Música, Rock/Metal

audição cega#1 – Desafio do Rock

Quem é “dos” rock, provavelmente conhece a Revista Roadie Crew e sua seção Blind Ear, que consiste de uma brincadeira na qual um convidado ouve um trecho (recortado aleatoriamente) de uma faixa musical para, em seguida, tentar reconhecê-la e nomeá-la. Informando ainda o nome do seu autor (artista, banda, etc.).

Os amigos Sidney Alencar (Meus 300 Discos) e Rogério Ribeiro, trouxeram a brincadeira para o nosso grupo particular (Calangos From Hell) e, havendo gostado da ideia, resolvi aplicá-la aqui no blog, sob a alcunha de “Audição Cega” (pra evitar problemas com os proprietários da marca).

Assim, lanço o DESAFIO para todos aqueles que gostem de rock e queiram testar seus sentidos e conhecimentos do estilo.

Escrevam nos comentários o nome da música e do artista em questão.

Forte abraço e até breve!


:: Feedback, de um modo geral, é sempre bem-vindo.

Música, Rock/Metal

rock/metal# Hostile Inc. – Hostilidade e melodia!

13087392_1120667947990563_9146552541805343489_nO Hostile Inc. é uma banda de Fortaleza/CE formada em 1996, que tem no Death Metal a essência do seu som. A longa estrada ajudou a lapidar e aprimorar a música da banda que, fazendo jus ao sobrenome, incorporou sutilmente diferentes elementos à sua sonoridade, sem perder sua hostilidade musical para que o primeiro nome também fosse justificado.

O Heavy Metal, a Música Progressiva, o Black Metal e até Música Erudita incorporaram-se a um Death Metal hostil e melódico, numa perfeita alquimia, dando origem a uma sonoridade, despretenciosa, porém, longe do lugar comum.

download-4O último livro do Alcorão, Qiyamat, dá nome ao primeiro full length do Hostile Inc.. Lançado em 2008, com o clipe da música Mechanical Man. O disco, bastante elogiado pelos fãs da música pesada, agradou a mídia especializada, levando a banda a ter lugar de destaque na edição 128 da maior revista brasileira dedicada ao Metal, Roadie Crew – com uma entrevista de página inteira – e a ser uma das bandas revelação de 2010, votada pelos próprios leitores da mesma publicação. Outro trabalho surgiu na forma de um clip da música Levitico.

13912799_1186324711424886_7496791661037555445_nO mais novo lançamento é o single La Petite Mort, uma amostra do que virá no próximo álbum. Cheio de climas que variam do brutal ao sepulcral, no qual buscou-se aprimorar a técnica e agressividade já conhecidas pelos fãs da banda. Aqui as muitas nuances da música remetem às diversas influências da banda. Depois de algumas audições me pareceu notória em ambos os trabalhos as influências de Merciful Fate, Morbid Angel, Nocturnos, Dimmu Borgir, Cradle Of Filth, dentre outras.

Presentes em zines impressos e eletrônicos, sites, redes sociais, blogs e outras revistas, as ótimas resenhas ao primogênito hostil levam a crer que o trabalho sério e árduo da banda vem sendo reconhecido.

Ao longo dos anos a banda se apresentou em várias cidades de norte a sul do Brasil, tendo tocado em grandes festivais como o Orquídea Rock Festival em Lages/SC, ao lado do Glen Hughes (“The Voice of Rock”, ex Deep Purple), o Palace of Sin em Curitiba/PR, Palco do Rock, em Salvador-BA, três edições do Forcaos em Fortaleza/CE, duas edições do Wacken Metal Battle Brasil (2007 em Salvador e 2010 em Fortaleza), finalista na seletiva para o Sweden Rock Festival 2015, e em grandes shows avulsos em outras cidades do Brasil, sempre arrancando elogios por onde passa.

A Hostile Inc. atualemente é formada Mac Hostile (vocal), Marcelo Loko e Ítalo Porto (guitarras), Rodrigo End (bateria) e Adriano Abreu (baixo).


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Acadêmico, Comportamento

A palavra [17]: Referências

ALENCAR, Marta Vitória de. Da teoria pictórica aos jogos de linguagem. Revista Discutindo Filosofia, São Paulo, n. 9, ano 2, p. 47-49.

BUCHHOLZ, Kai. Compreender Wittgenstein. Tradução de Vilmar Schneider. Petrópolis: Vozes, 2008. (Série Compreender).

DENETT, Daniel; MACRONE, Michael. Wittgenstein. Disponível em: <http://www.geocities.com/Athens/4539/o_mundo_consiste_de_fatos.htm&gt;. Acesso em: 20 ago. 2008.

FLUSSER, Vilém. Língua e realidade. 2. ed. São Paulo: Annablume, 2004.

GARCÍA-ROZA, Luiz Alfredo. Palavra e Verdade na Filosofia Antiga e na Psicanálise. 4. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

GLOCK, Hans-Johann. Dicionário Wittgenstein. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.

MACHADO, Alexandre Noronha. As Investigações Filosóficas de Wittgenstein: Estilo e Método. In: Colóquio Prazer do Texto, 2., 2006, Salvador. Anais eletrônicos…Salvador: UFBA, 2006. Disponível em: http://alexandremachado.50webs.com/pesquisa/comunicacoes/investigacoes.pdf&gt;. Acesso em: 21 set. 2008.

MARQUES, José Oscar de A. Espaço e Tempo no Tractatus de Wittgenstein. In: ÉVORA, F.R.R. (org.). Espaço e Tempo. Campinas: CLE-Unicamp, 1995. p. 109-131. Disponível em: <http://www.unicamp.br/~jmarques/pesq/Espaco_e_Tempo_no_Tractatus_de_Wittgenstein.pdf&gt;. Acesso em: 16 ago. 2008.

OLIVEIRA, Manfredo Araújo de. Reviravolta lingüístico-pragmática na filosofia contemporânea. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2004.

PLATÃO. Crátilo. Lisboa: Instituto Piaget, 2001.

REALE, Giovanni. História da filosofia antiga. São Paulo: Loyola, 1994. (Série História da Filosofia).

SANTAELLA, Lúcia. O que é semiótica. São Paulo: Brasiliense, 2007. (Coleção Primeiros Passos).

SCRUTON, Roger. Introdução à Filosofia Moderna. Rio de Janeiro: Zahar, 1982. p. 268-281. Disponível em: <http://www.cfh.ufsc.br/~mafkfil/scruton.htm&gt;. Acesso em: 19 ago. 2008.

WITTGENSTEIN, Ludwig. Investigações Filosóficas. São Paulo: Nova Cultural, 1989.

WITTGENSTEIN. São Paulo: Nova Cultural, 1989. (Coleção Os Pensadores)


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Acadêmico, Comportamento

A palavra [16]: CONCLUSÃO

Quando iniciamos este trabalho, delimitamos nosso percurso intelectual no projeto de monografia, sob a forma de sumário. Agora que chegamos ao momento final da pesquisa, é hora de avaliar se nossos objetivos foram atingidos e de que forma o foram. No primeiro capítulo, buscamos realizar uma contextualização da vida e da obra de Wittgenstein, de modo que pudéssemos adentrar seu pensamento por meio das circunstancialidades nas quais a obra estudada está envolta. Na primeira parte desse capítulo, enfatizamos a trajetória intelectual do autor e as relações que se deram em torno da perspectiva teórica, de maneira a poder perceber como os acontecimentos influenciaram a conhecida reviravolta pragmática. Na segunda parte, relatamos um ponto fundamental de sua teoria, que culmina com a relativização do paradigma da função designativa da linguagem como concepção de uma linguagem ideal. Já na terceira e última parte desse capítulo, destacamos a transformação através da qual Wittgenstein chega à descoberta da função designativa da linguagem como apenas uma entre tantas outras possíveis, e esta viria a ser mesmo não um instrumento de comunicação de um conhecimento já realizado, mas condição de possibilidade para a realização do conhecimento humano enquanto tal. Diante de tais elucidações, acreditamos ter cumprido os objetivos propostos para esse capítulo.

Na primeira parte do segundo capítulo, analisamos a metodologia de Wittgenstein em suas principais obras, ocasião na qual enfatizamos, de forma mais apropriada, a reviravolta metodológica já diversas vezes mencionada neste estudo. Percebemos que nosso filósofo aplicou a si próprio o mesmo pragmatismo que impunha aos escritos de terceiros. Entre pesquisas e analogias, optamos por denominar seu método, na obra estudada, de descritivo-crítico pelos motivos anteriormente mencionados. Na segunda parte, relacionamos as categorias centrais das Investigações Filosóficas com os fundamentos platônico-aristotélicos, visto serem imprescindíveis para que Wittgenstein atingisse seus próprios fundamentos. Platão, por tratar-se do precursor no estudo da linguagem; Aristóteles, por estabelecer as bases sobre as quais a linguagem seria realizada, sendo esta uma estrutura lógica em que o pensamento seria a relação lógica entre o mundo (a realidade) e a linguagem. Na terceira parte, salientamos o rompimento entre a filosofia tradicional e a contemporânea, e encontramos, justamente em Wittgenstein, o elo entre essas duas grandes épocas. Esse filósofo foi o último representante do pensamento filosófico tradicional e o primeiro do contemporâneo e, como tal, responsabilizou-se pela quebra dos paradigmas que os separam fundamentalmente. Se Wittgenstein não respondeu a todas as questões decorrentes desse rompimento, tem, pelo menos, o mérito de havê-lo rompido, o que, por si só, é algo louvável. Assim, damos conta de mais um capítulo cujo desfecho converge rumo ao proposto para tal.

No terceiro capítulo, na primeira parte, tratamos dos fenômenos que se configuram como plano de fundo de toda a argumentação em torno da obra wittgensteiniana: a realidade física, que Wittgenstein chama de totalidade dos fatos e cuja linguagem tenta abarcar; a consciência, que supõe todo e qualquer agir humano em torno da realidade; e a subjetividade, que, para o filósofo em evidência, é a forma pela qual a linguagem se manifesta indeterminada. Na segunda parte, concebemos uma estética da linguagem a partir das noções colhidas nas duas principais categorias tratadas nas Investigações Filosóficas: as formas de vida e os jogos de linguagem. Wittgenstein define a forma de vida como sendo o contexto de ação no qual a linguagem se desenvolve (esta é sua imagem), e o jogo de linguagem como sendo a relação entre cultura e linguagem (esta é sua fisiologia). Por fim, na terceira parte desse último capítulo, buscamos criar condições para responder à pergunta em função da qual toda a argumentação foi estruturada. Questão esta recolhida das Investigações Filosóficas e respondida de modo a encontrar o assentimento de seu próprio autor. A significação de uma palavra é seu uso na linguagem – esta é a resposta para a questão central de nosso estudo. Agora, podemos dar por encerrada nossa argumentação.

Antes das considerações finais, julgamos necessário esclarecer que o pretendido com esta exposição não foi, de modo algum, demonstrar, ou provar nossos pontos de vista em relação à argumentação de Wittgenstein. Nosso objetivo primordial foi, concordando com o autor, procurar, na medida do possível, apresentar os fatos sem querer dar a eles uma segunda versão, pois concluímos que, para o trabalho filosófico, é mais importante a exposição, a explanação dos fatos em busca de uma proximidade maior com isto que se convencionou chamar de verdade, embora devamos concordar que alcançar uma verdade absoluta seja, de fato, impossível.

Finalmente, podemos dizer que a impressionante transformação espiritual pela qual Wittgenstein passou foi, certamente, determinante para a reviravolta linguístico-pragmática operada em sua vida. Tal acontecimento trouxe consequências radicais para todas as áreas do conhecimento na contemporaneidade. A linguagem, tradicionalmente concebida como uma imagem do mundo cuja principal função seria descrevê-lo, foi elevada ao status de condição de possibilidade de realização desse conhecimento, isto é, passou a ser o centro doador de significação dos fatos da realidade, visto que, com ela, conhecem-se e aprendem-se os fatos da realidade.

Nestes momentos finais, resta-nos ainda considerar o fato de que a concepção do fenômeno linguístico foi radicalmente modificada com Wittgenstein e a partir dele. Se, de forma geral, o senso comum porventura continua a ancorar suas experiências linguísticas em concepções tradicionais, podemos concordar que, cientificamente, essa concepção é, hoje, algo completamente defasado, o que nos leva a perceber a importância do pensamento filosófico de Wittgenstein para a contemporaneidade. Após a leitura dos escritos desse filósofo, é possível perceber que especialistas em linguagem, das diversas áreas do conhecimento, apropriam-se dessas descobertas no âmbito de suas respectivas profissões. Estudiosos das áreas da Semiótica, do Marketing, das Letras e da Linguística, em geral, têm se utilizado, cada vez mais, do legado wittgensteiniano, de modo a contribuir para o aperfeiçoamento de suas ideias.

A herança wittgensteiniana tem sido tratada, ao longo do tempo, sob as formas e os aspectos mais diversos, cada um contribuindo, com sua interpretação, para a expansão do conjunto da obra de Wittgenstein. Uns acusam outros de incorrer nos mais variados erros interpretativos, de considerar, ou de desconsiderar certos aspectos, contextos e relações nos quais o autor teria se baseado para chegar a suas descobertas. Independentemente do fato de haver interpretações certas ou erradas, o que fica é a relevância de todo o conjunto de argumentações desses estudiosos para o enriquecimento do conhecimento do fenômeno linguístico e desse fenômeno como condição para a evolução do conhecimento humano de modo geral.


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Acadêmico, Comportamento

A palavra [15]: A palavra enquanto unidade central de significação

A obra aqui explorada tem como cerne o estudo da palavra e seu uso no processo de interação social dos homens. Procura considerá-la em todas as formas e sob todos os aspectos, inclusive, a partir das classes gramaticais e das convenções que se dão em torno do processo linguístico. A palavra é o meio pelo qual o homem pode expressar todo o conjunto de signos linguísticos a que tem acesso. Sendo a palavra a unidade central de significação de nossa linguagem, é através dela que podemos acessar os infinitos significados da realidade, instrumentalizando-nos para interpretá-la. A palavra tem a propriedade da flexibilidade, isto é, guarda em si todos os componentes da significação. Mais que isso: quando associada a outras palavras, essa capacidade de significar sofre, por assim dizer, uma espécie de dilatação, permitindo que possamos, através do significado, expressar coisas, atos, processos e fenômenos. Se considerarmos, ainda, as circunstâncias nas quais as palavras são postas, elas vão além daquilo que, comumente, percebemos. Elas assumem formas, aspectos, modos e tempos que variam de acordo com os contextos em que se situam.

No primeiro capítulo deste trabalho, dissemos, conforme a obra estudada, que Wittgenstein vê, na palavra, a unidade central de significação de nosso sistema linguístico, de modo que ela é que torna possível a articulação do pensamento em frases, porquanto é fundamental para a forma humana de se expressar. Vejamos, nas palavras do autor, um exemplo do que acima é dito, ao se referir a certo escrito de Santo Agostinho na obra Confissões.

“[…] Nessas palavras temos, assim me parece, uma determinada imagem da essência da linguagem humana. A saber, esta: as palavras da linguagem denominam objetos – frases são ligações de tais denominações. – Nesta imagem da linguagem encontramos as raízes da idéia: cada palavra tem uma significação. Esta significação é agregada à palavra. É o objeto que a palavra substitui.”[1]

Temos, então, já no parágrafo primeiro das Investigações Filosóficas, o exemplo de um diálogo em que Wittgenstein enfatiza, de forma simples, a função designativa da linguagem. Isso, contudo, se a compreendermos de acordo com os parâmetros tradicionais.

Prosseguindo, porém, a leitura do mesmo parágrafo e fazendo-a com atenção, vemos, um pouco mais adiante, que o que nosso filósofo pretende mostrar é bem diferente do que nossa observação nos induz a fazer de modo imediato. Analisemos a conclusão do parágrafo:

[…] “mas como ele sabe onde e como procurar a palavra ‘vermelho’, e o que vai fazer com a palavra ‘cinco’?’ – Ora, suponho que ele aja como eu descrevi. As explicações têm em algum lugar um fim. – Mas qual é a significação da palavra ‘cinco’? – De tal significação nada foi falado aqui; apenas, de como a palavra ‘cinco’ é usada.”[2]

Esse fragmento ressalta o modo como a palavra está sendo empregada dentro da forma de vida que a precede. Notemos que, pela maneira tradicional de pensar, somos induzidos a procurar pelo significado da palavra em detrimento de sua situação contextual, o que, de certa forma, invalida a análise que se faz nessas condições, visto que, assim, o diálogo ficaria desprovido de sentido. Essa é, segundo Wittgenstein, uma ilusão causada pela gramática da língua, que privilegia o significando do conceito e deixa de considerar o modo como as palavras são empregadas dentro de um processo. Ao que parece, encontramos, assim, a chave do pensamento do segundo Wittgenstein.

Não é que a palavra substitua o objeto ao designá-lo; o que ela faz é afirmar a existência desse objeto em função de determinados referenciais. Estes, por sua vez, são colocados em segundo plano por nós quando aprendemos o uso da linguagem por meio das normas gramaticais. Isso ocorre em virtude de serem as normas idealizadas sem a consideração das infinitas formas de vidas em que um processo pode acontecer. Dessa maneira, nossa compreensão do signo se torna errada pelo fato de desconhecermos, ou de mal identificarmos o núcleo segundo o qual o significado se processa. Explicando melhor: se procuramos pelo significado de uma palavra considerando a palavra em si mesma, podemos acreditar num significado fixo e imutável – o conceito. No entanto, se procurarmos pelo significado de uma palavra considerando a forma de vida na qual ela está inserida e a maneira como ela é empregada, teremos um significado variável de acordo com as circunstâncias. E, como, na práxis linguística cotidiana, isso é o que, de fato, acontece, podemos afirmar, sem sombra de dúvida, que a palavra, enquanto unidade de significação, não guarda ela própria seu significado, mas que este se processa conforme o uso que dela é feito.

Diante do acima exposto, remetendo à introdução do nosso trabalho, estando amplamente familiarizado com as categorias fundamentais do pensamento wittgensteiniano, e acreditando haver criado as condições necessárias para realização de nosso intento, podemos, então, responder, de forma apropriada, por que Wittgenstein diz, em sua obra Investigações Filosóficas, que a significação de uma palavra é seu uso na linguagem.

Durante todo o percurso que, agora, será concluído, procuramos enfatizar, de acordo com as obras estudadas, a questão dos contextos enquanto instância central de significação das expressões linguísticas. Os contextos, os quais Wittgenstein também chama de formas de vida, retratam o fenômeno que se manifesta através da interação social dos homens. É esse fenômeno, precisamente, a origem de todo o conjunto de significações presentes numa forma de vida: o jogo de linguagem. Esse jogo é o movimento que dá forma a uma forma de vida. É ele que determina o que se pode predicar de uma forma de vida e aquilo que nela é predicável. É, pois, resultado do processo de interação dos homens. Nessa perspectiva, Wittgenstein ressalta a maneira como são usadas as palavras dentro de um jogo, salientando a força das circunstâncias sobre o sentido das palavras e considerando os arredores do processo como imprescindíveis à materialização dos fenômenos linguísticos. Nesse sentido, conforme Oliveira (Oliveira, 2004), em sua Reviravolta Linguístico-pragmática, “a significação das palavras só pode ser esclarecida por meio do exame das formas de vida, dos contextos em que essas palavras ocorrem, pois é o uso que decide sobre a significação das expressões lingüísticas”[3].

Ao que constatamos no § 43 das Investigações Filosóficas, “pode-se, para uma grande classe de casos de utilização da palavra ‘significação’ – senão para todos os casos de sua utilização -, explicá-la assim: a significação de uma palavra é seu uso na linguagem”[4]. E ainda: “Todo signo sozinho parece morto. O que lhe dá vida? – No uso, ele vive. Tem então a viva respiração em si? – Ou o uso é sua respiração?”[5].

Desse modo, como tivemos oportunidade de constatar, em quase todos os momentos do estudo dessa obra, fica nossa questão fundamental respondida assim: o significado das palavras se dá por seu uso, ou seja, pela forma como a utilizamos quando interagimos com os demais. Não há significado fixo, imutável. Se assim fosse, nossa comunicação seria mecânica e desprovida de sentido na maioria das vezes. Para compreendermos o significado de uma palavra, temos que levar em conta os arredores do processo: as circunstâncias, os elementos extralinguísticos – o contexto de maneira geral.

Finalmente, após tantos parênteses e pontos finais, cremos ter cumprido a última etapa de nosso trabalho. Considerando a finalidade com a qual esta pesquisa foi realizada, isto é, a de tratar dos fundamentos da linguagem levando em conta as perspectivas que se abrem para uma nova forma de pensá-la no estágio atual de conhecimento da humanidade, esmiuçamos a obra de Wittgenstein, pondo-a em relação com antigas e novas categorias de pensamento, inclusive, trazendo, para o corpo deste trabalho, outras já bem esgotadas nos dias de hoje – como é possível notar. Salientamos que, para esta composição, privilegiamos o uso de uma linguagem simples, que pudesse, de forma clara, expressar nosso posicionamento em relação às orientações encontradas nas diversas fontes de pesquisa e, sobretudo, na obra que nos inspirou a realizar esse constructo. Esperamos, com isso, contribuir para o crescimento das pesquisas em torno desse tema, que, por si mesmo, já é bastante instigante, de modo que, agora, podemos, sem mais pormenores, colocar o último e definitivo ponto final.


[1] WITTGENSTEIN, Ludwig. Investigações Filosóficas. São Paulo: Nova Cultural, 1989. § 1. p. 9.

[2] Ibid., § 1, p. 10.

[3] OLIVEIRA, Manfredo Araújo de, op. cit., p. 132.

[4] WITTGENSTEIN, Ludwig, op. cit., § 43, p. 28.

[5] Ibid., § 432, p. 131.

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resenha# Sinática – Velhos Tempos

Formada em 2015, a Sinática, banda de Fortaleza, fala principalmente de amor em suas letras. Com arranjos orientados para o Pop Rock, a banda manifesta um certo inconformismo, fugindo uma pouco ao padrão das “mais tocadas” nas rádios FM. As principais influências variam de J.Quest à Legião Urbana. Porém, com um pouco de atenção, é possível perceber resquícios de Zero e Kássia Eller.

O grupo já se apresentou em lugares como Estádio Presidente Vargas, FM Fortaleza, North Shopping Fortaleza, Motorock Bar Rota 66, Republik, Bolacha Mágica e Estádio Murilão. Sendo que também, o trabalho já foi apresentado na televisão, jornais e sites. E vem sendo também divulgado nas rádios.

8d7f197b1b7bb8ab07db77efd712727a2cfb68f5Lançando seu EP com 7 faixas intitulado “Velhos Tempos”, a banda dedica-se à produção autoral. Os músicos demonstram talento e fazem bom uso das influências pessoais, o que confere ao trabalho em questão, certa versatilidade. O legal disto tudo é que a banda é jovem e, portanto, com muita estrada pela frente. Então, com muita ralação e uma boa produção, em pouco tempo estará pronta para ser abraçada pelo mercado. Para quem é do rock/metal, uma coisa agradável é o peso da bateria e a guitarra (algumas vezes) estridentes!

Fundada por I’talo Mouta (vocal/violão), juntamente com Felipe Arraes (bateria), o grupo é complementado por Saulo Matheus (guitarra) e Henrique Almeida (Baixo).


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A palavra [14]: Estética e fisiologia da linguagem

Dissemos anteriormente que as palavras adquirem significação mediante as circunstâncias, e que as circunstâncias se vinculam às maneiras de interação social dos homens. Se assim o é, então, é pela análise das formas de vida que podemos vir a compreender nossa própria linguagem. Concebendo o termo forma de vida, Wittgenstein nomeou as relações que se dão espontaneamente, entre cultura e linguagem, dentro do contexto de ação em que são efetivadas. Para ele, a forma de vida é um fenômeno que deve ser compreendido como resultado de processos linguísticos e extralinguísticos. Desse modo, fazer uso da linguagem é uma prática que deve ser encarada como outras ações por nós desempenhadas corriqueiramente. A forma de vida é, nesse sentido, o contexto geral em que se desenvolve a linguagem humana, melhor dizendo, é a imagem da linguagem. É nela que se aprende o comportar-se frente à variabilidade das situações e é por meio dela que se dá a própria história do homem.

Às relações que se dão no âmbito de uma forma de vida Wittgenstein chama jogo de linguagem. Este é um fenômeno intrínseco à forma de vida. É um movimento composto de elementos linguísticos e extralinguísticos que manifestam a fisiologia da linguagem no instante e na forma em que esta se realiza. Sobre isso, disse Wittgenstein: “Chamarei também de ‘jogos de linguagem’ o conjunto da linguagem e das atividades com as quais está interligada”[1]. O jogo de linguagem é o meio pelo qual se expressa, através de palavras ou de outras formas, o sentido dos signos relacionados a uma forma de vida específica, considerando-se a indeterminabilidade das situações e as possíveis formas que podem assumir quando postas em relação com outros referenciais.

O que Wittgenstein quer salientar é o caráter de fluidez da realidade, manifestado nos jogos de linguagem, dentro do contexto da forma de vida. Nos termos do autor, “o termo ‘jogo de linguagem’ deve aqui salientar que o falar da linguagem é uma parte de uma atividade ou de uma forma de vida”[2]. O jogo de linguagem não é produto de uma forma de vida, mas algo que ocorre simultaneamente a ela, numa relação íntima e concatenada; não podem, assim, ser desvinculados um do outro. É um jogo regido por regras que, todavia, não se impõem de maneira rígida, permitindo que os participantes possam escolher o jeito mais adequado, ou mesmo, mais confortável, de se manifestarem mediante o uso das palavras. Isso tendo em vista que não há como estabelecer uma regra específica para cada ação, ou prever determinada ação em virtude de uma regra pré-estabelecida. Wittgenstein enfatiza:

“Que diremos então? Você tem regras prontas para tais casos – que digam se se podem ainda chamar a isto de ‘poltrona’?’. Mas elas nos escapam quando usamos a palavra ‘poltrona’; e devemos dizer que não ligamos a esta palavra nenhuma significação, uma vez que não estamos equipados com regras para todas as possibilidades de seu emprego?”[3]


[1] WITTGENSTEIN, Ludwig, op. cit., § 7, p. 12.

[2] Ibid., § 23, p. 18.

[3] WITTGENSTEIN, Ludwig. Investigações Filosóficas. São Paulo: Nova Cultural, 1989. § 80. p. 49.

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