Reflexão

“O desejo exprime-se por uma carícia, tal como o pensamento pela linguagem.”

A célebre frase de Jean-Paul Sartre contém beleza e sabedoria de alcance difícil de se predicar. Um pensamento complexo que pode levar a qualquer lugar. Nesse sentido, como fuga do lugar comum, a proposta do texto é responder a duas perguntas simples: 1) o que podemos tirar dessa máxima? E, 2) será que ela pode nos ser útil?

Antes de responder, é necessário abrir um parêntese:

Existe uma máxima de Nietzsche – “A arte existe para que a verdade não nos destrua!” – , que parece conduzir o pensamento de Sartre pelo labirinto do existencial, de modo a simbolizar o elo entre as filosofias destes pensadores.

Nietzsche e Sartre materializaram um existencialismo que se impôs como crítico de si próprio, o qual questiona-se sobre o homem como causador de si mesmo. Nietzsche nega a figura de Deus enquanto imagem à qual o homem deva se espelhar, enquanto Sartre atribui ao homem o dom de construir sua auto imagem.

Ambos, todavia, se distanciam quanto ao repertório. Sartre, enquanto filósofo, incorporou uma forma poética no modo de expressar-se e isto o diferencia completamente de Nietzsche e dos demais. Nietzsche era demasiadamente realista, enquanto Sartre alimentava as ilusões).

Isto posto, retomaremos a argumentação:

Ora, se uma carícia é um impulso do corpo como efeito de uma carência para a qual o mesmo corpo exige resposta, a linguagem é a forma de expressão para o pensamento que se impõe como efeito de um estimulo para o qual a razão resposta.

Dessa forma, podemos dizer que: 1) desejo e linguagem, na frase, significam mais do que elementos do corpo e da mente. São aspectos fisiológicos sem os quais as espécies poderiam se extinguir. – isto é uma das coisas que, da frase, podemos tirar. 2) a forma poética segundo a qual Sartre se expressa se estabelece como mediadora do pensamento na passagem do abstrato para o concreto. – isto é útil porque assinala uma função cognitiva fundamental.

Sartre e Nietzsche viveram em épocas distintas porém, seus universos discursivos têm muitos paralelos. Um exemplo está na forma de como as máximas se complementam:

“O desejo exprime-se por uma carícia, tal como o pensamento pela linguagem.”, é arte!

E a arte?

Bem, “a arte existe para que a verdade não nos destrua!”

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