Comportamento

Somos realmente livres?

“… O conceito de “fetichismo da mercadoria” é, nesse sentido, particularmente revelador. Ele mostra como o jogo do capitalismo, que se tece nas relações sócio-econômicas, é a verdadeira base que dá forma ao que as pessoas dizem e pensam. As suas representações são, assim, marcadas por essa linguagem que fornece as regras nas quais os indivíduos vão jogar. E vão jogar de uma forma que refrata e desvia o olhar que cada um tem de si e da sociedade à qual pertence. As relações entre indivíduos, por exemplo, aparecem como uma relação contratual entre iguais, aqueles que trocam mercadorias ou mesmo a sua força de trabalho via sua remuneração por salário. Porém, ao fazê-lo, não se dão conta de que sua ação é só aparentemente livre, na medida em que estão coagidos a agirem desta maneira, dadas as relações socioeconômicas estruturadoras dessa sociedade. O que aparece como uma relação entre iguais, de feitio contratual, é, na verdade, uma relação entre desiguais, a relação entre os que vendem a força de trabalho e os que a exploram. No entanto, isso não aparece aos agentes deste processo, pois eles são dominados pelo fetiche da mercadoria que torna aparentemente desiguais, iguais. Logo, o senso comum dessa sociedade, a sua forma de representação de si, cai nas ciladas dessa pretensa igualdade.”

Rosenfield, Denis L. Retratos do Mal. Jorge Zahar Editor. 2003.

:: reflexão para um ano cujas relações sociais, políticas e econômicas apresentam-se mais acirradas do que nunca. E, justamente, por isso, a competição e as desigualdades, estarão mais exacerbadas!

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