Acadêmico, Comportamento

A palavra [11]: Wittgenstein: o último representante da tradição e o primeiro da contemporaneidade

Wittgenstein absorveu influências das mais variadas, como é possível notar na leitura de suas obras. Teve influências de diversos autores, entre os quais destacamos Boltzmann, Hertz, Schopenhauer, Frege, Russell, Kraus, loos, Weininger, Spengler, Sraffa e Moore[1]. Alguns desses, contemporâneos do filósofo em estudo, não receberam maior menção nesta pesquisa, em virtude de suas obras estarem mais diretamente relacionadas com o Tractatus. Já Platão e Aristóteles, que não têm uma relação direta com nosso filósofo, foram escolhidos para tanto por tratarem, de forma mais específica, dos fundamentos da linguagem e dá lógica. Nesse sentido, podemos situá-los como influências indispensáveis para a compreensão da segunda fase de Wittgenstein.

Situado entre duas significativas vertentes filosóficas, o Positivismo Lógico, do Círculo de Viena, e a Escola da Filosofia da Linguagem, do Grupo de Oxford, Wittgenstein influenciou bastante o pensamento de sua época. A escola do Círculo de Viena absorveu várias das ideias do filósofo em sua primeira fase, adotando, entre outras, a teoria do princípio da verificabilidade.[2] Necessário é dizer que nem tudo do trabalho de Wittgenstein foi adotado pelas escolas para as quais serviu de inspiração, como é o caso, por exemplo, da teoria da figuração, rejeitada pela escola. Mesmo assim, alguns de seus mais fiéis seguidores o reverenciam como sendo, ele, o pai do Positivismo Lógico. Fontes externas a nossa pesquisa indicam que isso não é verdade, o que, entretanto, é desnecessário demonstrar neste momento da argumentação. O Grupo de Oxford, por sua vez, adotou em muito a filosofia linguística de Wittgenstein. Também nesse caso, os seguidores mais assíduos chegaram a considerá-lo como o pai da Filosofia Linguística. Conforme indicações, Wittgenstein não foi, nem teve a pretensão de ser, o precursor dessa vertente filosófica; G.E. Moore seria o nome mais provável.[3]

A obra wittgensteiniana exerceu e ainda exerce forte influência no pensamento filosófico contemporâneo. A prova disso é que o filósofo traz, em seus ombros, o peso de haver sido o último representante da tradição e o primeiro da contemporaneidade. Responsabilidade que chamou para si, ao se rebelar contra o modelo o qual ele ajudou a construir.[4] Dessa forma, contribuiu em muito para a expansão do pensamento filosófico ocidental, afastando ao máximo as fronteiras em cada extremo de sua dimensão. A perspectiva do segundo Wittgenstein elevou as possibilidades do conhecimento humano ao concebê-lo como resultado de um processo linguístico construído através das ações do homem. Diria mesmo que, em Wittgenstein, todo o pensamento filosófico, todo o trabalho intelectual que o homem produziu no transcorrer de sua existência é, na verdade, uma grande conversação que gira em torno da linguagem.


[1] GLOCK, Hans-Johann, op. cit., p. 21-23.

[2] WITTGENSTEIN, op. cit., p. 16.

[3] Ibid., p. 17.

[4] OLIVEIRA, Manfredo Araújo de, op. cit., p. 117.

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