Comportamento, Música

Rock/Metal # 1 – Um panorama do cenário cearense.

Artigo aborda a relação entre rock e mídiaDesde que Fortaleza entrou para o circuito dos shows internacionais, uma preocupação constante dos roqueiros cearenses tem sido a formação de um público consolidado, capaz de viabilizar a cidade como pólo de atração deste tipo evento. Esta preocupação tem fundamento, visto que, sem público não há como custear as despesas que um show internacional que, sabemos, não é barato! A partir das discussões vislumbradas nos fóruns das comunidades dedicadas ao heavy metal no estado, podemos perceber uma ansiedade palpável por parte dos fãs quanto a continuidade dos shows na cidade. E não é para menos! Para compreendermos o porquê  precisamos analisar o movimento desde o ponto de partida como agora o faremos.

A incorporação do heavy metal como elemento de uma cultura universal pela juventude cearense começou a se constituir mais concretamente, no final dos anos 80 e início dos 90,  Kreator e Exodus – o showquando houve o “boom” mundial do estilo. Naquela época, o nosso país, que acabava de sair de um longo regime de ditadura militar, tinha uma economia absolutamente deficitária e pouca representatividade no contexto global. No que diz respeito a shows internacionais, sabemos que a economia de um país é um fator determinante, por isso, excetuando-se os grande festivais como Rock in Rio, Hoollywood Rock e outros poucos, havia pouca regularidade de shows no país (leia-se Rio de Janeiro e São Paulo). Dessa forma, quando uma grande banda saía em turnê mundial e incluía o Brasil no roteiro, era motivo de orgulho para todos nós, enquanto brasileiros (…). No decorrer dos anos noventa o país começa a inserir-se na economia global e o cenário nacional começa a se modificar. As bandas passam a vir com maior frequência e expandem suas rotas no país. Assim, cidades como Belo Horizonte/MG (conhecida mundialmente como a terra natal do Sepultura), Porto Alegre/RS, Recife/PE (que tem a primazia na recepção de shows internacionais no Nordeste) e outras, começam a figurar entre os pólos do cenário metálico.

IMG_2079Fortaleza, que vê sua economia crescer significativamente com base no turismo, se movimenta lentamente na escalada do rock. O movimento em prol do estilo já existia, porém, as manifestações eram isoladas e isso o impedia de se fortalecer. Outro fator que se contrapôs ao desenvolvimento da cena local foi a expansão do “forró” que por imposição, é tratado como elemento da cultura popular!? Em meio a tudo isso, pequenos grupos que, por identificação como o rock ou por aversão às ondas do forró e do axé, começavam a se formar buscando alternativas para a estagnação da cena. Nos poucos shows que iam surgindo a galera sempre dava as caras. A Galeria Pedro Jorge (mais conhecida como Galeria do Rock)  – ponto de encontro dos roqueiros cearenses –  teve na década de 90, o auge de sua vida comercial, e é nessa época que ocorre a maior transformação na cena local. Tanto nas relações político-econômicas quanto nas sócio-culturais, a cidade vai se abrindo para uma nova realidade. Uma agitação cultural toma conta da cidade e gente de várias vertentes do movimento alternativo se  une no intuito de fixar as ações que já vinham sendo desenvolvidas em prol do rock local. cropped-dsc05476.jpgDentro desse contexto uma iniciativa se mostra fundamental para o crescimento da cena nos últimos anos: o surgimento, em 1998, da Associação Cultural Cearense do Rock – ACR. Concentrando ações que visavam/visam difundir o rock e formar platéia no estado, a ACR tem o mérito de haver consolidado nossa cidade como pólo, não apenas consumidor, mas também, produtor de artistas do estilo. O Festival Forcaos, que em 2009 chegou a sua décima edição é o braço forte da ACR, e tem servido muitíssimo bem ao propósito de divulgar as bandas locais e de trazer ao estado os maiores nomes do metal nacional.

O ponto no qual pretendo chegar, é que foi pela rebeldia e pela vontade de se modificar que Cenário cearense – Uma reflexãohoje podemos falar numa cena melhorada e reconhecida nacionalmente. A maior prova disso, é a entrada da cidade na rota dos shows internacionais onde permanece com certa regularidade desde o ano de 2008. Nesse ponto, chegamos ao cerne da reflexão, podendo assim, retomar a questão quanto a preocupação dos roqueiros locais com a continuidade dos shows internacionais na cidade.

Analisando a seqüência iniciada em 2008, vemos claramente a oscilação de público entre um show e outro. O Sepultura, que abriu a temporada, teve um público estimado em 4000 pessoas. Em seguida, com Helloween/Gamma Ray, tivemos o recorde de público de sua turnê brasileira; já o Nazareth teve um público abaixo da média, enquanto Tarja Turunen foi outro bem sucedido. O Destruction teve boa audiência a despeito do Ceará Music, que tinha o The Cult como headliner na mesma noite. Nightwish teve público bom, considerando a concorrência com o Offspring, que também se apresentava na mesma Artigo aborda a relação entre rock e mídianoite (…).

No ano seguinte, desapontados com o não êxito da campanha Iron Maiden Fortaleza, tivemos Blaze Bailey abrindo a temporada 2009. Neste, apesar de estar dentro da média de público da turnê, a banda se apresentou para uma platéia de 300 pessoas quando se esperava lotação. John Lawton teve uma audiência irrisória enquanto notícias oficiais de Pernambuco davam conta de que aproximadamente 5.000 cearenses foram ao Recife ver o Iron Maiden. Em seguida, meio que de bate-pronto, tivemos o Motorhead com uma média de 4000 espectadores e, logo depois, o Omen com um bom público (considerando ao tamanho do local onde se apresentou). Na sequência tivemos o Awake Festival cujo público não tenho como estimar. E, finalmente, para Kreator e Exodus, que se esperava um público acima de 3000 pessoas, tivemos nada mais que umas 1500. Sem falar nos shows que foram cancelados.

Cenário cearense – Uma reflexão
Iron Maiden 2009

Essa oscilação não se justifica por qualquer motivo aparente, apesar de que a cidade mostra potencial pra eventos de rock. Contudo, estando próximo do show do Grave Digger (20/11), e, diante da perspectiva de público pequeno, os fãs se vêem constrangidos com a possibilidade de sair da rota dos shows internacionais. A análise, porém, mostra uma contradição entre o engajamento do roqueiro cearense e a oscilação de público nos shows que efetivamente acontecem.

Dessa forma, considerando a trajetória do movimento heavy metal local, do princípio até o ponto em que hoje se encontra, verificamos que o engajamento do roqueiro cearense é verdadeiramente louvável, contudo, muito há para ser feito! Se as grandes produtoras de Fortaleza não se interessam pelo estilo musical que mais influencia gerações mundo afora, há que direcionar esforços no sentido de promover o crescimento daqueles que produzem eventos de pequeno e médio porte. São essas pessoas que poderão fazer a diferença num futuro próximo. Para encerrar, resta concluir o óbvio e aceitar que se faz necessário trabalhar sempre mais. E o passo mais importante é básico: comparecer aos shows!

Todas as fotos por Rogério Ribeiro, exceto “Iron Maidem 2009”, por Ricardo Cunha.

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3 thoughts on “Rock/Metal # 1 – Um panorama do cenário cearense.”

  1. Concordo inteiramente. Acrescentando apenas que, como havíamos conversado antes, somos nós, amantes do rock, que alimentamos o underground. Por isso, sou a favor da tomada de atitude por parte do Edu Falaschi na sua fala ao criticar a turma que apoia pela internet mas não comparece aos shows! Embora um tanto exagerado – talvez pela emoção do momento – a atitude do Edu foi útil para quem vai aos shows e espera sempre ver performances cada vez melhores da bandas!

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  2. Como a gente tava conversando na quarta passada, acho que tem publico aqui sim e acho que o metal nunca passou, se não por melhor momento, pelo menos por momento com mais potencial de se fortalecer.
    Falo isso em virtude da facilidade que temos hoje em conseguir material e divulgar eventos sem necessitar da grande mídia.
    O que está faltando é uma produtora com maior peso e peito para bancar e sustentar atrações grandes com uma certa regularidade. Vide o exemplo da D&E quando trouxe Offspring e Deep Purple. Coincidentemente ou não, os públicos destes 2 shows foram sensacionais. Vai me dizer que o poder de uma produtora dessas não influencia???
    Por outro Lado, acho que mesmo sem shows internacionais na cidade, hoje já temos várias bandas locais de qualidade e é importantíssimo sabermos dar valor a elas. Lembro de cabeça Darkside, Warbiff, Obskure e por aí vai.
    Também falta um local de encontro, espécie de bar onde a galera headbanger sempre vá e escute boa música, tome uma cerveja e fique a par dos acontecimentos.
    O Rota 66 parecia uma boa alternativa, mas parece que se perdeu na oportunidade, além de ser muito escondido e contramão.

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  3. ¡¡¡FELIZ NAVIDAD!!!¡¡¡MERRY CHRISTMAS!!! Con mis mejores y sinceros deseosde Salud, Paz, Amor y Felicidad, que Dios te bendiga por siempre,a ti, a toda tu familia, a tus amigos, los que te aman y amas, y a todos los seres humanos de buen corazon,cualquiera sea su raza, pais o religion…Este es mi deseo en estas fiestas navideñas,por un mundo mejor…Desde mi corazon y con todo mi cariño¡¡¡FELIZ NOCHE BUENA Y FELIZ NAVIDAD!!!Miles de besitos de tu siempre amiga♥Lucecita♥ Linck de mi Spaces:http://lucecitaxsiempre1.spaces.live.com/ http://i48.tinypic.com/dy93is.gif http://i45.tinypic.com/5kpsue.gif

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