Blues, Música

Domingo é dia de Blues: Eric Clapton – From the Cradle.

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Especial pelo 72º aniversário de Mr. Clapton logo mais em 30/03, o nosso artigo semanal homenageia o artista por meio do disco que o trouxe de volta às raízes do Blues:

ericclapton-fromthecradle1994“…Ele começou a a carreira ainda jovem com a decisão de se dedicar a estudar, absorver e depois tocar e cantar Blues. Mas percorreu uma longa e árdua estrada até dominar essa música em todas as suas formas, compondo um álbum exclusivamente voltado a ela.

O que aconteceu foi que From the Cradle foi e continua sendo um dos álbuns mais ambiciosos e bem sucedidos de Clapton, que mais do que recompensou o cuidado e a devoção com que ele se envolveu no projeto. As gravações foram realizadas no Olympic Studios em Barnes, Londres, e a produção ficou a cargo de Clapton e Russ Titelman. Um time de músicos com a mesma sintonia foi reunido e contou com o guitarrista Andy Fairweather Low, o tecladista Chris Stainton, o baixista Dave Bronze e o baterista Jim Keltiner. Jerry Portnoy entrou com a gaita e a seção de metais ajudou a preencher o som nos momentos apropriados.

Clapton planejou gravar as 16 faixas ao vivo no estúdio, e poucos overdubs foram acrescentados mais tarde. Para o repertório, selecionou composições de vários artistas, entre elas canções de Elmore James, Muddy Waters, Willie Dixon e Lowell Fulson. Os estilos englobam o Blues rural e urbano, além do country blues. Com as faixas executadas em andamentos autenticamente lento ou então, pouco mais acelerado, mas leve. “Blues Before Sunrise”, uma composição de impacto de Elmore James, mostra a determinação de Clapton de chegar até o mais elementar. Erick adota um estilo incomumente rouco e gutural para essa interpretação, que combina com o boogie do piano e com as frases escorregadias de slide guitar.

Desse momento em diante, Clapton relaxa a abordagem vocal e sua guitarra também fica melhor. Em “Third Degree”, de Willie Dixon e Eddie Boyd, seu vocal está mais natural quando canta em protesto a letra que diz que foi acusado de assassinato e até de falsificação. “When I can’t white my name… bad look is killing me” [“quando não consigo escrever meu nome… o azar está me matando”].

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm Faixas como “Reconsider Baby”, “Hoochie Coochie Man” e “Five Long Yeares”, Clapton adapta o fraseado da guitarra, os tons e os estilos de dedilhado para que se ajustem ao clima de cada canção. Com isso, mostra a profundidade com que mergulhou na tradição do legado musical dos Estados Unidos. “Going Away Baby” traz um lado mais alegre do Blues, com um ritmo binário que sugere mais uma brincadeira no feno do que se asfaltar nas plantações de algodão.

Uma das execuções mais espetaculares ocorre em “Motherless Child” na qual Clapton troca para o violão e o clima da música skiffle. O andamento desacelera em “Someday After a While (You’ll be Sorry), em que a guitarra de Eric se torna raivosa e intensa antes de ceder espaço para as sujas e deprimentes “Standin Round Crying” e “Groanin the Blues em que a bateria marca pesadamente um tempo atrás dos Staccatos da guitarra de Clapton.

Alguém poderia dizer que From the Cradle está excessivamente cheio de Blues e que precisaria de mais variedade e da inclusão de algumas canções mais populares do próprio Clapton. Mas isso seria ignorar o propósito do trabalho e teria traído inteiramente as intenções que inspiraram o projeto. O CD foi número 1 de 1994. O sucesso do álbum estimulou Clapton a seguir fiel à sua retomada pessoal do Blues…”

Fonte:

Clapton : a história ilustrada definitiva. Chris Welch; [tradução: Silvia Mourão]. – São Paulo : Lafonte, 2012.

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4 thoughts on “Domingo é dia de Blues: Eric Clapton – From the Cradle.”

  1. A história do Clapton é marcada por reviravoltas e esses altos e baixos parecem tornar as pessoas mais humanas, então, me sinto atraído por esse tipo de histórias. rs…
    Quanto a idéia do “meus 300 discos de Blues”, acho uma excelente iniciativa!
    Forte abraço!

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