Reflexão

Geração Nordeste # 2: as canções que fizeram a cabeça do Brasil

Continuação:

Avôhai – Zé Ramalho

“Avôhai” canção de Zé Ramalho é a faixa de abertura do seu primeiro álbum, a gravação conta com a participação do tecladista Patrick Moraz, da banda inglesa Yes,  foi composta em homenagem ao seu avô,  que o adotou após o pai morrer afogado ainda criança, na letra seu avô parece como uma figura mística.

O autor diz que a inspiração para a música veio após uma experiência com cogumelos alucinógenos na fazenda de uns amigos. Ele olhou para o céu e viu a “sombra de uma gigantesca nave espacial”, e uma voz disse “Avôhai” em seu ouvido.

Ele estava na fazenda para realizar um estudo para a faculdade, o titulo é uma junção das palavras “Avô” e “Pai”, ainda segundo Zé Ramalho, esta foi à primeira das suas canções que ouviu no rádio, quando estava em um táxi.

Bicho de 7 Cabeças II – Geraldo Azevedo e Elba Ramalho

“Bicho de Sete Cabeças” Canção de Geraldo Azevedo e Zé Ramalho, tem uma historia interessante, contada por um dos autores Geraldo Azevedo: compus a melodia desta música com Zé Ramalho, no começo dos anos 70. Trabalhamos sonoridades com um quê de barroco, misturamos choro, música clássica e música moura. E a batizamos de Dezesseis Cordas (pois foi composta com dois violões, um de 10 e o outro de seis cordas). Caprichamos tanto que Zé Ramalho tomou-se de grande amor por ela.”

Algum tempo depois, Geraldinho entregou a melodia ao carioca Renato Rocha, para que nela colocasse letra, foi registrada em disco pelo próprio Geraldinho em dueto com Elba Ramalho alcançaram enorme sucesso, quando Zé Ramalho ouviu a melodia acompanhada da letra de Renato Rocha – relembra Geraldinho, bem-humorado – “implicou, não gostou de jeito nenhum”.

O paraibano comentou com o pernambucano: “é, realmente, não tem pé, não tem cabeça!”, a implicância teve desdobramentos. “Zé Ramalho me pediu” – conta Geraldinho – “para, sempre que a música for apresentada só na versão instrumental, chamá-la Bicho de Sete Cabeças. Quando vier com a letra, vira Bicho de Sete Cabeças II. Atendi a este desejo dele.

Em 2000 a canção foi incluída na trilha sonora do filme “Bicho de Sete Cabeças” dirigido por Laís Bodanzky estrelado por Rodrigo Santoro, nesta versão a canção é interpretada por Zeca Baleiro.

Canção da Despedida – Geraldo Azevedo

“Canção da Despedida” escrita por Geraldo Azevedo e Geraldo Vandré em 1968, No período que Vandré estava foragido, uma das pessoas que tinha acesso a Geraldo Vandré era Geraldo Azevedo, que compunha o “Quarteto livre”, banda que o acompanhara na turnê do Show “pra não dizer que não falei de flores”, cujo título, censurado, passou a ser “Socorro – a poesia está matando o povo”.

Geraldo Azevedo disse que, para ver Vandré, tinha que se comportar “como um militante de organização clandestina; entrava num carro, mudava para outro, fazia tudo para despistar pessoas da repressão que pudessem estar me seguindo para, por meu intermédio, chegar a Vandré”

Nesse clima compuseram em parceria, Vandré e Azevedo, a “Canção da Despedida”, cuja letra é absolutamente clara e explícita.

O eu-lírico anuncia sua despedida do seu amor, anunciando, todavia, seu futuro retorno. Afirma não poder ficar tendo em vista que um Rei mal coroado (que vem a ser, obviamente o governo militar) não deseja o amor em seu reinado. No entanto, ao mesmo tempo em que se despede, anuncia a morte do “rei” velho e cansado, ao mesmo tempo em que anuncia a permanência do amor de hoje.

Entrevista Geraldo Azevedo afirma: “Eu fui censurado várias vezes, teve uma canção minha que foi censurada até a ditadura acabar, que foi uma musica que eu fiz com Geraldo Vandré, a Canção da Despedida, foi muito censurada, insistimos, cheguei a colocá-la muitas vezes com nomes diferentes, mas não passava não!” Quem gravou a canção originalmente foi cantora Elba Ramalho no álbum “Coração Brasileiro” de 1983.

Caravana – Geraldo Azevedo

“Caravana” canção de Alceu Valença e Geraldo Azevedo, a partir de 1974, as telenovelas se firmaram como um novo e bem sucedido espaço para músicos e compositores da MPB.

Em 1975 esta canção se destacou na trilha sonora de Gabriela, novela da TV Globo, falando do impulso cigano da vida, a composição de identificou perfeitamente com a personagem de Jorge Amado, sobretudo como fundo das cenas em que a personagem-título se aventura por rumo incerto.

Chão de Giz – Zé Ramalho

“Chão de Giz” é uma famosa canção do cantor paraibano Zé Ramalho, gravada em 1978 em seu álbum de estreia solo, de letra bastante enigmática, citando o pai da psicanálise, da margem que está falando de um relacionamento acabado ou frustrado.

Segundo dados divulgados pelo ECAD, que abrangeu o período de 2010 a 2014, essa foi a música mais tocada do artista neste período, e a 4ª entre as obras mais regravadas. Além disso, ela aparece na 10ª posição entre as “músicas mais tocadas ao vivo” no ano de 2014, segundo dados do mesmo órgão.

Elba Ramalho, sua prima, sempre inclui a canção em suas apresentações e regravou no álbum Leão do Norte de 1996, a versão com Zé Ramalho fez parte da trilha sonora da novela Cordel Encantado exibida pela Rede Globo em 2011, sendo tema de Petrus, personagem de Felipe Camargo.

Dia Branco – Geraldo Azevedo

“Dia Branco” é uma canção de grande importância para obra de Geraldo Azevedo, esta composição revela uma linha melódica, sequencia harmônica e o arranjo releva uma  influencia dos Beatles, particularmente da fase do “álbum branco”, que parece ter influenciado no titulo.

Essa influencia britânica é mesclada com uma melancolia nordestina, que pode ser percebida nos versos, a canção se tornou uma peça frequente em reuniões informais e casamentos.

Frevo Mulher – Zé Ramalho

“Frevo Mulher” um dos grandes sucessos de Zé Ramalho, foi composto num quarto do Hotel Plaza no Rio, na n noite que o autor iniciava o romance com a cantora Amelinha, a canção é uma mistura de frevo e forró gêneros dominantes nas festas juninas do nordeste, graças ao seu ritmo frenético e riff marcante passou a ser adotada nas academias de ginastica do Rio de Janeiro, espalhando-se pelas discotecas e rádios, a própria Amelinha lançou um álbum com titulo da canção em 1978, a gravação da cantora cearense acompanhada da sanhosa de Dominguinhos é a mais conhecida versão.

O melhor elogio foi feito por Caetano Veloso, ao afirmar que depois de “Frevo Mulher” o carnaval da Bahia tomou um novo rumo depois do seu sucesso.

Garoto de Aluguel (Taxi Boy) – Zé Ramalho

Garoto de Aluguel (Taxi Boy) – canção de Zé Ramalho em tom dramático conta a historia de um garoto de programa, existe uma versão de que a canção é autobiográfica e que, quando chegou ao Rio, Zé Ramalho havia trabalhado como garoto de programa. Entretanto, o próprio cantor revela “Não cheguei a ser michê, mas tinha umas meninas que dormiam comigo”. A canção “Garoto de Aluguel” é autobiográfica por causa disso. Essas meninas eram estudantes que eu conhecia do tempo em que tocava com o Alceu

Além da gravação do autor, a canção teve algumas gravações inusitadas, como a de Carmen Costa. A última das gravações marcantes foi na voz da jovem revelação da MPB, Thais Gullin.

La belle de Jour – Alceu Valença

O ano: 1986. Alceu Valença vai até Paris cumprir uma temporada no Teatro La Villette. Consta que, após o show, Alceu teria ido à Campagne Première beber alguma coisa. Lá, teria encontrado uma celebridade francesa, que não reconhecera. Quem era? Jaqueline Bisset!

Na época, ele confundiu Jaqueline Bisset pela não menos bela Catherine Deneuve, que foi a protagonista do clássico filme “La belle de Jour” (traduzida no Brasil como “a bela da tarde”), filme de Luis Buñel assim, numa confusão de Alceu entre Catherine e Jaqueline Bisset, ele compôs a canção “La belle de Jour”, que, no seu próprio site é definida como uma música que “traduz seu desejo de poeta romântico”.

A música mistura um sentimento nostálgico por aquela moça bonita da praia de Boa Viagem, que remete à saudade de sua terra natal, que se confunde com a moça que foi encontrada no meio da tarde de um domingo azul… e o azul dos olhos da bela da tarde (como são azuis os olhos de Jaqueline Bisset; um detalhe: os olhos de Catherine Deneuve, a verdadeira musa do filme “La belle de Jour” são castanhos)…

E, no final, a musa da canção, seja a que inspirou Alceu Valença, seja aquela descrita na canção, distam e muito da personagem do filme de Buñel.

Kukukaya – Xangai

“Kukukaya” composta pela paraibana Cátia de França, é uma das mais importantes musicas do cancioneiro nordestino da geração projetada nacionalmente no fim dos anos 1970, com a abertura da indústria fonográfica para ritmos e artistas do nordeste de acentuada conotação pop.

Foi inspirada num conto cigano, cujo mote gira em torno da criação, do nascimento, da vida, com suas dores e alegrias, na recriação de Cátia de França há a incorporação de elementos nordestinos aos referenciais místicos ciganos.

A canção já foi gravada pela autora Cátia de França (20 Palavras ao Redor do Sol – 1979) e Elba Ramalho (Ave de Prata – 1979), sem o mesmo sucesso da versão de Xangai.

Táxi Lunar – Geraldo Azevedo

“Taxi Lunar” canção que reúne três grandes nomes da musica nordestina Alceu Valença, Geraldo Vandré e Zé Ramalho, é uma feliz fusão de experiências do trio, partindo do trabalho dos famosos Jacarara e Ratinho, avança até as pesquisas de Gil e Caetano, passando por Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira e Lauro Maia.

Geraldo Azevedo conta que fez a melodia, e pediu para Zé Ramalho fazer letra, porem achou forte demais, gostando apenas do refrão que originalmente era assim: Apenas apanhei em Cuiabá, um táxi pra estação lunar. Geraldo então mostrou a melodia para Alceu Valença que na época estava apaixonado por uma menina de cabelo vermelho, que escreveu letra definitiva como uma historia de amor de outro planeta.

Veja (Margarida) – Elba Ramalho

“Veja (Margarida” canção de Vital Farias lançada em seu lp Taperoá de 1980, regravada pela cantora Elba Ramalho no seu lp Capim do Vale no mesmo ano, se tornaria um grande sucesso.

Em seu DVD – Marco Zero, Elba conta que um grupo se reunia em um teatro em reformas em São Paulo, em noites dessas Vital Farias compôs a música, a letra de uma maneira bem lírica fala de despedidas, do amor cansado, das esperanças de vida.

O cantor Marcelo Jeneci regravou a canção para a trilha sonora da novela Velho Chico exibida pela Rede Globo.

Vila do Sossego – Zé Ramalho

“Vila do Sossego” canção de Zé Ramalho lançada em seu álbum de estreia em 1978, a Vila do Sossego era uma casa de praia em João Pessoa, que o autor colocou uma placa com o titulo na fachada, no inicio da década de 70 esta casa tornou-se um ponto de encontro de artistas de que se reuniam para beber, conversar sobre arte e outros rumos, o que aparece na letra da música são citações desses encontros.

Como em outras de canções de Zé Ramalho, também foi gravada por Elba Ramalho, no álbum Baioquese de 1997, tornando sucesso na voz da cantora.

Obs. Na canção Chão de Giz, existe uma versão amplamente divulgada na internet  que a musica foi inspirado um romance de Zé Ramalho com uma mulher casada, bem mais velha, da alta sociedade de João Pessoa, na Paraíba, não há provas de que essa história seja verdadeira.

Tendo a música como seu maior referencial artístico e cultural, pesquisa e escreve sobre temas como o romantismo e o existencialismo dos anos 70 e 80, os quais, foram imprescindíveis para o surgimento e a qualificação dos movimentos musicais brasileiros e internacionais.

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