Música

Geração Nordeste # 1: as canções que fizeram a cabeça do Brasil.

[esse texto é uma colaboração de Neivaldo Araújo]

01Assim como aconteceu no final dos anos 60, uma invasão baiana na musica popular brasileira, liderada por Caetano e Gil; no final da década de 70 e começo de 80, foi registrada uma nova invasão nordestina na música brasileira, desta vez liderada por Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho, numa fusão de Beatles e Luiz Gonzaga, Rock e Xaxado, eles trouxeram uma nova identidade regional para nossa musica.

Os pernambucanos Alceu Valença e Geraldo Azevedo buscavam com intensidade as raízes nordestinas se aproximando de nomes como João do Vale, Jackson do Pandeiro, o paraibano Zé Ramalho em suas composições trazia uma visão apocalítica, muito influenciado pela musica psicodélica do final dos anos 60 e a cantora paraibana Elba Ramalho, interprete de sotaque forte e muito gingado, dona de um repertorio eclético de Chico Buarque, musica latina, frevo e forro, formando um verdadeiro caldeirão de sons e mitos, no inicio dos 80 conquistaram o reconhecimento definitivo emplacando varias musicas nas paradas de sucesso.

02Fazia partem também desse grupo Elomar Figueira Mello sua Fazenda Gameleira, que ele chama de Casa dos Carneiros, imortalizada na sua música Cantiga do Amigo, localizado em Vitória da Conquista, é ponto de encontro de violeiros, Eugênio Avelino, popularmente conhecido como Xangai, interprete de grande alcance vocal, Vital Farias um dos melhores compositores desta geração, autor de sucessos como Ai, Que Saudade D’Ocê, Caso você Case, Sete Cantigas Para Voar entre outros,

Todos os ritmos nordestinos foram explorados nas canções, como a incelença de origem religiosa, as emboladas, o frevo e o forró, uma perfeita harmonia do tradicional com uma linguem e proposta musical totalmente moderna.

Outros nomes faziam parte da invasão nordestina, paraibana Cátia de França destaque para suas composições: Ensacado, Coito das Araras, e Kukukaya, e a baiana Diana Pequeno que no final dos anos 70 fez uma versão para o clássico Blowin in The Wind de Bob Dylan, na mesma época começava a carreira do pernambucano Nando Cordel de estilo regional romântico, gravaria sucessos como Flor de Cheiro e De Volta pro Aconchego, essa ultima gravada também por Elba Ramalho.

Alguns álbuns são fundamentais para conhecer o trabalho desta geração:

Cantoria 1 (1984) e Cantoria 2 (1985) – gravado em conjunto com Elomar, Geraldo Azevedo Vital Farias e Xangai ao vivo no Teatro Castro Alves, em Salvador, Bahia:

03

O Grande Encontro lançado em 1996 e gravado ao vivo com a participação de Elba Ramalho, Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho juntos em show acústico histórico em 19 de setembro de 1996 no Canecão, no Rio de Janeiro. Foi o primeiro trabalho de uma trilogia e vendeu mais 1 milhão de cópias.

04

Com o passar dos anos o quarteto, Alceu, Elba, Geraldo e Zé passaram fazer parte dos grandes nomes da musica brasileira, o legado da invasão nordestina pode ser observado na obra de artistas como Chico César, Lenine, Zeca Baleiro, ou nas canções que com o tempo ser tornaram clássicos, sempre sendo gravadas e atualizadas.

:: Clássicos do Gênero

Admirável Gado Novo – Zé Ramalho

“Admirável Gado Novo” é uma canção do cantor e violonista brasileiro Zé Ramalho, parte de seu segundo álbum solo Zé Ramalho. A canção cita algumas ideias contidas nos livros Admirável Mundo Novo, a obra mais famosa do escritor britânico Aldous Huxley, e 1984, de George Orwell.

Em 1996, a música fez parte da trilha sonora da novela O Rei do Gado, como tema do núcleo dos Sem-Terra. Em 1997, esta música foi regravada pela cantora Cássia Eller, e está presente no álbum Música Urbana.

Ai Que Saudade de Ocê – Vital Farias

“Ai Que Saudade de Ocê” um dos maiores sucessos do paraibano Vital Farias possui uma historia que pode ser divindade em três tempos, primeira a composição que é um baião foi lançada pelo autor no seu terceiro álbum Sagas Brasileiras em 1981, sem a maior repercussão. Dois anos depois incluída no lp “Coração Brasileiro”  de Elba Ramalho, de grande êxito, a canção tornou-se conhecida do publico.

Finalmente veio a consagração com a versão apresentada por Vital no original espetáculo “Cantoria” que ele dividia o palco com Elomar, Geraldo Azevedo e Xangai, sendo os três todos nordestinos, cantando a sedutora à canção, Vital alonga a introdução, o que propicia improvisos como os cantadores do nordeste, criando um clima emocional para a mensagem poética de amor que empolga os ouvintes. Dez anos depois Geraldo Azevedo regravaria a canção outra vez ao vivo.

Versões para trilhas-sonoras de novelas: 1993 – Gravada por Fábio Jr. para a novela Renascer,  2014 – Gravada por Zeca Baleiro para a novela Império.

Continua…

Tendo a música como seu maior referencial artístico e cultural, pesquisa e escreve sobre temas como o romantismo e o existencialismo dos anos 70 e 80, os quais, foram imprescindíveis para o surgimento e a qualificação dos movimentos musicais brasileiros e internacionais.

Anúncios

2 thoughts on “Geração Nordeste # 1: as canções que fizeram a cabeça do Brasil.”

Ajude-nos a melhorar. Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s