Blues, Música

domingoblues# Doc Watson

Na infância, uma infecção de olho, o cegou. Mesmo assim, mostrou talento precoce para a música. Desenvolvendo seu estilo com base nas canções do folclore da região em que crescera. Seu violão suave e sua voz de barítono lhe renderam atenção durante um período de popularização da música folclórica no início da década de 1960. Watson foi um pioneiro popular de sua geração.

Mergulhou na música, aprendendo canções que tinha ouvido no rádio por pioneiros locais como Jimmie Rodgers. Adolescente, levou sua música para as ruas literalmente, tocando com seu irmão Linney Watson, nas esquinas da cidade de Boone (Carolina do Norte), onde em 2011, uma estátua de tamanho real foi erguida em sua homenagem. Recebeu seu apelido “Doc” quando, durante uma apresentação numa rádio local, um ouvinte assim sugeriu, baseado no jeito de tocar.

Uma das contribuições mais notáveis ​​de Watson para a música americana foi justamente o seu estilo rápido de tocar, que influenciou gerações de guitarristas de folk e  de rock. Bob Dylan comparou seu estilo picking com um “fluxo de água corrente”, enquanto que o próprio Watson o teria modestamente batizado de “country pickin”.

Watson teve uma carreira duradoura e seu estilo contry-blues regional influenciou artistas que vão da da música popular americana ao blues, estendendo-se ainda para o rock. Faleceu aos 89 anos de idade, em 2012, deixando uma boa herança artística para músicos de muitas gerações.

Referências:

Música, Rock/Metal

rock/metal# Voodoopriest e o levante do metal nativo!

14492541_2008599029366357_1898292951332913750_nVoodoopriest é a banda do vocalista Vitor Rodrigues (ex-Torture Squad), que conta com os guitarristas César Covero (Endrah, ex-Nervochaos) e Renato DeLuccas (Exhortation), o baixista Bruno Pompeo (Aggression Tales, ex-CPM) e o baterista Edu Nicolini (ex-Nitrominds, ex-Musica Diablo). Lançou “Mandu“, o primeiro disco da banda, um álbum conceitual que conta a história verídica de Mandu Ladino, um índio que viveu no século 18 na região que é hoje o estado do Piaui. Um líder e herói, omitido dos livros de história do Brasil. Mandu reuniu voodoocoverdiversas tribos e as liderou até à morte contra a invasão de suas terras e a aniquilação do povo indígena. A proposta da banda é, nesse sentido, combinar elementos do thrash, do death e do heavy metal tradicionail, com uma sonoridade moderna. Com músicas bem construídas, cheias de riffs instigantes, refrãos marcantes e doses fartas de peso equilibradas com um toque de groove, o Voodoopriest mostra que tem todas as qualidades para se tornar um grande nome do metal brasileiro e internacional.

A banda participa do Levante do Metal Nativo, um movimento de bandas que fundem o Metal com elementos da música, folclore, cultura e história do Brasil. Juntamente com bandas como Aclla, Armahda, Cangaço, Hate Embrace, MorrigaM, Tamuya Thrash Tribe, abraçou a ideia da união entre as bandas como forma de fortalecimento para promover um estilo novo de metal, baseado na integração de elementos da cultura indígena brasileira, à música pesada mundial, e hoje trabalham para a consolidação dessa fusão, gerando sons híbridos, orgânicos e pesados.

Referências:

Reflexão

reflexão# Para enfrentar o mito do “crescimento econômico”

“Pesquisadora britânica propõe novo paradigma para a ciência econômica: abandonar o “homem racional, autorreferido e calculista”; voltar-se ao bem-estar de todos e à salvação do planeta

Por George Monbiot | Tradução: Inês Castilho

Então, o que vamos fazer a respeito? Essa é a única pergunta que vale a pena fazer. Mas as respostas parecem evasivas. Diante de uma crise multifacetada – a captura dos governos por bilionários e seus lobistas, a desigualdade extrema, a escalada dos demagogos, e sobretudo o colapso do mundo vivo –, aqueles que deveriam nos liderar parecem atordoados, mudos, desnorteados. Ainda que tivessem coragem para agir, não têm ideia do que fazer.

O máximo que tendem a oferecer é mais crescimento econômico: o pó de pirlimpimpim que fará, supostamente, todo o mal desaparecer. Não importa que leve à destruição da natureza, que tenha fracassado em aliviar o desemprego estrutural ou a desigualdade crescente, e que nos últimos anos quase todo o aumento na renda tenha caído nas mãos do 1% do topo da pirâmide. Como os valores, princípios e propósitos morais estão perdidos, a promessa de crescimento é tudo o que resta.

Os efeitos disso podem ser vistos num memorando “vazado” do ministério de Relações Exteriores do Reino Unido: “O comércio e o crescimento são agora a prioridade em todos os cargos … os trabalhos em mudanças climáticas e comércio ilegal de animais silvestres, por exemplo, serão reduzidos.” Tudo o que conta é o ritmo em que transformamos as riquezas naturais em dinheiro. Quem se importa se isso destrói nossa felicidade e as maravilhas que nos rodeiam?

Não podemos esperar que essa situação seja enfrentada sem uma nova visão de mundo. Não podemos usar os modelos que causaram nossas crises para resolvê-las. Precisamos reformular o problema. Isso é o que faz o livro mais inspirador publicado este ano.

170424-EconomiaEm Doughnut Economics: seven ways to think like a 21st-century economist (Economia da rosquinha: sete maneiras de pensar como um economista do século XXI, (tradução livre)), Kate Raworth nos recorda que inicialmente o crescimento econômico não foi concebido como medida de bem-estar. Simon Kuznets, que padronizou a mensuração do crescimento, avisou: “o bem-estar de uma nação dificilmente pode ser aferido a partir da mensuração de sua renda nacional”. O crescimento econômico, ressaltou, mede apenas o fluxo anual, e não os estoques de riqueza e sua distribuição.

Raworth salienta que no século XX a economia “perdeu o desejo de articular seus objetivos”. Ela aspirou ser uma ciência do comportamento humano: uma ciência baseada num retrato profundamente falho da humanidade. O modelo dominante – “o homem econômico racional”, autorreferido, isolado, calculista – diz mais sobre a natureza dos economistas do que sobre outros seres humanos. A perda de um objetivo explícito levou a disciplina a ser capturada por uma meta indireta: o crescimento sem fim.

O propósito da atividade econômica, argumenta Raworth, poderia ser “responder às necessidades de todos a partir dos recursos do planeta”. Ao invés de economias que “precisam crescer, independentemente de produzirem bem estar”, precisamos de economias que “assegurem bem estar, que cresçam ou não”. Isso significa mudar nossa visão do que é a economia e de como ela funciona.

A principal imagem da economia mainstream é a de um diagrama de fluxo circular. Ela retrata um ciclo fechado de rendimentos de famílias, empresas, bancos, governo e comércio, operando num vácuo social e ecológico. Energia, materiais, o mundo natural, a sociedade humana, o poder, a riqueza que mantemos em comum: falta tudo isso no modelo. O trabalho não pago – das mulheres, principalmente – é ignorado, embora nenhuma economia possa funcionar sem ele. Assim como o homem racional econômico, essa representação da atividade econômica comporta pouca relação com a realidade.

Raworth começa por redesenhar a economia. Ela a incorpora nos sistemas da Terra e na sociedade, mostrando o quanto depende do fluxo de materiais e energia, e recordando que somos mais do que apenas trabalhadores, consumidores e proprietários de capital.

 

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Essa constatação de realidades inconvenientes logo leva à sua inovação: uma representação gráfica do mundo que desejamos criar. Como todas as melhores ideias, seu modelo de rosquinha parece tão simples e óbvio que você imagina por que não pensou nisso antes. Mas adquirir essa clareza e concisão requer anos de reflexão: uma grande faxina nos mitos e deturpações com que fomos formados.

O diagrama consiste em dois anéis. O anel interior da rosquinha representa a suficiência dos recursos de que necessitamos para levar uma vida boa: comida, água limpa, moradia, saneamento, energia, educação, cuidados de saúde, democracia… Qualquer pessoa que viva abaixo dessa linha, no buraco do meio da rosquinha, vive em estado de privação.

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O anel exterior da rosquinha consiste nos limites ambientais da Terra, para além dos quais provocamos níveis perigosos de mudanças climáticas, redução da camada de ozônio, poluição da água, desaparecimento de espécies e outros atentados ao mundo vivo. A área entre os dois anéis – a rosquinha – é o “espaço ecologicamente seguro e socialmente justo” no qual a humanidade deveria esforçar-se por viver. O propósito da economia deveria ser ajudar-nos a entrar nesse espaço e ali permanecer.

Assim como descreve um mundo melhor, o modelo da rosquinha nos permite ver, de imediato e de modo compreensível, o estado no qual nos encontramos agora. Neste momento nós violamos as duas linhas. Bilhões de pessoas ainda vivem no buraco do meio. E infringimos a fronteira externa em vários pontos.

 

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Uma economia que nos ajudasse a viver dentro da rosquinha procuraria reduzir as desigualdades com relação à riqueza e à renda. A riqueza decorrente das dádivas da natureza deveria ser amplamente compartilhada. Dinheiro, mercados, taxação e investimentos públicos seriam concebidos para conservar e a regenerar recursos, ao invés de dilapidá-los. Os bancos estatais investiriam em projetos destinados a transformar nossa relação com o mundo vivo, tais como transporte público de zero carbono e sistemas de energia comunitários. Novas métricas deveriam calcular a verdadeira prosperidade, e não a velocidade com a qual degradamos nossas perspectivas de longo prazo.

Esses objetivos nos são familiares, mas sem uma nova estrutura de pensamento é pouco provável que soluções parciais sejam bem sucedidas. Repensando a economia a partir de seus princípios fundamentais, Raworth possibilita que integremos nossas propostas num programa coerente, e possamos então verificar em que medida ele se realiza. Vejo a autora como a John Maynard Keynes do século XXI: ao reestruturar a economia, ela permite que mudemos nossa visão de quem somos, de onde estamos e do que desejamos ser.

Agora precisamos transformar suas ideias em política. Leia seu livro e exija daqueles que detêm o poder que comecem a trabalhar por seus objetivos: o bem estar humano, num mundo vivo.

Referências:

Música, Rock/Metal

butecodorock# Quais bandas serão o futuro do rock?

WhatsApp Image 2017-04-27 at 13.37.25Todos temos ou tivemos ídolos! Principalmente na música, alguém nos inspira desde cedo. Acontece que o tempo passa e vamos perdendo nossos ídolos. Nesse sentido, sem procurar por substitutos, nos propusemos a seguinte reflexão: quem, dentre os principais nomes do rock/metal atual entrará para o time dos grandes? Dando uma de futurólogos, Sidney Alencar [meus 300 discos] e Eu, fizemos um podcast massa sobre os nomes que eventualmente deixarão seu nome registrado na história da música pesada. Se para você, algum nome que não foi citado, qual seria sua aposta para o futuro do rock? Ouça, critique e nos ajude a melhorar!

Reflexão

brasil# 25 artistas chamam atenção para a causa indígena!

A dica de hoje não é sobre um artista revelação. É maior do que falar sobre o sucesso de um indivíduo. É  uma manifestação de 25 artistas consagrados em defesa dos povos indígenas do Brasil, pelo direito à terra e pelo direito à vida!

Referências:

Música

bluenote# Johnny “Hammond” Smith

MI0003464637Apelidado pelo nome do modelo de seu instrumento, Johnny “Hammond” Smith era talvez um dos organistas de soul-jazz mais subestimados do auge do estilo. Nascido John Robert Smith em Louisville, KY, em 16 de dezembro de 1933, Smith começou a aprender piano como uma criança, idolatrando Bud Powell e Art Tatum no início. Depois de se mudar para Cleveland, Smith ouviu o pioneiro do órgão de jazz Wild Bill Davis e decidiu trocar de instrumento. Ele fez sua estréia profissional no órgão em 1958, na mesma época em que estava trabalhando como acompanhante para a vocalista Nancy Wilson. Em 1959, começou a gravar como líder da Prestige Records, uma relação que duraria até 1970 e produziu destaques como That Good Feelin, Talk That Talk, Black Coffee, Open House, Ebb Tide e Soul Talk, entre outros. Com o passar do tempo, o estilo de Smith se tornou progressivamente mais funkeado, e em 1971, ele encurtou seu nome para Johnny Hammond e entrou para a família de produtores da Creed Taylor. Hammond gravou cinco álbuns de jazz-funk nos três anos seguintes, incluindo Breakout, Wild Horses / Rock Steady e Mizell Brothers-helmed Gambler’s Life. Em 1975, Hammond mudou-se para Milestone Records e gravou [aquele que foi considerado] o auge de seu movimento em jazz-funk, Gears, uma colaboração com os Irmãos Mizell, que foi criticado por puristas e canonizado pelos fãs [mais apaixonados] de jazz. Depois de algumas sessões a mais para Milestone. Smith, mais ou menos aposentado do jazz, estabelecendo-se no sul da Califórnia e passar a investir em imóveis. Ele começou a gravar esporadicamente novamente nos anos 90, mas foi atingido pelo câncer e morreu em 4 de junho de 1997.

Referências:

Feito no Brasil, Música

brasil# Geração Massafeira – Cantores, compositores e intérpretes [1]

[o presente texto é uma colaboração de Neivaldo Araújo]

Massafeira Livre foi um movimento musical brasileiro que aconteceu entre os anos de 1978 e 1980 no Ceará. O movimento se consolidou por meio de uma feira cultural realizada em 1979 no Teatro José de Alencar, em Fortaleza, abrangendo também manifestações artísticas como artes plásticas, cinema e literatura.

Foi lançado um álbum duplo em 1980, a partir do registro em estúdio de obras e performances de artistas que fizeram parte da Massafeira Livre.

No ano de 1979, cerca de quarenta músicos, intérpretes, produtores e arranjadores que participaram da movimentação cultural em torno da Massafeira Livre viajaram para o Rio de Janeiro para gravar o álbum, que foi lançado pela gravadora CBS (hoje Sony Music).

A única faixa gravada durante o evento e incluída no álbum duplo foi “Senhor Doutor”, de Patativa do Assaré. Foi a primeira vez que o poeta popular cearense se apresentou para o público da capital do seu estado.

O cantor e compositor Ednardo fez a direção artística, direção de produção e direção de estúdio do álbum Massafeira. A co-produção foi assinada por Augusto Pontes. A coordenação musical ficou a cargo de Rodger Rogério, Petrúcio Maia e Stélio Valle

Entre seus participantes, estiveram artistas:

01 - alanoÉ compositor, artista plástico, escritor, pianista, participou do Massafeira como autor da canção “O Sol é que é o quente“ interpretada por Ednardo e Ana Fonteles faixa que abre o disco dois do álbum.

Sua influencia musical herdou do seu pai, Aleardo Freitas, despachante aduaneiro na Alfândega, mas também um conceituado violonista e compositor, que chegou a acompanhar artistas famosos na época, do talento de Alcides Gerardi, Cauby Peixoto e Sônia Mamede, entre outros.

No campo das artes plásticas, Alano recorda também do seu tempo de infância, quando já tentava praticar os seus primeiros rabiscos. “Desde criança, com uns cinco ou seis anos, eu já desenhava, copiando revistas em quadrinhos”.

Começou a compor na época que estudou no Colégio Cearense, depois passou a participar dos festivais musicais no final da década de 60, onde conheceu nomes como Augusto Pontes, Ricardo Bezerra, Fagner, Teti e Rodger Rogério.

Sempre foi um agitador cultural, lançou o disco “Liberado” em 1989, que registrou as parcerias com Francis Valle, e o Cd “Quaisquer Canções” em 2007, desta vez os parceiros são vários como Chico Pio, Abdoral Jamacaru, Joaquim Ernesto entre outros,  grandes nomes foram convidados para interpretar as canções e Alano só interpreta uma música, em dueto com Kátia Freitas.

02 - ana fontelesQuando participou do disco Massafeira estava recém chegada de Parnaíba, veio para concluir os estudos e fazer o vestibular, cantou “O Sol é Que é o Quente” em dueto com Ednardo nos créditos da contra capa do disco seu nome aparece apenas como Aninha.

Deu continuidade sua carreira como cantora, com os irmãos Jabuti, Tim e Zeze Fonteles todos músicos e compositores, participou ativamente da musica cearense nos anos 80 e 90, Sua reconhecida versatilidade musical a levou ainda a gravar participações em discos tão heterogêneos como “Melhor que mato verde”, de Petrúcio Maia; “Brilho”, de Stélio do Valle; “Liberato”, de Alano e Francis Valle; “Cria do Mundo”, de Jabuti e “Geléia Gerou”, coletânea de compositores e intérpretes nordestinos.

O primeiro disco solo, no entanto, só viria em 1990, de forma independente. O LP “Ana Fonteles” registra o ecletismo musical da cantora, passeando entre baiões, maxixes, tango e blues em canções de, entre outros, Eugênio Leandro, Osvaldo Barroso, Amaro Pena, Fausto Nilo e Geraldo Azevedo,  a cantora faleceu em 2004 em decorrência de um câncer no pâncreas. Ana tinha 45 anos.

03 - angela linharesÂngela Linhares interpreta a singela ‘Como as primeiras chuvas do caju” uma parceria sua com um grande nome do Pessoal do Ceará, Ricardo Bezerra autor de varias canções com Fagner no inicio de sua carreira.

Antes do Massafeira Ângela fez parte do grupo Raízes, que trazia no reportório forte influencia da musica latina, com o grupo lançou dois LPs, era formado por sete músicos, além de Ângela Linhares de destaca no grupo o musico mineiro Tino Gomes , por sua vez, seguiu carreira solo como músico independente, trabalha também como ator e humorista ao lado de Saulo Laranjeira.

Compositora inspirada, autora de varias composições, como cantora tem importantes participações especiais em discos de Petrucio Maia cantando “Passaras, Passaras, Passaras”, e Stelio Vale cantando “Agua” (essa mesma musica faz parte no álbum Massafeira com o titulo Jardim do Olhar).

Ângela é também dramaturga e professora doutora da Universidade Federal do Ceará, assessora pedagógica da Associação de Corais Infantis Um Canto Em Cada Canto e participante como dramaturga da Companhia Vidança.

Participa como docente do Mestrado em Saúde Pública da Faculdade de Medicina da UFC e é membro da Articulação Nacional de Educação Popular em Saúde e do conselho consultivo do Instituto Terramar.

04 - brandãoNasceu no Ceará, mas passou a infância e a adolescência no Piauí, teve uma participação especial no Massafeira, conta a historia que o titulo do festival foi uma ideia sua e de Ednardo, responsável também pela arte gráfica, que incluiu principalmente os dois cartazes do Massafeira Livre e a capa do disco, tiveram como inspiração o carneiro.

Esclarece o autor: Quando o Ednardo viu os esboços, ele imediatamente imaginou que a fonte da inspiração havia sido a canção “Carneiro”, dele e do Augusto Pontes, mas não foi. A ideia do carneiro veio da associação que trago desde a infância entre este animal e a feira popular.

Brandão é arquiteto, é  também de sua autoria o texto manifesto na contra capa do disco, como compositor participou do álbum com a canção “Frio da Serra” composta com dos seus principais parceiros Petrucio Maia.

05 - calé alencarFoi outro grande artista cearense que teve sua estreia no Massafeira, cantando sua canção Vento Rei em parceria com o falecido Zé Maia, a canção também seria gravada pela cantora Teti.

Calé Alencar tornou-se um dos nomes mais conhecidos da arte de Fortaleza, envolvido em vários projetos em preservação da cultura, principalmente do Maracatu. Em 1989, gravou o disco “Um pé em cada porto”. neste LP, destaque para  as faixas “Equatorial” de sua autoria com Fausto Nilo, “Além do cansaço”, de autoria de Petrúcio Maia e Brandão, com a participação especial de Tetê Espíndola e Trem de Ferro de Lauro Maia, no ano de 1992, lançou “Estação do trem imaginário”, disco que incluiu “Canoa quebrada”, com Carlos Pita, “Flor do bem querer”, com Ângela Linhares.

Em 2004, recebeu o prêmio de melhor produtor da música cearense,  participou de 2006 a 2010, da Comissão de Avaliação do Programa BNB de Cultura,  é também autor de loas apresentadas no desfile carnavalesco da capital cearense pelos maracatus Az de Ouro.

Como resultado de sua pesquisa sobre a música popular brasileira, em especial sobre o baião e o compositor cearense Humberto Teixeira, Calé Alencar participou do filme O Homem que Engarrafava Nuvens, documentário produzido por Denise Dumont, filha de Humberto Teixeira, dirigido pelo premiado Lírio Ferreira.

Sua discografia conta ainda: Dragão vivo (2000) Loas de Maracatu Cantigas de Liberdade (2005) 15 Anos, 15 Loas + 1 Hino (2009) Costumes e Diversões (2011).

01 - neivaldo-2Neivaldo Araújo é um estudioso da música brasileira a qual marcou sua vida desde a infância. Natural  de Fortaleza/Ce, pesquisa e escreve sobre os temas mais variados, fazendo uso de uma abordagem simples e direta, busca apresentar a “nossa” música através de uma perspectiva pessoal, porém, de largo alcance.