Música

Pessoal do Ceará: geração anos 90

[O texto a seguir é uma colaboração de Neivaldo Araújo]

A música cearense dos anos 90 é considerada a terceira e – por enquanto – última geração do Pessoal do Ceará. A primeira foi com Fagner, Belchior, Ednardo, Fausto Nilo e todo seu pessoal. Depois veio a segunda fase, que teve seu momento mais marcante com o disco Massafeira, que reuniu nomes como Calé Alencar, Chico Pio, Graco, Stelio Valle, entre outros.

elcasteloA terceira geração, que teve como seu grande point, o Cais Bar, que funcionava na Praia de Iracema, tradicional bairro boêmio de Fortaleza, que reunia artistas, intelectuais e foi também espaço dos primeiros shows de alguns desses músicos. Entre alguns nomes desta geração destaca-se Eugênio Leandro, que lançou dois discos bem recebidos pela crítica: “Além das Frentes” (1986) e “Catavento” (1990). Influenciado principalmente pelo regionalismo – Eugênio é natural de Limoeiro do Norte, interior do Ceará – seus discos trazem ótimas composições, grande parte em parceira com Oswaldo Barroso, poeta, jornalista, folclorista e teatrólogo.

Mona Gadelha

Outro grande nome é a cantora Mona Gadelha. Como remanescente da geração Massafeira, a cantora participou do álbum de mesmo nome com o blues “Cor de Sonho”. Em 1996, bem no final da era do vinil, Mona lança seu primeiro disco solo, cujo destaque é a faixa de abertura “Cinema Noir” e para as regravações de “Cor de Sonho” e “Ingazeiras”, sucesso do cantor Ednardo. A artista que é formada em Comunicação Social pela Universidade Federal, desenvolve paralelamente à carreira de cantora, um trabalho como escritora e jornalista, tendo vencido concurso de poesias. Na pesquisa realizada para o presente texto, constatei sua participação no livro “1973 – o ano que reinventou a MPB”, ao lado de grandes críticos musicais. Outro destaque na carreira de Mona é o CD Praia Lírica, uma homenagem ao pessoal do Ceara, no repertório há um resgate de canções dos anos 70.

Seu trabalho mais recente, o álbum “Cidade Blues Rock nas Ruas”, trás ótimas composições e tem sido bem aceito pela crítica e pelo público.

Valdo Aderaldo se destacou como um dos maiores compositores desta geração, durante muito tempo formou um duo com a cantora e ex companheira Paula Tesser. É autor de canções como “Saint-Denis-Ceará”, gravada por Mona Gadelha no álbum “Tudo se Move”, de 2004 e a música “Coca Cola e iguarias” que tornou-se um clássico na versão gravada por Kátia Freitas.

Katia Freitas

Tendo começado a cantar ainda nos anos 80, Kátia participou de eventos universitários e festivais. Depois de algumas participações em discos de colegas lançou seu primeiro disco solo “K” em 1990. O disco K contém pequenas pérolas musicais, nas quais Kátia se destaca como letrista e intérprete.

Já se vão 14 anos desde seu último disco. “Próximo” ecoou pelo país, tendo sido sucesso à época, com execuções diárias nas principais rádios da cidade. Rendeu convites para apresentações noutras capitais como Rio e São Paulo. Tendo sido também uma porta para uma longa temporada fora do estado.

Na mesma época o cantor e compositor David Duarte também começava se destacar. Autor de canções que tocaram nas rádios FMs da época, como “Bem Perto”, “O Que Eu Queria”, “À Toa”, etc., a música cearense começa a flertar de uma forma mais direta com música pop.

dueto1Paulo Façanha aproxima essa geração com a música da noite, cantando nos bares da cidade. Uma de suas músicas, composta em parceria com Beto Paiva, “Quando a noite Chegar”, foi gravada por Jorge Vercillo, tornando-se um hit instantâneo. Isaac Candido, primo do cantor Raimundo Fagner, foi outro artista que participou intensamente do cenário musical cearense dos anos 90. A canção “Os Bêbados”, composta em parceria com Marcus Dias, é uma de suas músicas mais conhecidas.

A cantora Olga Ribeiro, em parceria com o jornalista Flavio Paiva, lançou o LP América, uma bonita homenagem aos 500 anos de descobrimento da América; o CD Pão e Poesia, uma seleção de canções com o tema Pão e dois CDs infantis Samba-le-lê (1999) e Bamba-la-lão (2001).Ainda que não seja considerado um movimento musical tão intenso quanto os precursores, essa geração dos anos 90 cresceu junta nos colégios, ruas e bares da cidade; viveu a experiência da liberdade política, viu seus ídolos se morrDSC_0062er, presenciou o fim da era do vinil e o surgimento do CD e da era digital.

Não tiveram o mesmo reconhecimento do Pessoal dos anos 70, mas continuam batalhando. Alguns tentaram carreira no sul do país, mas os tempos presentes são outros, e quase todos ainda estão com o pé na estrada, participando de circuitos alternativos, tocando em Centros Culturais e buscando manter viva a chama da música, e, deixando-nos com a certeza de que foi e é uma grande geração.

Links

:: Música do Ceará

:: Universitária FM

Neivaldo Araújo

Tendo a música como seu maior referencial artístico e cultural, pesquisa e escreve sobre temas como o romantismo e o existencialismo dos anos 70 e 80, os quais, foram imprescindíveis para o surgimento e a qualificação dos movimentos musicais brasileiros e internacionais.

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