Comportamento, Música, sociedade

Rock/Metal #2 – Um recorte do cenário nordestino.

Tema relevante para quem atua no ramo da música (especialmente no underground), criando música, produzindo shows e/ou se divertindo, no caso dos fãs:

Esse estilo de música, que para muitos é, também, um estilo de vida, se insere num contexto sócio-comportamental de forma desalinhada com as prioridades do Estado, que não apenas não reconhece esse estilo de música como arte, como também não tem projeto cultural para qualquer tipo de arte independente.

Então, tomando por base o tema do vídeo acima, do Detector de Metal, ver-se que esse tipo de discussão é saudável pois pode levar à consciência de que esse estilo musical, para coexistir com as formas convencionais de entretenimento, precisa estar baseado em ações independentes do que é praticado pela indústria.

O Metal, enquanto estilo musical pode, fora do sistema geral, estabelecer-se por meio de sua própria cadeia produtiva. Esta, por sua vez, é configurada como um sistema menor, no qual as iniciativas devem se integrar para que as engrenagens funcionem dentro de uma lógica que movimente pessoas; que estas pessoas promovam a circulação de capital; que este capital seja reinvestido de modo a fomentar audiência para os artistas; e, por fim, que os artistas possam ser recompensadas pelo seu trabalho criacional.

Quanto ao Nordeste… bem,  na perspectiva geográfica e econômica a situação do Nordeste sempre foi excepcional. Assim, como no futebol, o fã de rock desta região do Brasil se sentia isolado em função da distância espacial e econômica quanto aos grandes centros do país. Porém, empreendeu muitos esforços e, mesmo assim, levou muito tempo para que essa realidade fosse modificada.

Sabe-se que os indicadores econômicos são altamente relevantes para que uma cidade qualquer (do mundo) possa entrar para o circuito dos grandes eventos, não apenas de rock, mas, de modo geral. Assim, a partir do momento em que os agentes políticos adquiriram representatividade no cenário nacional, foi que a situação do Nordeste em relação à musica rock/metal começou a ser alterada.

Mas foi também graças às iniciativas isoladas, que algumas cidades do Nordeste começaram a figuram entre as “aptas” a receber eventos importantes, tanto nacionais quanto internacionais. Assim, concordando com o Wilfred Gadelha, as iniciativas entre as cidades, agora, precisam se integrar para gerar resultados com relação à consolidação dos públicos em eventos de rock/metal, pois isso promoverá oportunidades para todos os agentes integrados a esta cadeia produtiva que, por sua vez, promoverá mais representatividade desse estilo musical dentro do sistema geral.

Saiba mais:

:: Detector de Metal

:: Encyclopaedia Metallum

:: Wilfred Gadelha

[Repórter, historiador, autor e vocalista da banda Will2KillDirigiu dois documentários sobre a cena do metal de Pernambuco, e escreveu duas dissertações, bem como o livro “Pesado: Origem e Consolidação do metal em Pernambuco.”]

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