Poesia

Mesas de bar

Não possuo o dom da retórica, não costumo achar que a vida seja “bela” ou, ao contrário, que as pessoas sejam infelizes.

Eu não declamo os versos que escrevo. Porém, mesmo não pretendendo ser poeta, nada impede de expor meus delírios.

Inspirado nas palavras de Mestre Borges*, tenho procurado desaprender coisas que acreditava saber: ser mais sério… talvez não ser!

Tenho feito coisas tolas nestes dias. Dias estes, em que andam doidas, as coisas.

Gente que há muito não via, reencontrei. Gente que muito via desapareceu. Gente nova cruzou o meu caminho…

Apesar de tudo, o trabalho, a família, os amigos e as outras coisas… nada parece estender-se ao meu gosto pelo impossível.

Em meio ao tudo, ninguém me salva.

Não posso me inventar dessa forma, e não admito envelhecer meu capital humano, pois é tudo de valor que tenho.

Quero mesmo é viver a vida. Hoje mais que ontem, e novamente mais, todos os dias.

Tenho indisposição pro tédio mesmo acreditando não ter vocação pra amar.

Contudo, quando não houver mulheres, haverá mesas de bar (…).

*Jorge Luis Borges.

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