Blues, Música

domingoblues# Doc Watson

Na infância, uma infecção de olho, o cegou. Mesmo assim, mostrou talento precoce para a música. Desenvolvendo seu estilo com base nas canções do folclore da região em que crescera. Seu violão suave e sua voz de barítono lhe renderam atenção durante um período de popularização da música folclórica no início da década de 1960. Watson foi um pioneiro popular de sua geração.

Mergulhou na música, aprendendo canções que tinha ouvido no rádio por pioneiros locais como Jimmie Rodgers. Adolescente, levou sua música para as ruas literalmente, tocando com seu irmão Linney Watson, nas esquinas da cidade de Boone (Carolina do Norte), onde em 2011, uma estátua de tamanho real foi erguida em sua homenagem. Recebeu seu apelido “Doc” quando, durante uma apresentação numa rádio local, um ouvinte assim sugeriu, baseado no jeito de tocar.

Uma das contribuições mais notáveis ​​de Watson para a música americana foi justamente o seu estilo rápido de tocar, que influenciou gerações de guitarristas de folk e  de rock. Bob Dylan comparou seu estilo picking com um “fluxo de água corrente”, enquanto que o próprio Watson o teria modestamente batizado de “country pickin”.

Watson teve uma carreira duradoura e seu estilo contry-blues regional influenciou artistas que vão da da música popular americana ao blues, estendendo-se ainda para o rock. Faleceu aos 89 anos de idade, em 2012, deixando uma boa herança artística para músicos de muitas gerações.

Referências:

Música, Rock/Metal

metalpesado# Dorsal Atlântica lança quadrinhos sobre a saga da banda.

unnamedAntes do novo CD CANUDOS, 02/05/17 marca a data do lançamento dos quadrinhos sobre a Dorsal na SIQ, Semana Internacional dos Quadrinhos na UFRJ, Rio de Janeiro. Foi uma longa jornada de um ano e um mês totalmente dedicados a escrever e desenhar. Muitas decisões foram tomadas para contar uma história de 50 anos – que incluí a vida pré e além banda – em 110 páginas. Não é uma história em quadrinhos comum, é um livro poético, reflexivo, de coração e peito abertos – e quadrinizados. Não é uma extensão e nem releitura superficial ou amenizada da biografia Guerrilha!, mas uma visão estendida da saga. Uma leitura madura e consciente dos passos dados e dos que ainda estão por vir. Trabalho da alma, da arte que abre asas e voa para o céu infinito. Um desafio, uma missão cumprida.”

Fonte: 

Música, Rock/Metal

metalpesado# Voodoopriest e o levante do metal nativo!

14492541_2008599029366357_1898292951332913750_nVoodoopriest é a nova banda do vocalista Vitor Rodrigues (ex-Torture Squad), que conta com os guitarristas César Covero (Endrah, ex-Nervochaos) e Renato DeLuccas (Exhortation), o baixista Bruno Pompeo (Aggression Tales, ex-CPM) e o baterista Edu Nicolini (ex-Nitrominds, ex-Musica Diablo). Lançou “Mandu“, o primeiro disco da banda, um álbum conceitual que conta a história verídica de Mandu Ladino, um índio que viveu no século 18 na região que é hoje o estado do Piaui. Um grande líder e herói, omitido dos livros de história do Brasil. Mandu reuniu voodoocoverdiversas tribos e as liderou até à morte contra a invasão de suas terras e a aniquilação do povo indígena. A proposta da banda é combinar elementos do thrash, death e heavy metal tradicional, com uma sonoridade moderna. Com músicas bem construídas, cheias de riffs instigantes, refrãos marcantes e doses fartas de peso equilibradas com um toque de groove, o Voodoopriest mostra que tem todas as qualidades para se tornar um grande nome do metal brasileiro e internacional.

A banda participa do Levante Metal Nativo, um movimento de bandas que fundem o Metal com elementos da música, folclore, cultura e história do Brasil. Juntamente com bandas como Aclla, Armahda, Cangaço, Hate Embrace, MorrigaM, Tamuya Thrash Tribe e Voodoopriest, abraçou a ideia da integração de elementos brasileiros à sua música e hoje trabalham para a consolidação dessa fusão, gerando novos estilos.

Referências:

Reflexão, sociedade

reflexão# Para enfrentar o mito do “crescimento econômico”

“Pesquisadora britânica propõe novo paradigma para a ciência econômica: abandonar o “homem racional, autorreferido e calculista”; voltar-se ao bem-estar de todos e à salvação do planeta

Por George Monbiot | Tradução: Inês Castilho

Então, o que vamos fazer a respeito? Essa é a única pergunta que vale a pena fazer. Mas as respostas parecem evasivas. Diante de uma crise multifacetada – a captura dos governos por bilionários e seus lobistas, a desigualdade extrema, a escalada dos demagogos, e sobretudo o colapso do mundo vivo –, aqueles que deveriam nos liderar parecem atordoados, mudos, desnorteados. Ainda que tivessem coragem para agir, não têm ideia do que fazer.

O máximo que tendem a oferecer é mais crescimento econômico: o pó de pirlimpimpim que fará, supostamente, todo o mal desaparecer. Não importa que leve à destruição da natureza, que tenha fracassado em aliviar o desemprego estrutural ou a desigualdade crescente, e que nos últimos anos quase todo o aumento na renda tenha caído nas mãos do 1% do topo da pirâmide. Como os valores, princípios e propósitos morais estão perdidos, a promessa de crescimento é tudo o que resta.

Os efeitos disso podem ser vistos num memorando “vazado” do ministério de Relações Exteriores do Reino Unido: “O comércio e o crescimento são agora a prioridade em todos os cargos … os trabalhos em mudanças climáticas e comércio ilegal de animais silvestres, por exemplo, serão reduzidos.” Tudo o que conta é o ritmo em que transformamos as riquezas naturais em dinheiro. Quem se importa se isso destrói nossa felicidade e as maravilhas que nos rodeiam?

Não podemos esperar que essa situação seja enfrentada sem uma nova visão de mundo. Não podemos usar os modelos que causaram nossas crises para resolvê-las. Precisamos reformular o problema. Isso é o que faz o livro mais inspirador publicado este ano.

170424-EconomiaEm Doughnut Economics: seven ways to think like a 21st-century economist (Economia da rosquinha: sete maneiras de pensar como um economista do século XXI, (tradução livre)), Kate Raworth nos recorda que inicialmente o crescimento econômico não foi concebido como medida de bem-estar. Simon Kuznets, que padronizou a mensuração do crescimento, avisou: “o bem-estar de uma nação dificilmente pode ser aferido a partir da mensuração de sua renda nacional”. O crescimento econômico, ressaltou, mede apenas o fluxo anual, e não os estoques de riqueza e sua distribuição.

Raworth salienta que no século XX a economia “perdeu o desejo de articular seus objetivos”. Ela aspirou ser uma ciência do comportamento humano: uma ciência baseada num retrato profundamente falho da humanidade. O modelo dominante – “o homem econômico racional”, autorreferido, isolado, calculista – diz mais sobre a natureza dos economistas do que sobre outros seres humanos. A perda de um objetivo explícito levou a disciplina a ser capturada por uma meta indireta: o crescimento sem fim.

O propósito da atividade econômica, argumenta Raworth, poderia ser “responder às necessidades de todos a partir dos recursos do planeta”. Ao invés de economias que “precisam crescer, independentemente de produzirem bem estar”, precisamos de economias que “assegurem bem estar, que cresçam ou não”. Isso significa mudar nossa visão do que é a economia e de como ela funciona.

A principal imagem da economia mainstream é a de um diagrama de fluxo circular. Ela retrata um ciclo fechado de rendimentos de famílias, empresas, bancos, governo e comércio, operando num vácuo social e ecológico. Energia, materiais, o mundo natural, a sociedade humana, o poder, a riqueza que mantemos em comum: falta tudo isso no modelo. O trabalho não pago – das mulheres, principalmente – é ignorado, embora nenhuma economia possa funcionar sem ele. Assim como o homem racional econômico, essa representação da atividade econômica comporta pouca relação com a realidade.

Raworth começa por redesenhar a economia. Ela a incorpora nos sistemas da Terra e na sociedade, mostrando o quanto depende do fluxo de materiais e energia, e recordando que somos mais do que apenas trabalhadores, consumidores e proprietários de capital.

 

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Essa constatação de realidades inconvenientes logo leva à sua inovação: uma representação gráfica do mundo que desejamos criar. Como todas as melhores ideias, seu modelo de rosquinha parece tão simples e óbvio que você imagina por que não pensou nisso antes. Mas adquirir essa clareza e concisão requer anos de reflexão: uma grande faxina nos mitos e deturpações com que fomos formados.

O diagrama consiste em dois anéis. O anel interior da rosquinha representa a suficiência dos recursos de que necessitamos para levar uma vida boa: comida, água limpa, moradia, saneamento, energia, educação, cuidados de saúde, democracia… Qualquer pessoa que viva abaixo dessa linha, no buraco do meio da rosquinha, vive em estado de privação.

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O anel exterior da rosquinha consiste nos limites ambientais da Terra, para além dos quais provocamos níveis perigosos de mudanças climáticas, redução da camada de ozônio, poluição da água, desaparecimento de espécies e outros atentados ao mundo vivo. A área entre os dois anéis – a rosquinha – é o “espaço ecologicamente seguro e socialmente justo” no qual a humanidade deveria esforçar-se por viver. O propósito da economia deveria ser ajudar-nos a entrar nesse espaço e ali permanecer.

Assim como descreve um mundo melhor, o modelo da rosquinha nos permite ver, de imediato e de modo compreensível, o estado no qual nos encontramos agora. Neste momento nós violamos as duas linhas. Bilhões de pessoas ainda vivem no buraco do meio. E infringimos a fronteira externa em vários pontos.

 

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Uma economia que nos ajudasse a viver dentro da rosquinha procuraria reduzir as desigualdades com relação à riqueza e à renda. A riqueza decorrente das dádivas da natureza deveria ser amplamente compartilhada. Dinheiro, mercados, taxação e investimentos públicos seriam concebidos para conservar e a regenerar recursos, ao invés de dilapidá-los. Os bancos estatais investiriam em projetos destinados a transformar nossa relação com o mundo vivo, tais como transporte público de zero carbono e sistemas de energia comunitários. Novas métricas deveriam calcular a verdadeira prosperidade, e não a velocidade com a qual degradamos nossas perspectivas de longo prazo.

Esses objetivos nos são familiares, mas sem uma nova estrutura de pensamento é pouco provável que soluções parciais sejam bem sucedidas. Repensando a economia a partir de seus princípios fundamentais, Raworth possibilita que integremos nossas propostas num programa coerente, e possamos então verificar em que medida ele se realiza. Vejo a autora como a John Maynard Keynes do século XXI: ao reestruturar a economia, ela permite que mudemos nossa visão de quem somos, de onde estamos e do que desejamos ser.

Agora precisamos transformar suas ideias em política. Leia seu livro e exija daqueles que detêm o poder que comecem a trabalhar por seus objetivos: o bem estar humano, num mundo vivo.

Referências:

Música, Rock/Metal

butecodorock# Quais bandas serão o futuro do rock?

WhatsApp Image 2017-04-27 at 13.37.25Todos temos ou tivemos ídolos! Principalmente na música, alguém nos inspira desde cedo. Acontece que o tempo passa e vamos perdendo nossos ídolos. Nesse sentido, sem procurar por substitutos, nos propusemos a seguinte reflexão: quem, dentre os principais nomes do rock/metal atual entrará para o time dos grandes? Dando uma de futurólogos, Sidney Alencar [meus 300 discos] e Eu, fizemos um podcast massa sobre os nomes que eventualmente deixarão seu nome registrado na história da música pesada. Se para você, algum nome que não foi citado, qual seria sua aposta para o futuro do rock? Ouça, critique e nos ajude a melhorar!

Reflexão, sociedade

extra# 25 artistas chamam atenção para a causa indígena!

A dica de hoje não é sobre um artista revelação. É maior do que falar sobre o sucesso de um indivíduo. É  uma manifestação de 25 artistas consagrados em defesa dos povos indígenas do Brasil, pelo direito à terra e pelo direito à vida!

Referências:

Música

bluenote# Johnny “Hammond” Smith

MI0003464637Apelidado pelo nome do modelo de seu instrumento, Johnny “Hammond” Smith era talvez um dos organistas de soul-jazz mais subestimados do auge do estilo. Nascido John Robert Smith em Louisville, KY, em 16 de dezembro de 1933, Smith começou a aprender piano como uma criança, idolatrando Bud Powell e Art Tatum no início. Depois de se mudar para Cleveland, Smith ouviu o pioneiro do órgão de jazz Wild Bill Davis e decidiu trocar de instrumento. Ele fez sua estréia profissional no órgão em 1958, na mesma época em que estava trabalhando como acompanhante para a vocalista Nancy Wilson. Em 1959, começou a gravar como líder da Prestige Records, uma relação que duraria até 1970 e produziu destaques como That Good Feelin, Talk That Talk, Black Coffee, Open House, Ebb Tide e Soul Talk, entre outros. Com o passar do tempo, o estilo de Smith se tornou progressivamente mais funkeado, e em 1971, ele encurtou seu nome para Johnny Hammond e entrou para a família de produtores da Creed Taylor. Hammond gravou cinco álbuns de jazz-funk nos três anos seguintes, incluindo Breakout, Wild Horses / Rock Steady e Mizell Brothers-helmed Gambler’s Life. Em 1975, Hammond mudou-se para Milestone Records e gravou [aquele que foi considerado] o auge de seu movimento em jazz-funk, Gears, uma colaboração com os Irmãos Mizell, que foi criticado por puristas e canonizado pelos fãs [mais apaixonados] de jazz. Depois de algumas sessões a mais para Milestone. Smith, mais ou menos aposentado do jazz, estabelecendo-se no sul da Califórnia e passar a investir em imóveis. Ele começou a gravar esporadicamente novamente nos anos 90, mas foi atingido pelo câncer e morreu em 4 de junho de 1997.

Referências: