Stoner, estariam muito mais próximas de influenciá-los. De um modo geral, é inegável a originalidade e o bom gosto presente em cada arranjo. Para concluir, vale enfatizar o bom uso pelos músicos dos elementos psicológicos e pela capacidade de criar em cima de ideias muito mais exploradas no universo dos filmes. Nota 9.


Referências:

Música, Rock/Metal

Son of a Witch: Thrones In The Sky – Um disco a ser fruído

son of a WitchBanda surgida em meados de 2008 no Rio Grande “Blood” do Norte¹, de forma altamente despretenciosa. Inicialmente fazendo um som instrumental, o grupo começou a adquirir  cara de banda com a entrada de “King Lizzard” no vocal. Os ensaios foram evoluindo e som foi ficando redondo. Os caras partiram para os shows e a banda foi conquistando público de modo que o primeiro registro, um EP auto-intitulado, acabou sendo uma consequência natural.

Jupiter CosmonautEntre as influências, é dispensável falar de Black Sabbath, citado como influência por 11 de 10 bandas que se definem como Stoner/Doom. Então, vale mencionar também, – e principalmente, – Pentagram, ST. Vitus, Kyuss, Cathedral, Down e Clutch.

O grupo, é atualmente formado por King Lizzard (vocal), “Psychedelic Monk” (guitarra), “Gila Monster” (guitarra), “Old Goat” (baixo) e “Asteroid Mammoth” (bateria). Como é notório, os caras curtem brincar com os pseudônimos e, com isto, nos conduzem através da nevasca sonora da banda, para entender mais sobre a dinâmica na qual a música do grupo é criada.

IMG-20171006-WA0024Havia falado noutra ocasião que o termo Stoner está perdendo gradativamente a capacidade de significação diante do que vem se criando nesse seguimento. De fato, como as composições estão ficando cada vez mais complexas quanto a estrutura, mudanças de andamento e duração, os músicos têm necessitado juntar termos adjacentes para melhor nomear o trabalho criacional de cada um.

Thrones in the SkyNo Brasil, Son of A Witch é, com certeza, uma autoridade no assunto. E, Thrones In The Sky mostra que os pioneiros do estilo na sua terra de origem são em grande parte, responsáveis pela disseminação dessa vertente musical no território nacional. Construções longas e densas parecem deslizar pelo vácuo criando uma espécie de sinestesia que evoca imagens altamente particulares no ouvinte (dependendo da sua relação com o estilo em questão). Thrones in the Sky (10:23), tem um forte apelo sabbáthico e já te cativa nos primeiros instantes; em Alpha Omega Astra (12:39) a viagem continua por vias sensoriais que induzem ao movimento involuntário; se você chegou em Far Away From Dreaming “Giant Spheres and humanoids” (09:29) é porque foi definitivamente capturado pela pulsação sonora dos potiguares; entretanto, caso esteja tentando resistir, New Monster (10:09) pode te pôr de joelhos antes do golpe de misericórdia, que é Jupiter Cosmonaut (16:26), uma canção a ser fruída sem qualquer conexão com o mundo das pessoas consideradas normais. Ao final, a sensação é a de que se está prestes a descartar a carcaça humana ficando a um passo de uma outra forma de vida. Por fim, no decurso da audição, ainda é possível perceber que King Lizzard se mostra um bom intérprete enfatizando e suprimindo sentimentos conforme a música vai se desdobrando. Nota 9,5.


Referências: 

¹¹Trocadilho com um famoso álbum do Ministry

Blues, Música

The Dirty Mojo Blues Band

13413668_1032121730156890_4983999694014434265_nOriunda da Pensilvânia/EUA, a Dirty Mojo Blues Band, banda formada por Shawn “Dirty” Strickland (vocal/gaita), Gary “Daddy Mojo” Strickland (guitarra/vocal), AL Meck (guitarra), Tim Reinhard (baixo) e Mark Peterson (bateria) faz um “bluezão” temperado com boas doses de rock. As composições são ancoradas na gaita harmônica e guitarra e são altamente influenciadas pelo que de melhor se produziu nas antigas do blues e do rock ‘n’ roll. Os caras conseguem conciliar esses elementos de modo a construir um som próprio e original.

Dos antigos, a banda cita como principais influências nomes como BB King, Buddy Guy, Muddy Waters, Taj Mahal, Junior Wells, SRV, Eric Clapton, Zeppelin, Lynyrd Skynyrd e The Allman Bros; dos contemporâneos, Dirty Nickels, Blind Chittlin Kahunas, Nate Myers and the Aces, Black and Blues e Tickeled Pink.


Referências:

Agradecimento:

Música, Rock/Metal

As musas dos ídolos do Rock # 2

O Rock chegou ao pôs-punk, diferente, mudado, novos subgêneros como grunge, britpop e consequentemente com novos ídolos e novas musas. Assim como na vida as duas forças, o amor e morte, caminham juntas.

01Ian Curtis, ex-vocalista e letrista da Joy Division, casou com uma antiga namorada, Deborah, e juntos tiveram uma filha única, Natalie. O casamento, porém, não era feliz, e o cantor mantinha um relacionamento extraconjugal de longa data com Annik Honoré, fundadora de uma gravadora. O caso chegou a imprensa, dando origem a um divórcio tumultuado. Ian, que sofria de epilepsia e ansiedade, ficou ainda mais perturbado e biógrafos afirmam que esse episódio contribui de uma forma direta para seu suicídio, enforcado com uma corda de varal. Annik Honoré faleceu em 2014 vitima de câncer.


 

02Pouca coisa se sabe sobre a vida da bela morena Demri Parrott. A única certeza é que era adorada por Layne Staley, vocalista e fundador da banda Alice in Chains. Até a sua morte é um mistério, já que existem duas versões: overdose por heroína e ou uma doença do coração. Depois de sua morte, Layne Staley ficou depressivo, recluso, até ser encontrado morto em seu apartamento, depois de injetar uma dose letal de cocaína e heroína.


03

O ícone do movimento que ficou conhecido como grunge, Kurt Cobain, fundador e vocalista da banda Nirvana, e Courtney Love formavam um dos casais mais badalados do rock nos anos 90. Tiveram uma filha, Frances Bean Cobain, e eram ligados profundamente pelo amor e pelas drogas. Depois da morte de Cobain com um tiro de espingarda em sua casa, Love namorou outros famosos, como o ator Edward Norton. Ela também é atriz e vocalista da banda Hole, e já escreveu um livro sobre sua vida.


Por Neivaldo Araújo

Revisado por: Emanuela Fontenele.

Música, Rock/Metal

Lunatic Soul: álbum novo inspirado em tragédia pessoal

nkndf_“Fractured” é diferente de todos os trabalhos  anteriores do Lunatic Soul e abre um novo capítulo musical na carreira de Mariusz Duda, a mente por trás do nome. Experimentos sutis com música eletrônica e inspiração nos sons dos anos 80. As letras são inspiradas na trágica morte de seu pai “.

Mariusz é o talentoso criador, cantor e multi-instrumentista, por atrás de um dos melhores e mais cativantes nomes da música progressiva surgidos na Europa nos últimos anos. Após sua saída do selo britânico Kscope, Duda está lançando seu quinto álbum – uma sequência para o aclamado Walking On A Flashlight Beam de 2014. “Fractured” foi descrito por Duda como um álbum de catarse após um ano desafiador em sua vida pessoal.

Mariusz fala mais sobre o tema principal: “[é sobre] estar voltando à vida após uma tragédia pessoal. É inspirado no que aconteceu na minha vida em 2016 e em tudo o que está acontecendo ao nosso redor e o que nos faz se afastar um do outro, para melhor e pior. Musicalmente é o álbum mais original que já fiz … será o álbum mais acessível e pessoal da discografia da Lunatic Soul “.

Além do desenvolvimento conceitual, Duda ganhou a autoconfiança para permitir-se maior liberdade criativa com o novo material, experimentando mais com música eletrônica e com influências do tipo Massive Attack, Depeche Mode, Peter Gabriel e David Sylvian. Fractured apresenta a Sinfonietta Consonus Orchestra da Polônia, conduzida por Michał Mierzejewski, em duas das faixas mais pessoais do álbum “Crumbling Teeth” e “The Owl Eyes” e “A Thousand Shards Of Heaven”.


Referências: