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Brasil: a escalada da violência!

Mapa-da-Violência-2Para uma compreensão da escalada e banalização da violência, segue um trecho muito interessante do livro Retratos do Mal, de Denis L. Rosenfield:

“… o que ocorre quando os parâmetros religiosos se estilhaçam, quando nossas ações já não mais conseguem se orientar por pontos de referência comumente aceitos pela maioria? Ou, dito de outra maneira, quando a segmentação do mundo e a dissolução dos valores parecem ser o próprio parâmetro? Onde pôr as misérias da alma, a dor do corpo, os infortúnios da vida, a multiplicação da injustiça, a presença onipresente da morte em suas mais diferentes formas quando determinados parâmetros que as articulavam e sistematizavam cessam de ter vigência? Anadote France dizia: “O mal físico e o mal moral, as misérias da alma e dos sentidos, a felicidade dos maus, a humilhação dos justos, tudo isso seria ainda suportável se neles concebêssemos a ordem e a economia e, se aí, adivinhássemos uma providência.” Numa época em que a religião perdeu o seu poder explicativo de apresentação das razões do mundo, em seu ordenamento e em suas disfunções ou descontinuidades, onde a explicação filosófica do mundo baseada na teodicéia torna-se um assunto acadêmico de alguns especialistas, aquilo que aparece como o mal físico (a dor, o desagradável) ou como o mal moral (a humilhação dos justos, a felicidade dos maus) mostra, pela sua falta de enquadramento, pela sua não (mais) inserção numa gramática determinada, o caráter aleatório, sem sentido, da vida. Recoloca-se, portanto, a questão do ser, da existência, via essa que procura pela posição do mal.”

As questões filosóficas acima expostas, trazidas para a realidade brasileira, podem assim, traduzir-se: 1) a diversidade dasMapa-da-Violência formas e gêneros sociais tem trabalhado para a formação de agrupamentos cada vez mais particulares, onde cada qual trabalha pela integridade do seu status de diferenciação dos demais, contribuindo para a legitimação de uma espécie de individualismo instituído; 2) o indivíduo, enquanto pessoa, busca, através do rompimento dos dogmas religiosos e morais, a emancipação de si próprio; 3) o estado se abstem do seu dever de regular os excessos de intolerância e educar para uma cultura de paz.

Dessa forma, a abolição dos velhos valores e o surgimento de anti-valores têm provocado o deslocamento do eixo-referencial no qual tradicionalmente ancoramos nossas crenças. As angústias existenciais individuais têm emergido ao primeiro plano da civilização sem que, com ela possa coexistir. A impunidade dos criminosos, a humilhação dos justos e a felicidades dos maus têm permitido a exacerbação da violência. Ao passo que, a omissão do Estado em, de um lado controlar, e de outro educar, têm favorecido à banalização dos atos de violência.

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