Música

Robert Belfour [1940/2015]

O blues tem muitos artistas famosos e outros que praticamente passaram despercebidos. Dentro deste último grupo de bluesmen com um som profundo, antigo e puro, que é capaz de preencher todos os espectros apenas com seu violão e sua voz. Este é o caso de Robert “Wolfman” Belfour. O músico morreu numa quarta-feira, 25 de fevereiro aos 75 anos de idade.

Belfour nasceu em 11 de setembro de 1940, em Holly Springs, Mississippi. No final dos anos 60 mudou-se para Memphis, cansado de ter que caminhar todos os dias da cidade de Red Banks, onde vivia, para seu trabalho em Memphis.

Ele não teve muita educação. Ele estudou até a quinta série, sofrimento que teve fim porque seu pai morreu. Ele começou a tocar guitarra aos 7 anos de idade, imitando seu pai, que o incentivou a praticar música. Discos de John Lee Hooker foram muito inspiradores naquela época, tendo alguns sido influência marcante nas músicas Belfour.

Dentre os músicos que podia ouvir ao vivo, um dos primeiros foi Júnior Kimbrough, um outro personagem com muita influência sobre o estilo de Robert Belfour. Ele sempre tocou em festas, em casa ou, quando permitido, tocou em qualquer lugar por alguns dólares e por todo o whisky que conseguisse beber e pela comida que pudesse comer. Sua primeira grande aparição como artista foi no festival Rust College em Holly Springs, em 1982. A partir de então começou a aparecer em cartazes de eventos como o Festival Memphis Southern Folklore, o festival Chattanooga ou Knoxville Jubilee Arts Festival.

A primeira gravação de Robert Belfour foi em 1994 para uma compilação chamada de “o espírito vivo” para o selo alemão Hot Fox Records, que abriu a porta para tocar fora dos Estados Unidos. Naquele tempo ele trabalhou como supervisor de construção civil e sem qualquer suporte. “Quando tinha que sair para tocar, fazia, porque sabia que gostava. Às vezes passava até um mês fora e quando cheguava em casa, o trabalho estava esperando por mim”, disse Belfour.

Robert Belfour tocou por muitos anos no Clube Murphy, da barra do rio Memphis e foi que que lhe falaram de Fat Possum e o propusedram uma gravação de teste. Foi assim que em 2000, lançou o álbum “What’s Wrong With You”, que o ajudou a ganhar nome no cenário norte-americano, levando-o em turnê com artistas do porte de T-Model Ford e RL Burnside. Em 2003, também para Fat Possum, gravou “Pushin ‘My Luck”.

Belfour não feito para tocar guitarra em casa, a menos que estivesse compondo uma música. Muitas das canções que tocaram nas rádios o ajudaram a chegar no topo. Quando subia ao palco, surpreendia os espectadores. Tinha muito carinho para com a música de Muddy Waters, John Lee Hooker, Little Milton e, particularmente, Howlin ‘Wolf, que disse Robert Belfour: “Não é uma guitarra qualquer que vai fazer você me deixar sozinho. Eu posso aguentar uma ou duas semanas, mas sempre irei cometer esse pequeno erro que me faz olhar para ele e sentir vontade de tocar. Vou tocar guitarra até não ser mais capaz de fazê-lo e quando eu sentir que não sou mais capaz, penduro as chuteiras. Todo caminho tem seu fim.”

O caminho de Robert Belfour terminou em 25 de Fevereiro. Foi um dos mais antigos músicos de Memphis, que encantaram as pessoas com blues tradicional na área. Seu som hipnótico será inesquecível.

Tradução livre.

Fonte: Histórias del Blues

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