jazz, Música

blue note# O Jazz no Mundo

3A palavra jazz evoca percepções diversas. Quem entende mais ou menos o que significa, pode querer associá-la a virtuosismo (ou presunção, ou hermetismo). Há quem se arrisque a traduzi-la por “qualquer forma musical instrumental não clássica”.
Como o jazz nasceu nos Estados Unidos, seria natural aceitar que seja “coisa de americano” – mas isto é uma meia-verdade. Sim, nasceu há mais de 100 anos em New Orleans e proximidades (estendendo-se em seguida até Chicago e Nova York), mas, atualmente, é uma manifestação artístico-musical dotada de uma universalidade difícil de delimitar.
O conhecimento que se tinha de música clássica no início do século XX se aliaria a várias tradições populares, principalmente afro-americanas. As primeiras expressões jazzísticas eram visíveis por meio daqueles instrumentos básicos de bandas marciais (metais, palhetas e percussões).
O termo jazz passou a ser usado no final dos anos 1910 e início dos anos 1920 para descrever um tipo de música insubmissa e irreverente praticada sem grandes pretensões pelos negros do sul dos EUA.
Esse viés étnico-racial, porém, logo perderia validade, pois tudo o que transborda universalidade – é o caso do jazz – não consegue sobreviver muito tempo em geografias estreitas.
O fato é que essa forma de arte se espalhou por todos os cantos da Terra e absorveu em sua orquestração praticamente tudo o que pudesse emitir sons em escalas: de clarinete a acordeão; de trompete a xilofone; de piano a cavaquinho; de bateria a voz (a voz, no jazz, é um instrumento como qualquer outro, aliás).
Ao tentar cercar um conceito por suas aparências e por seus registros consolidados, pode ficar parecendo que o jazz contemporâneo nada mais é do que “qualquer maneira inclassificável de tocar – e, por consequência, de improvisar”. Não é bem assim. Os parâmetros, apesar de bem abertos, existem.
Além disso, o jazz teve fases, épocas e marcos que geraram subgêneros com nomes esquisitos como dixieland, swing e bebop. Ao longo do século XX, preservou suas raízes americanas, mas agora com um espectro internacional.
Dizer “jazz americano”, hoje, é uma redundância, portanto; e tentar categorizar o jazz por país – “jazz italiano”, “jazz australiano”, “jazz russo”, etc. – seria um equívoco, afirmam os estudiosos.
Entretanto, existe um rótulo – um selo de qualidade, na verdade – que há mais de 30 anos circula por todos os continentes: jazz brasileiro (assim mesmo, sem aspas).
O jazz brasileiro (ou música instrumental brasileira) é aquela estranha espécie de exceção que existe exatamente para não justificar a regra.
                                                                                                                      Thiago Cortes
Zuza Homem de Mello
“Os músicos argentinos, por exemplo, improvisam rigorosamente como os americanos. Assim é no Chile, na França, etc. Em termos de liberdade e absorção dos elementos culturais nacionais, Cuba é o único país em que a prática jazzística se assemelha à do Brasil”, analisa o pesquisador Zuza Homem de Mello, autor de Música nas Veias (Editora 34) Eis Aqui os Bossa-Nova (Martins Fontes).
O que difere os instrumentais brasileiros dos cubanos é a diversidade de melodias e ritmos. “Os cubanos fazem recriações principalmente em cima do son, um gênero bem deles, enquanto os brasileiros conseguem reinterpretar uma variedade incrível de estilos e formas.” Para o pianista Amilton Godoy, do Zimbo Trio, o jazz brasileiro é um dos mais interessantes do mundo: “Até pela nossa miscigenação mesmo. E, cá para nós, as melodias brasileiras são infinitamente mais ricas que as cubanas”.
Para entender mais sobre o Jazz:
Eric Hobsbawm
Zuza Homem de Mello
Ruy Castro
Carlos Calado
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– Reproduzido da  Revista Almanaque Saraiva
Música, Rock/Metal

Ouroborus: death metal virtuoso feito na Austrália

Ouroboros é uma banda de technical death metal oriunda de Sydney, Austrália que se formou em 2001, originalmente sob o nome “Dred”. Em 2007, lançou um EP intitulado “A Path To Extinction“. Este lançamento foi seguido por dois vídeo-clipes. Em 2009, eles mudaram seu nome Ouroboros com o qual lançaram o álbum de estreia cujo título é “Glorification of a Myth”. Atualmente está trabalhando na divulgação do seu segundo álbum, “Emanations”.

Banda que abraça a todas as características do death metal com um nome misterioso, sons fortemente distorcidos e virtuosidade indiscutível. Segundo a imprensa [do seu país], o quarteto oriundo de Sydney (Autrália) é uma das melhores bandas de metal do país …” e “não se conforma com menos que a perfeição” (Metal Obsession & MetalReviews). A indústria musical do país reconheceu o talento dos músicos premiando-os como “melhor banda independente”, “melhor baixista” e “melhor baterista” no Australian Heavy Metal Awards. Além disso, o The Australia Council (o órgão de financiamento das artes do governo australiano) concedeu à banda uma generosa bolsa para apoiar a produção de seu mais novo álbum ‘Emanations‘.

A banda desenvolveu uma reputação bem merecida entre os artistas do meio para realizar, ao vivo, performances extremamente eficazes. Ouroboros atuou no palco com alguns dos nomes mais notáveis ​​do metal mundial, incluindo-se aí Morbid Angel, Cannibal Corpse, Psycroptic, Cradle Of Filth, Epica, Necrophagist, At the Gates, Dying Fetus, Aborted, The Amenta, Sadistik Exekution, Sybreed e The Faceless.

O álbum de estréia da banda, Glorification of a Myth, foi lançado em junho de 2011 e foi resenhado pelos críticos como “Um novo referencial para a produção de death metal …” (Metal-Archives). O álbum mostrou o virtuosismo da banda e seu compromisso com a produção de música de alto nível. Glorification of a Myth foi acompanhado de um clip para ‘Sanctuary‘, uma das músicas mais populares do álbum. Pouco depois da estréia do vídeo no Fúria MTV, um especialista afirmou que “é possivelmente o melhor vídeo feito por uma banda local!” (TheMusic) O vídeo foi produzido em colaboração com o diretor Paul Shedlowich, que usou técnicas de produção de guerrilha para enfatizar a atmosfera obscura e a dinâmica do filme.

O Australian Council for the Arts concedeu ao Ouroboros uma doação de US $ 20.000 para ajudar a financiar a produção do próximo álbum da banda, Emanations: um projeto ambicioso que incorpora a colaboração com uma das melhores orquestras sinfônicas de Praga. Este novo e emocionante álbum já desfruta de prestígio entre uma grande parcela da imprensa australiana. Foram concedidas entrevistas para o The Australian, Triple M, Triple J, 3AW, HEAVY Magazine e Revolver Magazine.

A decisão de incorporar uma orquestra sinfónica ao trabalho do grupo foi em grande parte influenciada pela admiração da banda pela música clássica ocidental, bem como por sua vontade de quebrar paradigmas do death metal. De acordo com o guitarrista e principal compositor do Oruroboros Chris Jones “A orquestra tem uma capacidade ilimitada de evocar emoções e queremos aproveitar esse poder para o nosso próximo lançamento. Essa colaboração com a orquestra sinfônica irá adicionar uma força enorme ao nosso som e, em última instância, criará algo poderoso, único e emocionante “.

Ouroborus atualmente é formado por Evgeny Linnik (Vocals)Chris Jones (Guitar)Michael Conti (Bass & Backing Vocals)David Horgan (Drums).


Referências:

 

Blues, Música

blues# Artur Menezes

A seção “domingo blues” muda para simplesmente “blues#“, e na sua nova fase, trás “o guitarrista brasileiro Artur Menezes [que, no último domingo, 06/08/17] se apresentou em São Paulo durante o evento Samsung Best of Blues fazendo o show de abertura para o guitarrista Joe Satriani e não decepcionou, empolgando o público estimado em 20.000 pessoas…”

Noutro momento [vídeo abaixo], Artur sobe ao palco para uma jam session ao lado do próprio Satriani. Um belo momento na vida do nosso menino prodígio.


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Saiba mais em: Artur Menezes Oficial

jazz, Música

blue note# O Jazz no Brasil

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Cerca de cem anos atrás, os músicos brasileiros, como os de qualquer outro país, começaram imitando os americanos tanto na formação de suas jazz bands (anos 1920 e 1930) e big bands (anos 1940 e 1950) quanto nas canções e na maneira de executá-las.
“A maioria das manifestações jazzísticas dessas épocas ocorria ao vivo e tinha um propósito dançante. O choro era o único gênero musical nacional às vezes encaixado no repertório. Mesmo assim, de uma maneira, digamos, um tanto quadrada”, diz o pesquisador Zuza Homem de Mello, autor de Música nas Veias (Editora 34) e Eis Aqui os Bossa-Nova (Martins Fontes).
Pixinguinha e seus Oito Batutas, no início, assim como a big band de Severino Araújo, em época posterior, incorporavam algumas tendências norte-americanas, mas não investiam no intercâmbio de influências. “Quando o Glenn Miller explodiu mundialmente, as orquestras brasileiras, que tocavam ao vivo em bailes e festas, já tinham a formação instrumental rigorosamente americana, com cinco saxofones, três trombones, quatro trompetes etc.”, lembra Amilton Godoy, pianista e integrante do Zimbo Trio.
Somente com a Bossa Nova, no final dos anos 1950, foi que o improviso, essência do jazz, passou a ser empregado em canções tipicamente brasileiras – o que propiciaria, nas décadas seguintes, a difusão mundial do chamado jazz brasileiro.
“Melodias e ritmos marcadamente nossos passaram a ser executados com a liberdade típica do jazz”, explica Zuza, “criando um conduto natural diferenciado em comparação com a música instrumental praticada em outros países”.
“Nós, músicos, nunca perdemos a chance de tocar aqueles belos standards da canção americana, claro. Mas todos (brasileiros e estrangeiros) ficaram tão encantados com Bossa Nova, que havia simplificado a execução daquela batida do samba, que viram nela uma poderosa fonte de inspiração para recriações”, conta Amilton. “Para você ter uma ideia, no início dos anos 1960 ainda não era possível gravar em vários canais, como hoje. Tanto que os dois primeiros discos do Zimbo Trio (1964 e 1965) nem eram estéreo.”
Zuza sublinha que a canção brasileira anterior à Bossa Nova não abrangia uma ampla possibilidade de execução. Os estrangeiros tinham dificuldade de tocar o samba e o choro, por exemplo; e as composições brasileiras interpretadas ao vivo nas rádios (anos 1930 e 1940) eram de difícil assimilação também. “A Bossa Nova, então, caiu como uma luva: forneceu aquela mesma rítmica do samba, porém com maior simplicidade e homogeneidade.”
Nos anos 1960, os músicos brasileiros trabalhavam em cima de canções da Bossa Nova, apenas. (O marco da Bossa Nova é a gravação, em 1958, de “Chega de saudade”, por João Gilberto, em um disco compacto.) Mas logo esse processo se expandiria ao infinito, englobando melodias procedentes de qualquer gênero ou estilo nacional – do samba ao xote, do baião ao frevo, da seresta ao maracatu. “A matriz rítmica brasileira é de um pluralismo incomum, e pulsa de norte a sul do país”, afirma Amilton. [fotos por Zé Guilherme]
O 1º Festival de Jazz São Paulo-Montreux, em 1978, movimentou uma centena de músicos e dezenas de milhares de espectadores durante oito dias numa maratona sem precedentes. Entre os convidados brasileiros estavam Luiz Eça, Hélio Delmiro, Victor Assis Brasil, Raul de Souza, Márcio Montarroyos e a Rio Jazz Orquestra. “Esse festival cumpriu o importante papel de ser um aval para a nossa música instrumental, que se tornava cada vez mais sofisticada”, lembra Zuza.
Dois aspectos, na visão do pesquisador Zuza, permitiram que a música brasileira passasse a fornecer (em vez de apenas absorver) influências a partir da Bossa Nova: 1) o ritmo (a percussão) – o uso daquela escovinha pelos bateristas, por exemplo; 2) a melodia (improvisar sobre as linhas melódicas das canções brasileiras, que possuem uma graça e uma sensualidade marcantes). “Nossa música instrumental, hoje, é eminentemente internacional.”

IMPROVISO QUE SE ENSINA

Dos anos 1980 em diante a onda fusion (fusão de várias ideias, origens e tendências), da qual Miles Davis foi um dos principais expoentes, facilitou ainda mais a expansão das fronteiras da música instrumental produzida no Brasil. Nessa época, os ouvidos exigentes dos apreciadores de jazz mundo afora se deleitaram, por exemplo, com os emergentes Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti. “Ambos, pela especificidade, pela elaboração e pela mescla de formas, chamaram a atenção da crítica”, lembra Zuza.

No jazz, os músicos tocam e se tocam. Amilton Godoy diz ter sido influenciado por George Shearing, pianista inglês radicado nos Estados Unidos (e cego), Oscar Peterson, Thelonius Monk, Lennie Tristano, Bill Evans, McCoy Tyner e Chick Corea.  “O disco Is (1969), do Chick Corea, me deixou paralisado”, lembra. “Nos anos 1950 não havia pianistas de ‘jazz brasileiro’. Mas o Moacyr Peixoto e o Dick Farney eram referências importantes. Moacyr era pianista do Brazilian Jazz Quartet, que tinha ainda o Casé (sax alto), o Rubinho Barsotti (bateria) e o Luiz Chaves (contrabaixo).”

 

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Amilton Godoy

Além de fundador (e até hoje pianista) do Zimbo Trio, grupo que completa 50 anos em 2014, Amilton dirige o Clam (Centro Livre de Aprendizagem Musical), no bairro de Moema, em São Paulo (SP). “Uma vez um aluno apareceu aqui falando assim: ‘Quero tocar como o Oscar Peterson’. Daí eu falei: ‘Eu também’”, brinca Amilton, referindo-se à importância que o indivíduo tem para os apreciadores de jazz.

“No jazz, você não compra a música. Você compra o instrumentista, na verdade. Eu, por exemplo, não me importava com o repertório do Charlie Parker, mas sim em como ele tocava. A especificidade reside na genialidade e na erudição dos intérpretes, que, além de grande conhecimento da história da música, dão-se o direito de criar em cima dos temas existentes.” Para Amilton, o improviso jazzístico é uma atitude tanto quanto uma técnica. “E pode ser ensinado”, enfatiza. [foto por Zé Guilherme]

 

A CONQUISTA DO PÚBLICO

O público de jazz é um espetáculo à parte. Pensando nisso, Amilton Godoy, pianista do Zimbo Trio e diretor do Clam (Centro Livre de Aprendizagem Musical), cita um pensamento do dramaturgo espanhol Jacinto Benavente (1866-1954), Nobel de Literatura de 1922: “O verdadeiro artista não é aquele que cria obras para um público, mas sim que cria um público para as suas obras”.
O historiador Eric Hobsbawn (1917-2012), autor do clássico História social do jazz (1959), descreveu o indivíduo vidrado em jazz: “O amante de jazz surgiu da massa formada pelo público normal de música dançante e música pop, por uma espécie de seleção natural; mas a sua semelhança com esse público é tão pequena quanto a semelhança dos homens com relação aos macacos, dos quais descendem.
(…) Além disso, o fã de jazz não está interessado apenas no jazz enquanto música. Para ele, o jazz é um mundo, e muitas vezes uma causa, da qual os sons que emergem dos instrumentos são apenas um aspecto. A vida dos músicos, o ambiente no qual o jazz se desenvolveu, as implicações políticas e filosóficas desta música, os detalhes eruditos ou banais da discografia, também são parte importante desse mundo”.

ZIMBO TRIO

O Zimbo Trio nasceu em março de 1964 em São Paulo, formado por Luíz Chaves (contrabaixo), Rubinho Barsotti (bateria) e Amilton Godoy (piano). O termo Zimbo, retirado do dicionário afro-brasileiro, significa boa sorte, felicidade e sucesso. Zimbo era também uma antiga moeda que circulava no Congo e em Angola.
Em 1965, o trio passou a fazer o acompanhamento fixo do programa O Fino da Bossa, da TV Record, apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues, que divulgava novos talentos. O contrabaixista Luíz Chaves faleceu em 2007. Itamar Collaço (baixo elétrico) o substituiu. Em 2010, o contrabaixo acústico retornou ao grupo com a entrada de Mário Andreotti no lugar de Collaço.
Atualmente, além de Amilton e Mário, o grupo conta com Pércio Sápia (bateria). Em 2012, o Zimbo foi o vencedor na categoria Melhor Grupo Instrumental do 23º Prêmio da Música Brasileira, com o álbum Autoral (2011). Em 2014, completa 50 anos.
Durante a entrevista para essa reportagem, Amilton Godoy mostrou no piano a influência da música, principalmente no Brasil. Assista ao vídeo:
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– Reproduzido da  Revista Almanaque Saraiva
– Foto do cabeçalho por Zé Gabriel
Feito no Brasil, Música

brasil# Os Menestréis

Por Neivaldo Araújo

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montenegroAo assistir um musical de Oswaldo Montenegro, onde os atores tocavam ao vivo no palco, o critico teatral Yan Michalski em sua crítica definiu o grupo como os novos menestréis. Oswaldo gostou tanto da definição que resolveu adotar o termo, passando inclusive, a utilizá-lo bastante em várias de suas letras. Oswaldo Montenegro, é carioca, porem iniciou sua carreira em Brasília na década de 1970, deslanchou sua carreira depois de vencer o Festival MPB Shell transmitido para os brasileiros por uma grande rede de TV em 1980. Depois lançou diversos sucessos como Bandolins (seu maior hit), Lua e Flor, Intuição e tantos outros.

10Mas quem são os outros menestréis do grupo de Oswaldo? Destacam-se José Alexandre, que conheceu Oswaldo através de amigo comum na cena musical de Brasília. Havendo visto potencial em , o convidou para fazer um dueto no festival da extinta Rede Tupi em 1979, cantando Bandolins. A musica não venceu, mas tornou-se um grande sucesso, com direito a clipe no Fantástico. Acabou abrindo as portas para que José Alexandre gravasse seu primeiro LP em 1981. No repertorio diversas canções do compadre Oswaldo. […] José abandonou definidamente a faculdade de engenheiro, para seguir na música cantando com menestréis. Em 1999 lançou o CD “Zé Alexandre Ao vivo” e em 2006, “Olhar Diferente“. Participa de diversos festivais por todo o país, onde já tem nome certo e prestigiado, continua lotando os bares e shows onde é sempre convidado.

D_Q_NP_673711-MLB20605025721_022016-QOutro menestrel, é Mongol, que, Assim como José Alexandre e Oswaldo, era ligado ao teatro e à música de Brasília. Depois de algumas peças juntos nascia uma grande amizade. É de sua autoria a musica Agonia que daria o grande salto na carreira de Oswaldo. Fizeram várias músicas juntos, inclusive um dos mais recentes sucessos de Oswaldo, Estrada Nova. Em 1997 Mongol torna-se líder, cantor e compositor da banda Akundum (Reggae). Com o referido grupo já gravou CDs e fez apresentações em programas de televisão, convidado pela internacional Inner Circle, Mongol passou uma temporada em Miami, onde teve a oportunidade de fazer uma turnê como banda de abertura.

07Porem, ninguém melhor personifica o clima de longanimidade e amizade entre os menestréis, como Madalena Salles. Instrumentista que acompanha Oswaldo praticamente desde o início de sua carreira, tocava flauta na orquestra de Brasília, quando conheceu Oswaldo. Este a convidou para acompanhar sua banda num show no Rio de Janeiro, mas, acabou mesmo a levando para seguir carreira teatro-musical. Seguiram-se diversos espetáculos musicais como “A Dança dos Signos“, “Léo e Bia” “A Aldeia dos Ventos“, “Os Menestréis“. Para a amiga Oswaldo escreveu diversas canções como “Brilho” e “O Azul e o Tempo”. Madalena ficou conhecida como a menina da flauta.


Blues, Música

domingo blues# Cláudio Oliveira

10445590_629114100544749_264766615811420590_nAos 19 anos formou sua primeira banda chamada “Sabotage”, na qual cantava e tocava guitarra. A banda durou muito pouco (apenas alguns ensaios). Nesta época participou de outros projetos que incluíam, por exemplo, sua primeira banda de Blues: “Encruzilhada Blues Band”. Entre a idade de 19 e 21 anos tocou na banda de Heavy Metal: “Ultimate Sin”, onde era baixista e vocalista. Aos 21, largou o Rock e o blues para tocar na “Noite de Fortaleza”. Nesse momento o repertório variava entre sucessos da MPB e músicas Internacionais. Recentemente cantou na banda de Metal “Incógnita”. Enfrentando dificuldades em conciliar o profissionalismo que alcançara com a MPB e o cenário underground do Heavy Metal, optou em sair da banda.

Foi só com a saída de Simon da guitarra, que aceitou o convite de seu amigo Flávio Rodrigues (Sabotage) para integrar sua banda: “Sombra Sonora”. Deste modo, a paixão pelo Rock e pelo Blues ressurgiu com força total. Foi durante o período em que a banda Sombra Sonora buscava sua identidade e independência que surgiu o convite para integrar a banda de Blues “Puro Malte” (nome atual da banda) com a função de segurar os vocais. Sugestão do próprio Flávio. Ao chegar na Puro Malte reencontrou seu amigo Simon que havia deixado a Sombra Sonora. Atualmente, com a saída de Simon da Puro Malte, encontra-se cantando e tocando guitarra, como fizera no início de sua carreira.

Principais influências

Robert Plant, Ian Gilan, Jimmy Page, Marc Knopfler, Freddie King, Albert King, Jimi Hendrix, entre outros.


Fontes:

Música, Rock/Metal

Facada: brutalidade ou genialidade?

“O Facada toca grindcore desde 2003. Simples, rápido, pesado, cru, sem experimentalismos, sem frescura, sem viagens sonoras, sem hypes ou modas, sem alegria, sem cultuar ninguém, sem dar satisfação a ninguém, sem breakdowns, sem vocais limpos, sem falsa amizade nem falso discurso. Sinta-se à vontade para não gostar. Se não gostar faça o favor de não nos visitar ou ouvir nossos sons. Já viajaram por quase todo Brasil, incluídos aí: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. […]”

Com este singelo preâmbulo a banda formada por James (baixo e vocais), Dangelo (bateria), Danyel (guitarra) e Ari (guitarra), se apresenta para “a quem interessar possa”. Cantando em português, discreta e rapidamente ganhou notoriedade entre os fãs da música extrema. Da parte deste que vos escreve, de tanto ouvir falar na banda, surgiram perguntas que considero pertinentes: 1) porque o nome “Facada” está tão em evidência? 2) O que os diferencia, brutalidade ou genialidade?

Antes de (tentar) responder, entretanto, visitaremos a breve mais profícua discografia da banda que, tendo acabado de lançar um split album com os gregos do Stheno, está prestes a lançar o aguardado Nenhum Puto de Atitude (álbum de covers), e um novo full length ainda esse ano.

facada DemoEm 2005 a banda lança a demo que precede o seu primeiro álbum completo. Totalmente de acordo com a auto biografia, a demo contém dez faixas curtas e grossas executadas em pouco mais de 10 minutos de duração (10:14, pra ser exato). Com destaque para “Set Fire In The Bomb“, que serve de trilha sonora para uma estranha e engraçada história ocorrida numa passagem pelo interior da Bahia, segundo contou James aos Meninos da Podreira.

R-5451453-1394219341-7340.jpegCada disco tem sua própria dinâmica, por isso, quem diz que disco de grindcore ou de “seja lá  o que for” é tudo igual, comete o erro da generalização. Indigesto (2006) contém todos os componentes de um disco do gênero. Porém, contém também traços que se ressignificam com o tempo. Pelo menos se o considerarmos na perspectiva dos dissidentes, que dão voz ao coro contra os desarranjos sociais, à opressão e à alienação. A música aqui, é o contorno que dá forma ao conteúdo.

093426b1de20537510d95cf15e436ff1Ao ouvir O Joio (2010) as primeiras palavras que me vieram à mente foram “puta que pariu!”. (…) Agora num nível de produção mais profissional a banda se mostra mais claramente em sua proposta musical. E não é somente esporro gratuito. A [banda] Facada tem personalidade! Pelo menos é o que os anos de estrada parecem nos dizer através de mais este trabalho. O disco marca a entrada de Danyel (guitarra) no grupo e o cara já mostra a que veio. A banda parece ter assimilado influências, as mais diversas, pois tudo num liquidificador e o resultado é esta agressão sonora.

a1239883345_10Nadir (2013) veio para consolidar o trabalho realizado ao longo de dez anos. Mais apropriados de seus instrumentos e com uma postura mais amadurecida, a Facada produz um disco simples e poderoso. Nadir ou Nazir é um conceito utilizado pela banda para significar o ponto mais baixo do ser humano. Um tema pertinente numa época em que nos vemos obrigados a defender o óbvio. O disco conta com as participações de Marcelo Appezzato (Hutt), Jão (Ratos de Porão) e John “The Maniac” Leatherface (Chronic Infect).

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Em parceria com a banda grega Stheno, lançou este ano (2017) mais um petardo, o brutal “Primitive“. Ao todo são 11 faixas, sendo que, ao Stheno, coube 7 delas, enquanto que a Facada entra 4 vezes. Musicalmente não há muito o que discutir: pancadaria distribuída à torto e à direito. As duas bandas, oriundas de culturas bem distintas guardam similaridades, o que conferiu ao trabalho, bastante linearidade. O disco está sendo lançado por quatro selos ao mesmo tempo.

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O título Nenhum Puto de Atitude (2017) de cara  soa como um escárnio pois, no apanhado de faixas que ouvi no Youtube, pode-se ver que o que não falta aqui é atitude. Tocando covers de nomes como Bad Brains, Titãs, Napalm Death, Sarcófago, Misfits, Dorsal, entre outros, o disco já é um dos álbuns mais esperados por este que vos escreve. Na Europa, o álbum está saindo como edição limitada em 500 cópias. Destaque para a arte de capa feita por Vitor Willemann parafraseando o Secos e Molhados em seu disco de estréia.

Agora, com uma visão mais ou menos panorâmica sobre a banda e o que ela representa podemos retomar a argumentação e tentar responder as questões acima propostas:

  1. Não há como negar, o nome Facada hoje, é comentado nos corredores, nos becos e nas ruas da periferia do rock, – diga-se de passagem, – com ecos no exterior. Muito provavelmente pela postura dos caras, conforme o modo pelo qual eles próprios se definem enquanto banda. Principalmente, porque parece haver coerência no discurso por eles apregoado.
  2. Não sei se há, de fato, algo de genial na música da banda. Mas de brutal, sem dúvida, há! A mesma brutalidade que consagrou nomes como Napalm Death, e Nasum, entre outros. O fato é que a simplicidade da sua música e a sua despretensão como projeto musical pode significar, sim, um traço de genialidade. Talvez haja realmente algo de complexo em se fazer o simples. E isto pode simbolizar mais do que adesão a um estilo. Talvez, simbolize uma visão de mundo! O que certamente deve dar um nó na cabeça dos “trues”.

Porém, essa questão dá muito pano pra manga e o que nos interessa aqui é a música. Portanto, todas as tentativas de resposta que se formularem em torno do assunto serão bem-vindas. Deixo-os com a excelente versão de Igreja, dos Titãs. Forte abraço.


Referências: